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Edição de 31-10-2020
Jornal Online

SECÇÃO: Crónicas


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Encontro com o Natal

A tarde do último domingo de agosto decorria de forma calma e numa paz gratificante quando de repente avisam que ia chegar família. Interrompem-se as sestas e numa fração de segundos a mesa é preenchida de gente que a rodeia cheios de saudade, de estarem juntos e também perante cartas que se liam e fotos do início do século XIX que à época serviam como “postais de correio” que iam e vinham de longe e para longe, cheios de notícias. Resumiam o mais possível as suas missivas para que tudo coubesse naquele retângulo e isto porque já a essa data os postais eram em formato de retângulo.

Para mim, observar fisionomias e tentar identificar expressões tinha-se transformado num exercício que me entretinha, de forma saudável. Foi isso que me levou a observar aquilo que como espetadora presenciei naquela tarde rica de calor humano. Depois, algo me desassossegou porque não conseguia encontrar o termo certo para todas aquelas expressões que comungaram de um momento (raro) de família que os anos (muitos anos), tinha atrasado.

“Deixei uma ave me amanhecer”, escreveu Manoel de Barros. A mim, no dia seguinte, o amanhecer foi com a alegria de ter encontrado a palavra exacta que traduzia aquilo que eu tinha presenciado no dia anterior: NATAL. O que tinha vislumbrado por trás de cada pequena expressão em cada uma daquelas pessoas era nem mais nem menos que o que representa o espírito de Natal: (re)nascimento de laços, perdão, compreensão e tolerância, simplicidade e humildade. Também estava lá a gratidão e o reconhecimento, que teve a forma de abraço, aquele que fala mais do que meras palavras.

Os dias seguintes a este momento, transformei-os em objetivo - ir ao encontro do Natal. Encontrei-o, o Natal do passado onde também nem sempre era feito de flores e festa pois numa dos postais que lia, datado de dezembro de 1912 para lá da palavra saudade estava a tristeza de um homem do exército que não poderia ir a casa passar o Natal com a família. Só que nas palavras escritas cheias de sentimento e amor devotado à família estava lá a palavra compreensão: ficava a substituir um colega que tinha mulher e filhos, como tão bem entendeu conforme escreveu.

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Do passado também vislumbrei alguns flash da expressão que tinham o nome de Natal, simbolizado em pequenos gestos, de grandes pessoas que abnegaram, levaram ao extremo a sua capacidade de resiliência e tiveram que fazer luto daquilo que já não dependia da sua vontade mas sim do sentimento de Natal que divergia na sua profundidade do Natal dos “outros”, aqueles para quem tudo se traduzia em egoísmo, vaidade e materialismo.

Também é do Natal passado que as expressões de gratidão por coisas simples e banais me despertam para que perceba que isso é intemporal e sempre fará parte do Natal de quem sabe dar, e do Natal de quem sabe receber. Podem ter a duração de fração de segundo, de minutos, horas ou dias, não fosse a (quase) imposição de no presente ter que se esconder tudo isso atrás de uma máscara.

O setembro termina e a preocupação de um Natal confinado começa a fazer-nos chegar através dos meios de comunicação social e também pelo que percecionamos em conversas do quotidiano. A dedilhar por aqui penso que teve sorte (e oxalá disso se tenha dado conta) quem aproveitou para perdoar, abraçar, beijar e marcar presença em momentos tão simples como seria um olá momentâneo de um tempo frágil e que tudo põe em causa.

Sendo que Natal assenta fundamentalmente na palavra AMOR (e se este amor for o “tal sentimento”, o verdadeiro, que dinheiro algum compraria) este não terá que ser procurado - encontra-se, ainda que sem toque e mesmo que tenha que ser escondido por trás de uma máscara. Pode também estar separado por uma distância que pode ser de metros mas também Kms. É também desse amor, que se alimentará a solidão de quem, em momentos de celebração de Natal, terá que ser deixado para trás, caso se venha a assistir a novo cerco nos países, concelhos e até freguesias.

(...)

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Por: Glória Leitão

 

 

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