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Edição de 30-11-2020
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    Arquivo: Edição de 31-10-2020

    SECÇÃO: Destaque


    50.º ANIVERSÁRIO DA ABERTURA DA ESCOLA SECUNDÁRIA DE ERMESINDE - ENTREVISTA COM LUÍS MARQUES ASCENÇÃO, UM DOS PRIMEIROS ALUNOS DA ESCOLA NO ANO LETIVO DE 1970-1971

    Memórias do primeiro ano de vida da Escola Secundária de Ermesinde

    Luís Marques Ascenção, hoje em dia taxista reformado, foi um dos primeiros alunos da História da hoje denominada Escola Secundária de Ermesinde. Enquanto aluno ele viveu de perto a abertura de um estabelecimento de ensino que há 50 anos a comunidade da então Vila de Ermesinde muito ansiava no sentido de evitar que os seus jovens fossem obrigados a deslocar-se para o Porto a fim de frequentar o ensino secundário. Na primeira pessoa, o nosso entrevistado desafia memórias desse arranque da então nova escola, localizada no ainda hoje popularmente denominado “Barracão”, na zona industrial da Formiga, transportando para o presente lembranças de professores, do ambiente que se vivia na escola, ou os cursos que começaram por ser ministrados num estabelecimento que quando abriu ainda nem sequer estava acabado, como nos conta!

    LUÍS MARQUES ASCENÇÃO
    LUÍS MARQUES ASCENÇÃO
    A Voz de Ermesinde (AVE): No início denominada de Escola Técnica, a atual Escola Secundária de Ermesinde comemora no mês de novembro os 50 anos do dia em que abriu as portas à comunidade . O Luís Marques Ascenção esteve nesse arranque, foi um dos alunos que frequentou o primeiro ano letivo da vida da escola, e nesse sentido apelamos à sua memória para nos recordar, em primeiro lugar, como era o ambiente da escola naquele ano, como é que a comunidade escolar vivenciou aquele início de existência da escola, aquele ano escolar, que hoje é especial, porque foi o primeiro (?)

    Luís Marques Ascenção (LMA): Recordar é viver e a minha memória do primeiro ano na Escola Comercial e Industrial de Ermesinde (também denominada de Escola Técnica) ainda é muito viva. Neste século XXI denominam com certo maldizer o “Barracão”, mas não é verdade, era na zona da Formiga (Santa Rita) onde existem atualmente vários armazéns. Destes vários armazéns, um deles foi aproveitado para escola, que depois passaram a ser dois armazéns adaptados. Não eram como agora, mas na altura quem não tinha nada e passou a ter algo real já era muito bom. A escola começou a funcionar com poucos alunos, pois éramos poucos e todos nos conhecíamos o que não é possível agora.

    AVE: Lembra-se se havia expectativa na então Vila de Ermesinde pela abertura daquela escola? Ou seja, era uma escola desejada por parte dos ermesindenses?

    LMA: Na então Vila de Ermesinde os cidadãos já há muito que ansiavam por uma escola do Ensino Secundário, pois os jovens da altura tinham que se deslocar para a cidade do Porto, como foi o meu caso, para a Escola Comercial Oliveira Martins. Foi uma aspiração justa, pois na altura Ermesinde já era a freguesia do Concelho de Valongo com mais população. Recordo-me ainda que na altura muitos alunos com capacidades não tinham possibilidades económicas.

    AVE: A abertura desta escola trouxe mudanças significativas para a então Vila de Ermesinde, e em concreto para o aumento de escolaridade da sua população mais jovem? Sentiu-se isso com a abertura da escola?

    LMA: A abertura desta escola trouxe mudanças para os jovens de Ermesinde e arredores, pois na década de 70 em plena era Marcelista a vida das famílias era muito difícil e os jovens iam trabalhar muito cedo, pois a maioria dos pais não tinha capacidades financeiras para colocar os filhos a estudar. A partir da altura em que a escola abriu aumentou o número de estudantes de dezenas para centenas em Ermesinde.

    Lembro também a abertura aos dois sexos (masculino e feminino) na mesma escola. A escola também começou a ter cursos noturnos para trabalhadores.

    AVE: Da sua parte, lembra-se do primeiro dia de escola, o primeiro dia de aulas? Houve alguma cerimónia em particular por se tratar da abertura da escola ou foi um dia normal de início de ano letivo?

    LMA: Foi há muito, muito tempo como diz a canção, mas o primeiro dia foi especial pois fui do Lugar da Travagem, em Ermesinde, onde morava, a pé, pois não havia transportes públicos, fiz esse caminho com sol ou chuva. Fomos vários colegas até à Escola Comercial e Industrial, na Formiga. No primeiro dia ainda não havia contínuos (pessoal auxiliar) e as aulas ainda não funcionavam em pleno, pois havia falta de professores para algumas disciplinas. Alguns professores eram provisórios, saídos diretamente das faculdades. Fomos recebidos normalmente pelo então Diretor, e Escultor, Vítor Duarte. Também o professor de Desenho fez uma pequena palestra sobre as normas da Escola.

    O primeiro dia marcou-me pela positiva, pois os professores eram visivelmente muito novos e isso foi uma esperança que trouxe muitas vantagens no ensinar. Lembro-me que da escola de onde vinha eram muito conservadores e os professores estavam já cansados e em final de carreira.

    UM DOS ARMAZÉNS ONDE FUNCIONOU A ESCOLA TÉCNICA DE ERMESINDE JÁ NUMA FASE DE ABANDONO
    UM DOS ARMAZÉNS ONDE FUNCIONOU A ESCOLA TÉCNICA DE ERMESINDE JÁ NUMA FASE DE ABANDONO
    AVE: Soubemos que pelo atraso que houve em arranjar um edifício para a Escola, muitos alunos matricularam-se nesse ano letivo em escolas do Porto e depois, quando esta abriu, pediram a transferência para cá? Foi o seu caso?

    LMA: O edifício era de um conhecido comerciante de Ermesinde, o senhor Santos “Rasteiro”, que foi um dos que por interesse económico fez pressão na então Câmara Corporativa e conseguiu também uma mais valia para Ermesinde.

    As aulas começaram mais tarde porque ainda estavam a terminar as obras finais e ainda me lembro de ver trabalhadores a executar tarefas ainda com aulas.

    Eu também me matriculei na Escola do Porto, mas alguém me falou que ia abrir (uma escola) em Ermesinde e se estava interessado em ingressar na minha localidade. Portanto, foi o meu caso e de outros colegas.

    AVE: Há alguma história curiosa, ou algum pormenor particular, que ainda hoje se recorda daquele primeiro ano, daqueles primeiros tempos de vida da escola?

    LMA: Lembro-me de fazermos o “Magusto” no segundo armazém que estava ainda a descoberto e os alunos a assar as castanhas e a confraternizar. Como curiosidade a nossa escola tinha pela primeira vez turmas mistas (rapazes e raparigas) o que agora é normal.

    Naquele ano também se fez a Festa de Natal como é tradição. O ambiente era muito bom e até hoje sempre que alguns ex-alunos se encontram é um recordar de saudades.

    AVE: E o edifício da escola, o chamado “barracão”, como descreve o espaço?

    LMA: Os dois armazéns geminados, onde se encontram ainda hoje o Cenfim, eram na altura o possível, foi o embrião da futura Escola Secundária de Ermesinde onde acolhem ermesindenses que não tinham oportunidades se não fosse aquela estrutura de ensino.

    Quando chovia o telhado fazia muito barulho e incomodava quem estava em aulas, não tinha cantina no primeiro ano, não tinha pavilhão desportivo, tinha uma placa central para fazer algumas atividades. Estava perto de uma estrada nacional muito perigosa onde vários alunos foram, aliás, atropelados.

    AVE: E os professores, as disciplinas, há algum professor e/ou disciplina que se lembre ainda hoje em particular? E o ambiente das aulas, como era?

    LMA: No que respeita aos professores, eles foram uma lufada de ar fresco no ensino. Começava por destacar o Diretor da escola, Vítor Duarte, homem exigente mas com grande abertura e diálogo com os alunos. Tinha uma frase que dizia: “Liberdade implicava responsabilidade” e que os alunos tinham “direitos e obrigações” (agora deveres), perante a escola. Tive vários professores que me marcaram muito, como a Ana Maria Gonzales, professora de Português, simpática e sempre pronta a tirar dúvidas. Outro professor, o Pedro Mascarenhas, de Direito Comercial, pela lucidez e diálogo com alunos. O ambiente das aulas era muito descontraído, pois a turma era pequena e as raparigas e rapazes tinham uma relação de amizade e camaradagem normal.

    AO FUNDO DA RUA OS DOIS ARMAZÉNS GERMINADOS ONDE FUNCIONOU A ESCOLA, QUE ALBERGAM HOJE O NÚCLEO DE ERMESINDE DO CENFIM, COMO SE PODE VER
    AO FUNDO DA RUA OS DOIS ARMAZÉNS GERMINADOS ONDE FUNCIONOU A ESCOLA, QUE ALBERGAM HOJE O NÚCLEO DE ERMESINDE DO CENFIM, COMO SE PODE VER
    AVE: Como já disse as turmas eram mistas, tal como agora...

    LMA: As turmas começaram a funcionar em regime misto, exceto o curso de formação feminino, que era específico. Para mim na altura foi uma alegria, pois o convívio era mais natural e próprio das relações humanas. É bom lembrar que na altura no Porto, as escolas ainda funcionavam com alunos e alunas separados, algo que na atualidade parece anedota.

    Nos intervalos da Escola Comercial e Industrial de Ermesinde, de dez minutos, pouco dava para fazer, os mais novos brincavam entre eles e os mais velhos já tinham convívio com as raparigas. Lembro que alguns rapazes e raparigas conheceram-se na escola namoraram e deu casamento.

    AVE: Quantos anos o Luís Marques frequentou aquela escola? Lembra-se das áreas de ensino que se lecionavam na escola naqueles primeiros anos?

    LMA: Eu frequentei dois anos a escola, o 4º ano e o 5º ano (9º ano atual). As áreas de ensino eram o Curso Comercial, Formação Feminina e Metalomecânica e Curso Comercial noturno.

    (...)

    leia esta entrevista na íntegra na edição impressa.

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