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Edição de 31-07-2020
Jornal Online

SECÇÃO: História


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ACONTECEU HÁ UM SÉCULO (16)

Nascimento de Amália Rodrigues

Amália Rodrigues, uma das fadistas mais importantes de todos os tempos, nasceu há cem anos. Desde o dia um deste mês, que ela considerava o dia do seu nascimento (embora o registo civil indique ter nascido no dia 23 de julho de 1920), decorrem as comemorações do primeiro centenário do nascimento de Amália que vão prolongar-se até ao final do verão do próximo ano. A sua incomparável voz, e a língua portuguesa em que ela cantava e comunicava, fizeram dela uma embaixadora da cultura portuguesa, um pouco por todo o mundo, desde os Estados Unidos ao Japão, passando pela Inglaterra, França, Itália, Rússia e, entre outros, a China. Menos de dois anos após a sua morte, os seus restos mortais foram trasladados para o Panteão Nacional. Seria a primeira mulher, e primeira artista da canção, a ter a honra de ser sepultada na Igreja de Santa Engrácia.

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Ainda em vida, os que mais de perto privaram com ela ter-lhe-ão ouvido várias vezes dizer “não chego ao ano 2000” e acertou em cheio, morreu quase 3 meses antes de começar o ano 2000, ou seja no dia 6 de outubro de 1999!

O corpo deixou de viver, mas o seu nome e a sua voz tornaram-se eternos. Amália teve honras de “Panteão Nacional” e o seu nome e a memória bem viva da sua existência estão por todo o lado, agora que se completam cem anos sobre o nascimento da “Rainha do Fado”.

Televisão, Jornais, Exposições e até uma Rádio, nascida poucos anos após a sua morte, têm servido para evocar essa Mulher Portuguesa que tão longe levou a canção tradicional portuguesa que já é Património Imaterial da Humanidade. Um pouco por todo o país está presente o nome de Amália Rodrigues. No Grande Porto, o seu nome foi atribuído, ainda em vida dela, a uma Rua e, mais tarde, ao Centro Cultural de Rio Tinto.

Na capital, a sua residência foi a casa amarela do n.º 193 na Rua de São Bento. Foi aí que Amália Rodrigues viveu mais de meio século. As memórias que guarda ajudam a recordá-la de forma mais intensa. Os grandes ramos de flores que ofereciam à grande Amália continuaram a chegar mesmo depois de ter partido. E, apesar das remodelações entretanto feitas pela Fundação Amália Rodrigues, conserva o aspeto que Amália lhe deu.

Amália Rodrigues nasceu em Lisboa, no Bairro de Alcântara, no dia 1 de julho (data em que fazia questão de festejar o seu aniversário natalício, apesar do registo de nascimento constar o dia 23 de julho de 1920). Tempos muito difíceis vivia então Portugal acabado de sair da Primeira Guerra Mundial que muitas complicações trouxe à vida política, económica e social portuguesa. Nove anos mais tarde, inicia a frequência da Escola Primária da Tapada da Ajuda, onde fez a sua instrução primária. Aos 14 anos, trabalhava como bordadeira, engomadeira e tarefeira.

Um ano depois, isto é, com quinze anos, desfilou na Marcha de Alcântara e cantou pela primeira vez, acompanhada à guitarra, numa festa de beneficência. Aos 18 anos, representando o Bairro de Alcântara participou no Concurso da Primavera. No ano seguinte, início da Segunda Guerra Mundial, estreou-se como fadista no “Retiro da Severa”. No período final da Guerra, teve a sua 1.ª saída para o estrangeiro. O destino foi o Brasil. Previa-se que estivesse lá seis semanas, mas acabou por estar três meses, tendo atuado no Casino de Copacabana (Rio de Janeiro). No Brasil gravaria, em 1945, os primeiros dos 170 discos da sua longa e prestigiadíssima carreira.

«EU CANTAVA PORQUE (…) PRECISAVA DE ALEGRIA»

AMÁLIA AOS 50 ANOS (CAPA DA REVISTA "R&T" DE 5 DE DEZEMBRO DE 1970)
AMÁLIA AOS 50 ANOS (CAPA DA REVISTA "R&T" DE 5 DE DEZEMBRO DE 1970)
No ano em que completou 50 anos, a revista “r&t”, de 5 de dezembro de 1970, fez-lhe uma entrevista, onde, a certa altura, Amália recorda como começou a cantar: «Eu cantava porque (…) precisava de alegria. Era um chamamento interior como qualquer outro. Por isso passava a vida a cantar (…). Cantava e as pessoas gostavam de ouvir e diziam-me sempre que eu devia era experimentar cantar num sítio a sério. Mas eu nunca ligava. Lembro-me que o grande divertimento do meu avô era pôr-me a cantar dentro de casa, ao pé de uma janela, mas sem que me vissem lá de fora, e ele ir para a janela. As pessoas passavam e paravam espantadas a ouvir. Então o meu avô ficava muito contente e dizia lá para dentro: “Olha, Amália, já estão cinco pessoas paradas lá fora”. (…) Um tio meu, vendo o sucesso que eu alcançara (à janela…), decidiu levar-me a experimentar a voz. Fui então à Severa, onde ele conhecia uma pessoa que tocava lá. Fui, eles gostaram muito, mas nunca mais lá apareci. Fartaram-se de me enviar bilhetes, de mandar recados, para eu passar lá, mas não ligava. E não ligava porque a minha mãe não queria. Nessa altura, cantar o fado era o pior que podia haver. Uma pessoa que fosse cantar o fado era o mesmo que despedir-se da família porque era uma vergonha para todos (…)».

Ainda bem que Amália contrariou as orientações da mãe. Hoje o fado é património da Humanidade e o nome da sua “Rainha” foi dado a muitas ruas, avenidas e praças de Portugal, de norte a sul. Ermesinde também lembrou Amália. Foi o ano passado, em 29 de junho, no Fórum Cultural, por intermédio do grupo “Voz Ligeira” da Associação Académica e Cultural de Ermesinde que promoveu um espetáculo intitulado “ Tributo a Amália”.

Desde o início deste mês decorre a comemoração do 1.º centenário do seu nascimento, a cargo de organismos sob tutela do Ministério da Cultura e da Câmara Municipal de Lisboa, com diversos eventos, que incluem música, exposições, cinema, teatro, dança, património, conferências, colóquios, programas educativos, edições e reedições, investigação, tudo momentos em que vamos lembrar a grande Amália Rodrigues. São parceiros das comemorações do Centenário de Amália, a Fundação Centro Cultural de Belém, a Fundação Amália Rodrigues, o Museu Nacional do Teatro e da Dança, o Museu Nacional do Traje, o Panteão Nacional, a Cinemateca Portuguesa – Museu do Cinema e o Arquivo Nacional da Imagem em Movimento.

(...)

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Por: Manuel Augusto Dias

 

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