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Edição de 31-10-2019
Jornal Online

SECÇÃO: Crónicas


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A GUERRA COLONIAL PORTUGUESA (1)

A descoberta de Angola

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O desafio que me foi lançado pelo Sr. Director do jornal “A Voz de Ermesinde”, o ilustre Dr. Manuel Dias, e que consistiu, concretamente, escrever sobre “A Guerra Colonial Portuguesa”, convenhamos, não deixa de se revestir de alguma dificuldade, mais que não fosse, pela polémica que comporta no seio da comunidade portuguesa. Contudo, como não somos de virar a cara a desafios, desde que razoáveis, obviamente, aceitámos escrever umas linhas sobre o assunto, tendo como principal referência aquela que sempre foi pelo Estado Português considerada a “jóia da coroa”, Angola, tanto mais que por lá andámos, enquanto militar, nas vésperas da sua independência, cumprindo aquilo a que então se chamava “o dever patriótico” de defender a Pátria.

Assim, e para melhor compreensão do tema, entendendo-se como tal a luta contra os movimentos emancipalistas ou independentistas das colónias, mais tarde designadas “Províncias Ultramarinas”, nas suas reivindicações territoriais, será de toda a conveniência que historiemos um pouco do que foi a nossa, dos portugueses, “descoberta”, prefiro o termo “chegada”, e ocupação desses mesmos territórios.

Reza a História que Diogo Cão atingiu a foz do rio Zaire, em 1482, no reinado de D. João II, território que se inseria no Reino ou Império do Congo, uma vasta região situada no sudoeste africano e que englobava grande parte do norte de Angola, as actuais República do Congo ou Congo-Brazaville e República Democrática do Congo (ex-República do Zaire) ou Congo-Kinshasa e, ainda, a parte centro-sul do Gabão.Uma vez ali chegados, logo estabeleceram com o respectivo monarca uma aliança. Contudo, mais a sul, ocupando a região que hoje constitui o território angolano, havia, à época, outros dois reinos (reino de Ndongo e reino da Matamba) que, entretanto, aí por volta de 1559, se fundiram, dando origem ao reino de Angola.

Acontece que, entre estes dois reinos, o do Congo e o de Angola, havia frequentemente conflitos, o que, de algum modo, contribuiu para que os portugueses, aproveitando as vulnerabilidades daí resultantes, se fossem fixando na região (finais do séc. XVI), procurando desde logo alargar e delimitar um vasto território, tendo como primeiro governador Paulo Dias de Novais, que fundou a cidade de Luanda, então designada São Paulo de Luanda. Assim e por essa altura, Luanda veio a tornar-se um importante mercado fornecedor de escravos para as plantações de cana-de-açúcar, no Brasil.

Sucede que Portugal, entre 1580 e 1640, esteve sob domínio espanhol (dinastia filipina), levando a que os holandeses, seus inimigos, tivessem ocupado uma boa parte do território angolano, especialmente junto ao litoral. Entretanto, em 1648, as tropas portuguesas acabaram por expulsar dali os holandeses, retomando o comércio de escravos com o Brasil, uma das principais fontes de riqueza ali produzidas. Comércio este que prosperou até finais do séc. XVIII.

(continua)

Nota: o autor opta por utilizar a grafia anterior ao Novo Acordo Ortográfico.

Por: Miguel Henriques

 

 

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