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Edição de 31-10-2019
Jornal Online

SECÇÃO: Local


A razão das obras (pintura) na Capela de S. Silvestre

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Foi durante as últimas semanas tema de conversa em muitas mesas de café, em vários grupos (locais) no “universo” das redes sociais, ou simplesmente em conversas ocasionais de rua. Falamos das obras de que a Capela de S. Silvestre foi alvo nestes últimos meses, mais concretamente com o rebocamento/pintura das paredes exteriores daquele que é o monumento mais antigo de Ermesinde, tapando assim (com tinta branca) a pedra com que a capela foi construída.

Qual a razão desta intervenção que tem merecido alguns comentários/opiniões negativas (?) por parte de membros da comunidade local, que não concordam com aquilo a que chamam uma descaracterização da capela. Mas há também quem goste, quem olhe hoje para o monumento pintado de branco e o ache mais bonito do que aquilo que já é. As opiniões variam.

Porém, e voltando à questão central, qual a razão desta intervenção, o porquê das paredes exteriores da capela terem sido rebocadas e pintadas de branco tapando assim a pedra original; a resposta foi detalhadamente dada pela Paróquia de Ermesinde, a entidade responsável pela capela, na pessoa do pároco da Cidade, o cónego João Peixoto. Resposta/explicação essa que passamos de seguida a transcrever na íntegra.

«A degradação da cobertura da Capela impunha a realização de obras urgentes de substituição do telhado. Como se trata de património da Paróquia de Ermesinde, foi solicitada autorização à Diocese do Porto, de quem dependemos hierarquicamente. O requerimento foi apreciado pela Comissão Diocesana de Infraestruturas e Bens Culturais que não só aprovou a substituição da cobertura mas recomendou que se aproveitasse a oportunidade para “reconduzir a imagem exterior da capela ao seu comprovado original. Concretamente, recordou que as paredes exteriores deveriam voltar a ser rebocadas e pintadas de branco”. Foi o que se fez. Ter-nos-ia sido menos oneroso restringir a intervenção ao telhado. Mas devemos obediência a quem, na Igreja, exerce o serviço da autoridade».

Nesta sua explicação ao nosso jornal, o Cónego João Peixoto acrescenta que «como já tive ocasião de esclarecer, estas obras limitaram-se a repor a verdade histórica e arquitectónica do edifício. A Capela de São Silvestre esteve rebocada e caiada até à intervenção de que foi objeto em 1994. Aquando dessa intervenção generosa mas pouco informada, estava na moda o chamado «rústico». Escreve Jacinto Soares no seu livro Ermesinde: Memórias da Nossa Gente: “no exterior a caliça que até então cobria as paredes deu lugar à pedra nua...” (pág. 245). Muitos ermesindenses recordam bem como era a Capela antes dessa intervenção que deixou à vista não só o granito dos cunhais, aparelhado para tal, mas também as pedras irregulares e em tosco que, segundo o estilo e as técnicas construtivas da época, se destinavam a ser revestidos de argamassa caiada. É possível encontrar nas redes sociais fotografias da Capela tal como era até 1994.

Para além do gosto pessoal de quem orientou a intervenção de há 25 anos, podem ter tido o seu peso as dificuldades económicas. De facto, a aplicação de novas argamassas em substituição das antigas teria ficado mais onerosa do que a simples remoção e cimentação das juntas. Diga-se, a propósito, que essa alteração de 1994 não foi completa porque não chegou a ser removida a caliça de parte da parede da cabeceira da Capela (talvez porque não se via da rua)... Acrescento que na intervenção atual a decidimos manter como «documento», para tirar as dúvidas a quem as tenha. Escusado será dizer que a remoção dos rebocos das paredes teve consequências visíveis com a penetração de humidade através das juntas dessas paredes assim desprotegidas».

Em relação às obras atuais, e questionado sobre se o interior da capela também sofreu alguma intervenção, o cónego João Peixoto explica que «também tivemos de reparar a pintura interior que estava muito danificada pelas infiltrações de humidade. Mas aí trata-se apenas de reparação e reposição. Obras de maior fôlego no interior terão de ser realizadas mais tarde, quando tivermos recursos e apoios, nomeadamente para restaurar o retábulo».

O pároco de Ermesinde acrescenta nesta sua resposta articulada que «merecem-me todo o respeito e são credoras de gratidão as pessoas que há 25 anos, segundo o seu entendimento e conforme os gostos de então, tiveram o intuito de recuperar e melhorar a nossa Capela de São Silvestre. O objetivo continua a ser o mesmo: recuperar e melhorar. Mas hoje com outra informação e com critérios ditados por um melhor conhecimento da verdade histórica e arquitetónica, que o respeito pelo património nos impõe observar. Para terminar, considero positivo o facto de estas obras terem suscitado reações, tanto de crítica como de louvor. Isso significa que a nossa população não é passiva nem indiferente em relação ao que acontece ao nosso património identitário. O que a paróquia de Ermesinde fez foi corrigir uma imagem exterior desse edifício que, não obstante se ter tornado familiar, e até entranhada, não era genuína. Não nos moveram opiniões nem gostos mas apenas o sentido de responsabilidade que nos “obrigou” a repor este nosso modesto mas memorável “monumento” na sua verdade».

REBOCO E PINTURA DAS PAREDES EXTERIORES

NÃO É NOVIDADE NA HISTÓRIA DA CAPELA

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Em consulta ao arquivo do nosso jornal encontrámos um par de registos noticiosos sobre a intervenção de que a capela foi alvo no início da década de 90, precisamente em 1994, como foi referido pelo cónego João Peixoto. Essas notícias referem que antes destas obras ocorridas em 94 as paredes exteriores da capela eram rebocadas e pintadas, tal e qual como agora foi feito. Segundo notícia publicada na nossa edição de 15 de abril de 1994, A Voz de Ermesinde contactou o presidente da Comissão de Festas de S. Lourenço, então a entidade responsável pela capela, que justificou desta forma a intervenção naquela altura: «o reboco exterior estava podre e por isso resolvemos, de acordo com a anuência da Comissão Fabriqueira, iniciar as obras. O interior foi limpo e pintado. No exterior, a pedra da construção vai ficar a ver-se, e o cimento entre as pedras não vai ser pintado (...)». Cerca de dois meses antes, na edição de 28 de fevereiro de 1994, as obras na capela eram motivo de notícia e... dúvidas. Passamos a citar o que então foi escrito: «A Capela de S. Silvestre - antiga matriz de Ermesinde - está em obras! Os trabalhos realizam-se ao fim-de-semana e os operários procedem neste momento à retirada da caliça protectora das paredes, não se sabendo ao certo qual virá a ser o aspecto final, sob o ponto de vista da arquitectura exterior. Para já cabe-nos perguntar: Estarão estas modificações de acordo com a dignidade deste monumento que tão querido é aos ermesindenses. Esperamos que sim!». Então como agora as preocupações com a arquitetura exterior da capela eram em tudo semelhantes entre a comunidade. E de facto, na fotografia que ilustra esta peça de fevereiro de 1994 a capela surge com as paredes rebocadas e pintadas de branco.

O MONUMENTO MAIS ANTIGO DA CIDADE

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A Capela de S. Silvestre é como já foi dito o monumento mais antigo de Ermesinde, pensa-se que anterior ao século XVII. Foi a primeira igreja matriz conhecida da antiga paróquia de S. Lourenço de Asmes. No lintel encontra-se gravada a data de 1711. Pelas características do frontão e nicho (vazio), tudo leva a crer tratar-se de uma reconstrução de um templo mais antigo. É mencionada no Catálogo dos Bispos do Porto em 1625, segundo o monógrafo de Ermesinde, Humberto Beça, e o seu primeiro pároco foi o Padre António Rocha, que aqui chegou em 1659. Alguns estudiosos, defendem, no entanto, que o primitivo centro religioso desta Cidade se situava mais para nascente, junto do ribeiro chamado Asmes, hoje lugar da Fonte.

 

 

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