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Edição de 31-07-2020
Jornal Online

SECÇÃO: Destaque


30.º ANIVERSÁRIO DA ELEVAÇÃO DE ERMESINDE A CIDADE - ENTREVISTA COM O PRESIDENTE DA JUNTA DE FREGUESIA DE ERMESINDE, JOÃO MORGADO

«Não fui um grande entusiasta da elevação de Ermesinde a cidade, gostava que tivesse sido elevada à categoria de concelho»

João Morgado é o atual presidente da Junta de Freguesia de Ermesinde, cargo para o qual foi eleito em outubro de 2017. Nesta entrevista, realizada no âmbito das comemorações do 30.º aniversário da elevação de Ermesinde a cidade, o autarca recorda que não foi um grande entusiasta dessa promoção (de Ermesinde) a cidade, já que preferia que esta tivesse sido elevada à categoria de concelho. Uma vontade, ou uma convicção, que mantém passados 30 anos, já que considera que Ermesinde tinha e tem todas as condições para ser um ótimo concelho.

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A Voz de Ermesinde (AVE): Foi há 30 anos que Ermesinde viveu um dos pontos altos da sua História, com a elevação a cidade. O João Morgado, para além de hoje ser o presidente da Junta também vivenciou há três décadas atrás este acontecimento histórico. Começamos por perguntar-lhe, como é que vê, ou analisa, o percurso de Ermesinde enquanto cidade ao longo destes 30 anos?

João Morgado (JM): Não fui um grande entusiasta da elevação de Ermesinde a cidade. A ambição de muitos ermesindenses, onde me incluo, foi sempre a elevação de Ermesinde a concelho.

AVE: Certamente que como qualquer outra cidade, com 30, ou mais ou menos anos, também Ermesinde tem os seus problemas, sejam eles ao nível de infraestruturas, de serviços, etc. Neste momento, quais são as principais preocupações do presidente da Junta, ou seja, quais são os principais problemas, ou pelo menos os mais urgentes a resolver, e pelos quais o senhor se tem batido no sentido de os ultrapassar, e o que tem feito nesse sentido?

JM: Ermesinde não cresceu da melhor forma, nem esse crescimento se fez acompanhar de qualquer melhoria ou criação de novos serviços de apoio à população.

Durante mais de duas décadas, os ermesindenses assistiram à retirada de vários serviços. Por exemplo, o Serviço de Águas e Saneamento e a EDP. Justiça seja feita ao anterior e atual executivo da Câmara Municipal de Valongo, dirigido pelo Dr. José Manuel Ribeiro, que conseguiu para Ermesinde a vinda da Loja do Cidadão e a criação de dois espaços (do Cidadão), na Gandra e na Travagem.

O crescimento desacompanhado da criação de infraestruturas de apoio, como sejam locais de cultura, lazer e prática desportiva, levou a que Ermesinde fosse hoje a cidade do país com maior densidade populacional, tornando-a um enorme dormitório da cidade do Porto. Não é isto que pretendem os ermesindenses nem o seu presidente de Junta. Queremos ver requalificadas as Piscinas Municipais, o Pavilhão da Bela, a zona envolvente à Feira e Mercado, o acesso da Gandra à Estação, a Praceta Sá da Bandeira, trabalhos que irão começar em breve, segundo informação recolhida nas mais diversas reuniões que a Junta de Freguesia tem mantido com a Câmara Municipal de Valongo.

Para além destas, após a aquisição dos terrenos anexos ao Parque Urbano, queremos ver concluídas as negociações que a Câmara e o seu presidente têm mantido com os proprietários dos terrenos anexos ao Parque da Socer e do antigo Cinema de Ermesinde.

O primeiro será o parque de lazer de que esta cidade tanto necessita. O Parque Urbano e o Fórum Cultural de Ermesinde são dois magníficos espaços, mas necessitamos de outro lugar para a cultura e nada melhor que o antigo Cinema de Ermesinde.

Gostava de ver criada uma comissão composta pelos quatro municípios banhados pelo Rio Leça, que estudasse uma solução para a sua despoluição, para a requalificação das suas margens, a construção de passadiços, de bares de apoio, etc. Tornar o rio aprazível e colocá-lo ao serviço das populações é urgente.

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AVE: Mas como qualquer outra cidade também Ermesinde tem as suas virtudes, coisas boas e dignas de registo. Como ermesindense, quais são, na sua opinião de cidadão local, além de ser o presidente da cidade, hoje em dia as principais “virtudes”, passe a expressão, desta cidade e consequentemente das suas gentes?

JM: Como a pergunta sugere, o que de melhor tem Ermesinde é a sua gente.

Alguém me dizia há tempos que os ermesindenses reclamavam demasiado. Ainda bem que assim é. Revelam que amam a sua cidade. Estão atentos e exigem. Eu pessoalmente gosto desta atitude porque indicia que Ermesinde começa a criar uma identidade própria. Quando as pessoas se interessam pela terra onde nasceram ou vivem, significa que se identificam com a mesma. Este sentimento não se revelava há vinte ou trinta anos. Ainda bem que assim é.

AVE: Voltando um pouco atrás, na altura em que Ermesinde passa a cidade, e se não estamos equivocados, o presidente João Morgado fazia parte da Associação Amigos de Ermesinde, que lutava pela promoção de Ermesinde a Concelho. Perguntamos-lhe se nessa altura, em que Ermesinde é elevada a Cidade, sentiu nos ermesindenses o desejo de irem mais além, em termos administrativos, isto é, a criação de um concelho autónomo, uma vez que tanto se falou nisso?

JM: Comecei por dizer que não fui um grande entusiasta da elevação de Ermesinde a cidade, gostava que tivesse sido elevada à categoria de concelho. Mantenho esta minha vontade. O facto de ter sido eleito presidente da Junta de Freguesia não me fez mudar. Mantenho a forte convicção de que Ermesinde tinha e tem todas as condições para ser um ótimo concelho. E sabemos porque não o fomos. Outros concelhos nasceram e o Presidente da República, na altura, prometeu criar uma Comissão para a Reforma Administrativa do País o que nunca aconteceu.

AVE: No seguimento desta última questão gostaríamos de saber se hoje em dia ainda sente isso, essa ambição, ou desejo, dos cidadãos da cidade de ver Ermesinde a concelho, e qual é a sua opinião atual sobre este tema?

JM: Claramente que me encontro entre os que desejam ainda ver nascer o concelho de Ermesinde. Reconheço que o entusiasmo não é hoje o mesmo, mas creio que como diz o povo “quem não aparece esquece” e se calhar devemos voltar a aparecer.

AVE: Como qualquer outra luta também a de elevar Ermesinde a cidade foi dura e complicada de travar. Tem memórias dessas dificuldades, dos obstáculos que na época surgiram pelo caminho até efetivamente a então vila passar a cidade?

JM: Não tenho memórias desse tempo. Isto porque não fazia parte do grupo de pessoas que trabalhou para a elevação da Vila de Ermesinde à categoria de cidade. Assim, não conheço qualquer episódio sobre esses tempos e esse processo.

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AVE: Apesar da pandemia que vivemos e que obriga a uma enorme contenção em termos de manifestações festivas, como é que a Junta comemorou os 30 anos de elevação a cidade?

JM: A Junta de Freguesia de Ermesinde abriu as comemorações do seu 30.º aniversário com a inauguração do seu site oficial, a criação do novo logótipo e a nova imagem colocada em todos os locais oficiais da freguesia. Para além disso e em conjunto com o Município de Valongo promoveu apontamentos culturais a evocar a tradicional Noite Branca e a Feira do Livro. Fizemos de forma diferente devido à pandemia, mas não deixamos de evocar esses grandes eventos.

AVE: Sabemos que estava prevista para esta altura o lançamento de um novo livro do nosso antigo diretor e atual colaborador, Jacinto Soares, que muito tem investigado a história local. Pode fazer-nos o ponto de situação dessa iniciativa editorial da responsabilidade da Junta de Freguesia e dizer-nos, concretamente, a data para a qual preveem o seu lançamento?

JM: A publicação de mais um livro sobre Ermesinde, da autoria do Professor Jacinto Soares, estava pensada para meados do presente ano. Aconteceu a pandemia e a sua edição foi suspensa pela editora que, como todos nós, entrou em confinamento.

Restabeleceram-se os contactos entre o autor, a Junta e a Editora e neste momento continuam os trabalhos de correção aos textos, correção essa levada a cabo pelo Professor Jacinto Soares. A Junta aguarda que esses trabalhos estejam terminados, que a Editora publique a obra literária, para que possamos apresentá-la à população. Como todos sabemos estão proibidas, até 31 de dezembro de 2020, todas as iniciativas públicas de natureza cultural. Quando o livro estiver publicado encontraremos uma solução à altura do valor do Professor Jacinto Soares. Não queremos uma apresentação para vinte pessoas. Encontraremos forma de apresentar o livro, de acordo com o reconhecimento que a cidade deve ao autor e que é merecido.

AVE: Apesar desta ser uma data festiva para a cidade não podemos alhearmo-nos de que existem algumas “vozes” descontentes, ou críticas, para com a Câmara Municipal de Valongo pela série de investimentos que esta tem em curso na sede do concelho, e neste aspeto damos como exemplo a Oficina da Regueifa e do Biscoito, o novo edifício da Câmara, ou a nova Esquadra da PSP, sem nada que lhe corresponda em valor e grandeza em Ermesinde, onde vive a maior parte dos munícipes. Enquanto presidente da Junta como comenta estes factos?

JM: Penso ter já respondido a essa questão. Os ermesindenses contarão com todo o Executivo da Junta de Freguesia de Ermesinde para reivindicarem aquilo a que têm direito. A cidade vai ficar melhor assim a Câmara Municipal cumpra as promessas constantes do Plano e Orçamento para 2020. Não acontecerá tudo este ano, mas não temos dúvidas de que assim será.

AVE: Que mensagem, enquanto presidente de Junta, gostaria de deixar à cidade e às suas gentes nesta data comemorativa?

JM: A cidade vive hoje uma realidade diferente devido à pandemia, não sabendo quando voltaremos à vida normal que tínhamos antes de março de 2020.

Manifesto aqui o propósito de deixar claro que estamos atentos e tudo faremos para minimizar as dificuldades por que passamos no passado e no presente, no que toca à crise social e de Saúde Pública.

No que concerne à Saúde Pública, como membro convidado da Comissão Municipal de Proteção Civil, acataremos todas as decisões tomadas pela comissão, as quais se têm mostrado eficazes. Na Ação Social continuaremos a tentar reduzir as dificuldades, principalmente daqueles que sofreram os efeitos da pandemia, com a distribuição de cabazes alimentares e o apoio na resolução de situações de incumprimento no pagamento de despesas quotidianas. Para tal reforçamos as rubricas da Ação Social de dois para dez mil euros e do Fundo de Emergência Social de dez para vinte mil euros. Se necessário for, votaremos a reforçá-las. Tenhamos a esperança de que Vamos Ficar Bem.

 

 

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