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Edição de 31-10-2020
Jornal Online

SECÇÃO: Opinião


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Nós, Cidadania e Escola (parte 1)

A respeito da mais recente polémica sobre a obrigatoriedade da disciplina de Cidadania e Desenvolvimento traduzida em dois manifestos subscritos por partidários do sim e do não, decidi, como cidadã desta cidade e também como docente de História num dos seus agrupamentos escolares, mais do que entrar em polémicas, deixar o testemunho da importância da reflexão e da análise crítica dos mais variados assuntos que estão na ordem do dia da “civitas”. Ocorreu-me então a reflexão que fiz sobre a entrevista publicada no “Expresso”, em pleno Estado de Calamidade, a Benjamin Berell Ferencz em que ele afirmava o seguinte:

“O meu primeiro campo foi Buchenvald. Havia corpos por todo o lado. Mal se podia ver se as pessoas ainda estavam vivas. Os que ainda estavam vivos à justa conseguiam pedir ajuda com os olhos. Foi como um vislumbre do inferno, e teve um efeito traumático em mim. Todo o meu pensamento foi determinado por isso. Porque passei o resto da minha vida a tentar evitar que algo semelhante voltasse a acontecer. Isso é mais importante, acho eu, do que acusar uma mão cheia de assassinos em massa.”

Benjamin Berell Ferencz in Entrevista citada na Revista Expresso,16 maio 2020

Nesta entrevista, Benjamin Berell Ferencz, o último procurador de Nuremberga ainda vivo, dá-nos o seu testemunho de um momento que marcaria para sempre a História do Direito Internacional. Ferencz liderou, no âmbito dos julgamentos do pós-Guerra o processo-crime contra 22 membros pertencentes ao Einsatzgruppen, escolhidos de entre um grupo de 3 mil. Depois de ter contabilizado um milhão de crimes cometidos por esta unidade militar, Ben Ferencz teve autorização para levar avante o processo judicial. Sendo impossível julgar todos, em virtude da lotação limitada da sala de audiências, selecionou os 22 elementos com base na patente militar e no grau académico. Durante as suas alegações em julgamento, este procurador foi o primeiro a utilizar a palavra Genocídio, da autoria de Raphael Lemkin, advogado polaco judeu, sem que este conceito desse nome a qualquer um dos crimes da lista. Tal só viria a concretizar-se em 1948 quando a ONU aprovou a Convenção sobre o Genocídio para a sua punição e prevenção. O termo, datado de 1944, demolia de morte os operacionais nazis porque fazia deles os responsáveis por uma estratégia deliberada para a aniquilação do povo judeu.

Ian Kershau, autor de uma das mais credíveis biografias de Hitler, dá força a esta ideia quando escreve o que Himmler terá dito às chefias das SS, em novembro de 1938 (já depois da demolição da principal sinagoga de Munique em 9 de junho):

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“Precisamos de ter bem presente que nos próximos 10 anos vamos deparar-nos (…) com conflitos de uma gravidade sem precedentes. Não se trata apenas da luta de nações (…) mas sim da luta ideológica de toda a judiaria, franco-maçonaria, marxismo e Igrejas do mundo. Estas forças – cujo espírito motivador presumo serem os judeus, a origem de tudo o que é negativo - não têm dúvida que se a Alemanha e a Itália não forem aniquiladas, elas próprias serão aniquiladas. (…) O judeu não pode manter-se na Alemanha. (…). Temos de correr com eles daqui para fora cada vez mais com uma impiedade sem precedentes (…).

In KERSHAU, Ian – Hitler. Uma biografia. 2009, Publicações D. Quixote, edição Jornal Expresso, vol. IV, p. 186

Não havia por isso como alegar contra as acusações a que respondiam os chefes nazis.

Efetivamente a História da Humanidade conheceu, entre 1933 e 1945, um dos seus momentos mais negros que o site do United States Holocaust Memorial define como:

“(…) a perseguição e assassinato de seis milhões de Judeus de forma sistemática, burocrática, e patrocinada pelo Estado, por parte do regime Nazi e seus colaboradores. “Holocausto” é uma palavra de origem grega que significa “sacrifício pelo fogo”. Os Nazis, que chegaram ao poder na Alemanha em janeiro de 1933, acreditavam que os alemães eram “racialmente superiores” e que os Judeus, considerados “inferiores”, eram uma ameaça externa à chamada comunidade racial alemã.”

(...)

leia este artigo na íntegra na edição impressa.

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(continua)

Cândida Moreira

 

 

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