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Edição de 31-07-2020
Jornal Online

SECÇÃO: Destaque


30.º ANIVERSÁRIO DA ELEVAÇÃO DE ERMESINDE A CIDADE - ENTREVISTA COM CASIMIRO GONÇALVES, EX-PRESIDENTE DA JUNTA DE ERMESINDE

«Lutem por uma cidade com futuro»

Casimiro Gonçalves foi o primeiro presidente da Junta de Freguesia de Ermesinde no século XXI, durante o mandato entre 2001 e 2005. Nesta breve conversa relembra não só essa passagem pela Junta como também emite a sua opinião da cidade em que vive há 50 anos.

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A Voz de Ermesinde (AVE): Faz parte da História da Cidade, já que durante um mandato exerceu as funções de presidente de Junta. Começamos por lhe perguntar, que importância sentiu que teve, enquanto presidente, para dignificar o nome da Cidade de Ermesinde?

Casimiro Gonçalves (CG): Eu fui para a Junta enganado! Pressionaram-me e eu lá fui eleito. Tomei posse em janeiro e em maio quis-me vir embora. Senti-me pouco motivado ao fim de quatro meses. A Junta no meu tempo não tinha poderes absolutamente nenhuns, não podia fazer nada. Eu fiz, sem exagerar, duas centenas de pedidos à Câmara ao longo do mandato.

AVE: Que opinião tem hoje de Ermesinde enquanto cidade?

CG: Ermesinde nunca devia ter sido cidade. Sempre entendi que Ermesinde tinha pouca área para ser cidade. Uma cidade é para construir qualquer coisa mais visível, e Ermesinde não tinha área sequer para nada. Para Ermesinde ser uma cidade agradável era preciso demolir, por exemplo, aquela zona envolvente da estação e criar ali uma praça que fosse o coração da cidade. Depois, criar uma rua pedonal entre essa praça e o Café Gazela, que já existe, que já é pedonal, mas que nunca é pedonal, pois aquilo é há muito tempo uma balbúrdia, é uma rua onde se estacionam carros, de onde entram e saem carros. Na (atual) rua pedonal não sei porque deixam lá ir carros, e se deixam ir devia haver um horário para os carros poderem lá ir. Demolir (ainda) o antigo consulado do Equador e fazer lá uma sala de visitas. Depois, a Junta não tinha poderes na minha altura para alterar nada, agora já parece que tem mais qualquer coisa, mas no meu tempo não. Na altura sugeri (ainda) à Câmara que o mercado e a feira fossem também demolidos e fizessem uma coisa com “cabeça, tronco e membros”. Cheguei a levar o presidente da Câmara de então a Bragança, a minha cidade (natal), para ver o mercado municipal de lá como exemplo, onde está tudo apetrechado e funciona como deve ser. Sugeri também na altura ao presidente da Câmara ligar Ermesinde a Alfena com uma boa estrada, uma espécie de avenida, e ainda que o rio Leça fosse todo limpo e se fizesse um passadiço ao longo de todo ele.

Estes projetos que eu pensei não eram para construir no meu mandato, logicamente que não, eram para o futuro, mas hoje a maior parte deles estariam prontos.

Em Ermesinde está tudo pessimamente construído. Outro exemplo, no largo em frente ao Café Gazela aquele chafariz que lá puseram está sempre avariado, os degraus há anos que não são limpos, mensalmente devia haver ali uma máquina para os limpar, luz quase não existe ali, deviam pôr no centro do largo um candeeiro alto a iluminar, porque aquilo é uma sala de visitas. Se o Gazela estiver fechado nem luz há ali. Outra coisa é o estado caótico do trânsito, tinha de haver uma solução para o trânsito, se calhar fazer um túnel desde a Avenida Primavera à igreja, para cortar o trânsito. A única coisa que para mim há de bom em Ermesinde são os Bombeiros. Fiz parte dos Bombeiros Voluntários de Ermesinde durante 33 anos, fui duas vezes comandante, fui vice-presidente da Direção, fui tesoureiro, fui secretário. É uma casa de que gosto.

AVE: Durante a sua passagem pela Junta há alguma obra que hoje relembre como um momento importante não só para si enquanto autarca mas sobretudo para o engrandecimento de Ermesinde?

CG: Eu não executei nada, a não ser o edifício da Junta, ou seja, acabei aquilo que já estava (projetado). Foi um projeto que eu herdei e que conclui. Todo o esforço que a Junta fez foi construir aquele edifício (sede). Mais nada.

AVE: Já falou de alguns projetos que tinha em mente levar por diante, mas hoje, olhando para trás, há mais alguma ideia que ficou por concretizar da sua parte e que gostava de ter cumprido?

CG: Na altura pensava fazer um parque de merendas aqui na cidade, um projeto que pensei e ainda dei os primeiros passos. Era para ser localizado na zona da Resineira, mas na parte de lá do rio, naquele choupal grande que há ali. Na altura soubemos quem era o dono dos terrenos, fomos falar com ele, e tudo muito bem. Ele disse que não vendia aquilo, mas se quiséssemos fazer lá um parque de merendas para lhe apresentarmos um projeto que em princípio ele daria autorização. Ele ficou de tratar disso mas nunca mais. Mas também a partir do momento que eu disse que me ia embora no final do mandato acabou. Cumpri o mandato até ao fim e tenho uma certa vaidade disso. Entrei na Junta no dia que tomei posse, saí e nunca mais entrei e moro há 50 anos em Ermesinde.

AVE: Que mensagem, enquanto ex-presidente de Junta, gostaria de deixar à Cidade e às suas gentes nesta data?

CG: A mensagem que gostaria de deixar à população é em primeiro lugar que sejamos limpos! Ermesinde é uma cidade suja, e muita da culpa disso é das pessoas, que deitam lixo ao chão, beatas, papéis, máscaras, etc. De resto, que lutem por uma cidade com futuro.

 

 

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