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Edição de 31-01-2020
Jornal Online

SECÇÃO: Crónicas


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PASSEIOS DE BICICLETA À DESCOBERTA DO PORTUGAL REAL...

«Que os santos te acompanhem!»

Com a manhã dormida estava na altura de visitar a aldeia do Alvor.

Sendo as suas raízes de origem moura e seu domínio durante vários séculos, o seu nome deriva do antigo nome árabe“Al-Bûr”. O seu castelo é conquistado pelos exércitos do rei D. Sancho I em 1189. Hoje é uma aldeia piscatória e turística. Com a sua Igreja Matriz do século XVI, com três morabitos (Altares Islâmicos) anexos à mesma. Foi aqui que D.João II faleceu em 1495. D. Manuel elevou-a a sede de concelho, só perdendo o seu estatuto nos inícios do século XIX. A parte antiga, com as suas ruas estreitas e de piso empedrado, viu a maior parte dos pisos térreos das habitações serem transformados em estabelecimentos comerciais. À noite as suas ruas estão apinhadas de gente onde o linguajar de português é diminuto. Os antigos pescadores são agora proprietários ou empregados dos restaurantes onde imperam os pratos de peixe. As filas de espera para o jantar cruzam-se umas nas outras, perdendo-se a noção de qual é para determinado restaurante. Às 20 h cá estou eu numa das filas, nem escolhi o restaurante. Esta fila levar-me-á a algum. São 22 h 18 m, quando me perguntam quantos somos. À resposta de que só sou eu, torce-me o nariz. Um casal numa mesa, que ao ouvir a resposta, chama o empregado e sou convidado para os acompanhar. Já estavam no fim da refeição e, assim, poderia lá continuar. Casal Espanhol de Bilbau. Amavam o Porto. Estavam a percorrer a nossa costa. Contei-lhes das minhas andanças e eles das suas, com que fizeram que usufruísse da sua ótima companhia toda a refeição. Despedimo-nos.

Foto MANUEL FERNANDES
Foto MANUEL FERNANDES
No dia seguinte a rota seria até Sagres. Saio por volta das 8 h rumo à EN 125 seguindo pela M531-1. Passo pelo Penina Hotel & Golf Resort. Hotel onde foi assinado a 15 janeiro 1975 com os três movimentos de libertação de Angola o acordo para a independência da mesma. Achei o Hotel e os seus campos de golfe desleixados. Não sei se foi por ter visto outros mais atuais. Por castigo, voltei a furar. Era a última câmara de ar que tinha. E logo num domingo. Em Lagos tinha uma loja Sport-Zone. Passo por Odiáxere e rumo a Lagos. Vou direto ao supermercado Continente. A Sport-Zone já não vendia qualquer artigo de ciclismo. Consulto o mapa e só tinha em Portimão. Voltar para trás estava fora de questão mas fazer quilómetros sem contar com um furo era meio idiota. Vou para o centro da cidade. Encontro uma oficina aberta, que por sorte alugava bicicletas e contei-lhes o meu problema. Simpaticamente cedem-me uma câmara de ar. Percorro a cidade já descansado. Para além do castelo temos como visita obrigatória o Núcleo Museológico do Mercado dos Escravos. Visito a Praia de D.ª Ana e a Ponta da Piedade, Praia da Luz e Burgau.

Volto para a N125. A paisagem vai mudando. As terras ainda são mais secas. Quase nem erva cresce. Após subir uma elevação o ar torna-se mais fresco. Deixo de sentir calor. O vento é mais forte, a cor do terreno muda para um vermelho ocre e o verde que se vê é de canaviais onde correm pequenas linhas de água. Páro em Budens. O Intermarché está cheio de estrangeiros, alguns vestidos à moda tradicional das suas origens. Parece que entrei para um cenário de um qualquer filme. Dizem-me que estão nas Villas da praia da Salema, mas para visitar antes a aldeia da Figueira e a sua praia. Assim fiz. Aldeia típica Algarvia, quase já em extinção. Casas térreas, nas soleiras das janelas com cortinados rendados, pendem vasos de flores. Ruas estreitas. Não há bares nem cafés. Meio tascos meias mercearias. Mesas e bancos de madeira não tratada. Turistas de copo na mão sentados nos degraus das casas. Entro e peço um sumo. Ouço um pedido “Errrmelinda um caneco de vim …please”. A indomável D. Ermelinda responde-lhe. “porfaa…vor ” Lá recebe vindo da rua “per fuvor” e uma sonora gargalhada. Olho espantado, com um sorriso para a D.ª Ermelinda. Diz-me ela “Sabes, não me preocupo em saber a língua deles, mas eles quando daqui se vão embora já sabem algumas palavras de Português. Despeço-me. Recebo no meio de um sorriso “Que os santos te acompanhem!”. Fui ver a praia. Praia pequena, encontrada no fim de um caminho por entre canavial e vegetação rasteira. A linha de água já não leva quantidade suficiente para romper as dunas de areia que bloquearam a sua foz. Não há bares, nem salva-vidas, mas também não está concessionada. Meio selvagem, meio familiar. Voltei para a estrada para chegar a Vila do Bispo e desta a Sagres. De Vila do Bispo a Sagres a N268 tem um piso excelente. Uma reta enorme, ladeada pela antiga estrada. Depois da visita à Fortaleza de Sagres, sigo para o parque de campismo que fica a meio caminho do Cabo de São Vicente.

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Por: Manuel Fernandes

 

 

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