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Edição de 31-10-2019
Jornal Online

SECÇÃO: Editorial


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Eleições

Desde que foi aprovada e entrou em vigor a Constituição de 1976 houve 14 atos eleitorais para a Assembleia da República. No dia 25 de Abril do ano anterior (1975) tinha havido o primeiro ato eleitoral após a Revolução dos Cravos, para a composição da Assembleia Constituinte; foi a primeira eleição verdadeiramente democrática no que respeita ao n.º de eleitores, uma vez que todos os cidadãos, homens e mulheres, a partir de 18 anos de idade se puderam recensear e votar. Nessa primeira eleição, verdadeiramente livre e democrática, que se fez no Portugal de Abril, votaram 91,7% dos eleitores (isto é, 6 231 372).

Nas últimas eleições legislativas, ocorridas no passado dia 6 de outubro votaram apenas 48,57% dos eleitores, correspondendo a 5 251 064 em 10 810 674 eleitores inscritos; por votar ficaram 5 559 610 (51,43%).

Entre 1975 e 2019, a abstenção em eleições para a Assembleia da República octuplicou. A 25 de Abril de 1975 registou-se o nível mais elevado de participação, que se explica pelo facto de votar ser então um direito recém-conquistado, após 48 anos de ditadura. Nas eleições para a Constituinte, a Assembleia que ia redigir e aprovar a Constituição, os abstencionistas foram pouco mais de 526 mil, agora foram mais de dez vezes mais.

Nestas últimas eleições em Ermesinde, a afluência, a julgar pelas aparências, fez lembrar as primeiras eleições após o “25 de Abril” (1975), tantas e tão demoradas foram algumas filas para votar. Isso levou os participantes a acreditar que a abstenção desta vez seria bastante menor do que nos sufrágios anteriores. Mas a verdade é que não aconteceu assim. A afluência pareceu maior porque cada mesa de voto, em vez de estar preparada para receber os tradicionais mil eleitores, tinha agora à volta de mil e quinhentos potenciais eleitores. Se viessem apenas 80 por cento (cerca de 1200), haveria fila ao longo das onze horas em que cada mesa de voto permaneceu aberta.

A verificação da identidade de cada eleitor nos respetivos cadernos pelos escrutinadores em serviço também se revela mais difícil e demorada porque agora se faz pelo nome, que está ordenado por ordem alfabética, contando também as expressões de ligação de nomes como “e”, “de”, “da” ou “dos”.

Alguns eleitores pouco habituados a esperar para exercerem o seu direito de voto, acabaram por desistir, o que também contribuiu para o aumento da taxa de abstenção. Mas a desistência sistemática de participar em eleições tem argumentos, infelizmente, mais profundos na sociedade portuguesa. Há um menosprezo instalado quanto às questões políticas que evidencia pouca informação e esclarecimento no que respeita à efetiva importância da vida política por parte dos cidadãos mas também, porque não dizê-lo, será uma reação natural de descrédito para com os protagonistas políticos, tantas vezes acusados, justa e injustamente, de atos de corrupção, de que a imprensa faz bastante alarde, causando um impacto negativo na opinião pública.

Na presente edição de “A Voz de Ermesinde” publicamos e analisamos os resultados das últimas eleições legislativas, verificando-se que na freguesia de Ermesinde, apesar de tudo, a abstenção foi duas décimas abaixo da média concelhia e nove pontos percentuais abaixo da média nacional. Relativamente ao ato eleitoral homólogo de 2015, votaram menos 989 eleitores ermesindenses, mas desta vez o n.º de eleitores era superior (um total de 35 148 eleitores, mais 330 do que em 2015).

Oxalá em próximos atos eleitorais a Comissão Nacional de Eleições corrija alguns procedimentos e os eleitores, com a ajuda da imprensa, compreendam a importância cívica de votar.

Por: Manuel Augusto Dias

 

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