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Edição de 30-09-2020
Jornal Online

SECÇÃO: Destaque


ENTREVISTA

Concelho de Valongo atinge números excecionais no que respeita à reciclagem

O facto de os cidadãos do Concelho de Valongo estarem a fazer de 2020 um ano excecional no que concerne à reciclagem, fez com que nesta edição escutássemos o responsável pelo pelouro do Ambiente da autarquia valonguense, neste caso José Manuel Ribeiro, presidente da Câmara que tem à sua responsabilidade o referido pelouro. Na primeira pessoa o autarca comenta nas próximas linhas não só os números atingidos que colocam o nosso concelho na frente do pelotão dos municípios associados à LIPOR no que diz respeito à reciclagem, mas também o trabalho que a autarquia tem desenvolvido no sentido de ter sido possível atingir estes notáveis resultados.

Fotos CMV
Fotos CMV
A Voz de Ermesinde (AVE): No primeiro semestre de 2020 o Concelho de Valongo apresentou resultados bastante significativos/positivos no que concerne à reciclagem. Em termos concretos, no que diz respeito a resíduos alimentares e a verdes foram reciclados 1.812 toneladas, ao passo que em termos de papel, plástico, metal e vidros os números apontam para 2210 toneladas de resíduos reciclados. Números que colocam Valongo na frente do pelotão dos municípios associados à LIPOR no que diz respeito à reciclagem. Como é que a Câmara de Valongo comenta/analisa estes factos/dados?

José Manuel Ribeiro (JMR): São resultados excelentes e encorajadores. Em 2014, em matéria de reciclagem, o Município de Valongo encontrava-se em sexto lugar entre os oito municípios do universo da LIPOR. Em 2020, passamos para segundo lugar. Vamos continuar esta aposta na mudança de comportamentos em prol da sustentabilidade, pois é disso que depende o futuro do Planeta e a qualidade de vida de todos. Estamos no caminho certo, mas ainda temos um longo trilho para percorrer.

AVE: Além disso, estes foram resultados alcançados num período de pandemia. Por outras palavras, apesar de todos os condicionamentos causados pela Covid-19 os munícipes de Valongo continuaram sensibilizados para a importância da reciclagem de resíduos...

JMR: A pandemia não pode servir de desculpa para deixarmos de fazer uma correta gestão dos resíduos. Aliás, fomos dos poucos municípios que durante o período de confinamento continuou a assegurar o serviço de recolha de “monstros” ao domicílio.

Felizmente, constatamos que o desempenho das famílias em matéria de reciclagem não foi afetado pela pandemia. Durante o confinamento houve uma diminuição de recolha seletiva, mas foi registada em comércios, indústrias e restauração e não na componente residencial. Para o desempenho positivo do Município de Valongo em matéria de reciclagem, tem cada vez mais peso o projeto de recolha seletiva porta-a-porta – RECICLAR É DAR +, que iniciamos em outubro de 2016 e que continuamos a implementar com o objetivo de abranger 90% das habitações até 2030 com este novo sistema de recolha.

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AVE: Olhando ainda para estes resultados alcançados pelo nosso Município, não os podemos dissociar do papel ativo que a Câmara de Valongo tem tido no sentido de apelar à necessidade da reciclagem por parte dos seus munícipes. Quer falar um pouco deste trabalho, ou deste papel, que a autarquia tem desempenhado?

JMR: Não há desculpas para abandonar os resíduos na via pública! A Câmara Municipal em articulação com a empresa que presta o serviço de recolha e com a LIPOR garantem o melhor serviço possível para a população. Além dos serviços de recolha tradicional e porta-a-porta, no Município de Valongo temos o Ecocentro de Ermesinde e o Ecocentro de Valongo que estão disponíveis de segunda-feira a sábado, das 8h00 às 20h00, para receber os objetos fora de uso e aparas de jardim que os particulares ou empresas pretendam entregar gratuitamente.

Disponibilizamos também aos munícipes um serviço de recolha gratuita ao domicílio, quer para objetos volumosos fora de uso (“monstros”), quer para aparas de jardim (neste último caso oferecemos até um saco específico para o efeito), em dia a agendar através da linha gratuita 800 202 099, de segunda-feira a sábado, das 8h00 às 20h00, e com um tempo de resposta, salvo raras exceções, que não excede as 24 horas. Estamos a marcar de um dia para o outro, não há desculpas para abandonar os resíduos na via pública!

Estes serviços encontram-se devidamente divulgados, tendo sido colados em 2018 em todos os ecopontos um cartaz de divulgação e contratada uma campanha de sensibilização específica, com intervenção de técnicos junto aos ecopontos mais problemáticos no final de 2019.

Está também em fase de adjudicação o Concurso Público para a prestação de serviços de Recolha de Resíduos Urbanos, Campanhas de Sensibilização e limpeza de faixas de Gestão de Combustível do Município de Valongo, com o prazo de execução de 10 anos, que prevê múltiplas campanhas de sensibilização destinada à população em geral, sem esquecer a população escolar.

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AVE: Do ponto de vista da Câmara quais são as vantagens da Recolha Seletiva Porta-a-Porta, e qual o ponto de situação em relação à sua implementação no concelho de Valongo?

JMR: Atualmente, o Município de Valongo tem 6.500 alojamentos (moradias e edifícios) abrangidos com a recolha seletiva Porta-a-Porta Residencial, onde se inclui também a recolha de resíduos orgânicos (restos alimentares). Este número representa 17% da população do Concelho. Até à presente data, são já 12 as áreas abrangidas (Lombelho, Barreiro, Baguim, Cabêda, zonas da freguesia de Alfena, Quinta da Lousa, Susão, Outeiro do Linho e Encosta do Vale, zonas da freguesia de Valongo, Montes da Costa, Bela e Palmilheira, zonas da freguesia de Ermesinde).

No âmbito deste projeto, o Município oferece a cada moradia/edifício os contentores adequados para o acondicionamento dos diversos resíduos: orgânicos (restos alimentares); papel/cartão; embalagens; vidro e lixo (tudo o resto que não é reciclável nem valorizável). A adesão da população tem sido bastante positiva. Os últimos dados que temos apontam para uma taxa de 66% de adesão. No entanto, existem ainda equipamentos de utilização coletiva na via pública que serão retirados à medida que o projeto avança o que provocará o aumento da taxa de adesão. Considerando que a metodologia da recolha de resíduos passou de recolha quase diária (de segunda-feira a sábado) com os resíduos todos misturados, isto é lixo, para uma recolha cujo calendário determina que a recolha do lixo é só à sexta-feira, sendo a recolha de papel/cartão às terças-feiras, a recolha das embalagens às quintas-feiras, a recolha do vidro ao sábado (de quinze em quinze dias) e a recolha dos resíduos orgânicos (restos alimentares) às segundas-feiras, quartas-feiras e sábados, entende-se que a reação das pessoas tem sido de colaboração. A grande vantagem deste sistema é a maior quantidade de resíduos valorizáveis que são recolhidos.

AVE: Por fim, no atual cenário de pandemia que vivemos, gostaria de deixar alguma mensagem de reforço positivo aos munícipes, face aos excelentes resultados alcançados?

JMR: Apelamos aos cidadãos para que continuem a separar corretamente os seus resíduos e para que os depositem nos locais corretos. Além da reciclagem é também necessário reduzir e reutilizar, por isso aconselhamos o uso de máscaras de tecido laváveis e reutilizáveis. Recordamos também que as máscaras e luvas descartáveis devem ser colocadas no lixo comum e nunca no chão.

Não há desculpas para abandonar os resíduos na via pública! A Câmara Municipal em articulação com a empresa que presta o serviço de recolha e com a LIPOR garantem o melhor serviço possível para a população. As soluções existem e são gratuitas para os munícipes, mas lamentavelmente ainda há alguma resistência à mudança de comportamentos. Infelizmente é um facto que diariamente é depositada uma multiplicidade de resíduos na via pública e junto aos contentores. Admitimos que seja necessário um reforço da fiscalização das deposições ilegais de resíduos e aplicação das respetivas coimas aos cidadãos incumpridores.

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