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Edição de 30-09-2019
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    Arquivo: Edição de 31-07-2019

    SECÇÃO: História


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    ACONTECEU HÁ UM SÉCULO (6)

    A celebração da Vitória

    Assinado o Tratado de Versalhes no fim de junho de 1919, a vitória dos Aliados foi celebrada, no mês de julho de 1919, há cem anos, de forma bastante entusiástica um pouco por todo o mundo, mas sobretudo por parte dos países vencedores, como foi o caso de Portugal. O Corpo Expedicionário Português, que combateu em França, entre fevereiro de 1917 e novembro de 1918, revelou uma inovadora preocupação de documentar, para memória futura a sua participação ao lado dos Aliados Ocidentais, Inglaterra e França. Por isso, seguiram para a Flandres, integrados no CEP um pintor – Adriano Sousa Lopes, e um fotógrafo – Arnaldo Garcês, que fizeram bem o seu trabalho.

    A Primeira Guerra Mundial, como já tivemos ocasião de afirmar várias vezes, foi bastante mediatizada, sobretudo, aquela que se travou em solo europeu. Desde que começou, no verão de 1914, os principais jornais europeus tinham os seus jornalistas correspondentes o mais próximo possível das frentes de combate, para que as crónicas diárias informassem os leitores de tudo o que se ia passando. Também Portugal enviou para Paris, jornalistas de “A Capital”, de “O Século”, da “Ilustração Portuguesa”, e, entre outros, do “Diário de Notícias”. Entre os jornalistas portugueses, destacamos os nomes de Aquilino Ribeiro, António Almada Negreiros e Augusto de Castro.

    Depois da Declaração de Guerra da Alemanha a Portugal (março de 1916) foi constituído o Corpo Expedicionário Português, e incorporaram-no, como se referiu na introdução, um pintor e um fotógrafo.

    O pintor foi Adriano de Sousa Lopes, equiparado a capitão, que quis ir ver a Guerra com olhos de artista, registando na tela vários momentos da ação dos combatentes portugueses integrados no Corpo Expedicionário Português. Quando foi para França ainda era solteiro. Filho de Luís de Sousa Lopes e de Júlia do Carmo Lopes era natural de Vidigal, Leiria, onde nasceu no dia 20 de fevereiro de 1879 e residia, ao tempo da mobilização, em Turquel, Alcobaça. O poeta Afonso Lopes Vieira justificou, assim, a ida do seu conterrâneo para o campo de batalha: «[vai] pintar aí os aspetos mais belos que a nossa cooperação militar vier a produzir. O artista é, pois, um soldado que combaterá com os seus pinceis, como os outros combatem com as suas armas, e vae combater por honra de Portugal e da nossa Arte, servindo ao mesmo tempo um ideal de pintor e de portuguez».

    O homem das fotografias foi Arnaldo Garcês Rodrigues, que se tornou o fotógrafo oficial do Corpo Expedicionário Português. Muitas das imagens da linha da frente, dos combatentes portugueses, na Flandres foram da sua autoria e muitas delas foram publicadas na “Ilustração Portuguesa”, revista semanal do jornal “O Século”.

    AMIGÁVEL RECEÇÃO EM LONDRES ÀS TROPAS PORTUGUESAS (29 DE JULHO DE 1919)
    AMIGÁVEL RECEÇÃO EM LONDRES ÀS TROPAS PORTUGUESAS (29 DE JULHO DE 1919)
    Arnaldo Garcês Rodrigues nasceu em Santarém no dia 18 de outubro de 1885 e era filho de Joaquim Garcês e de Maria Amália Rodrigues. Quando, ainda novo, chegou a Lisboa, com a sua família a sua primeira ocupação profissional, após a conclusão do ensino primário, foi a de aprendiz de relojoeiro. Pouco depois, descobriria que era a fotografia a sua verdadeira vocação. Num tempo em que a fotografia dava ainda os primeiros passos e em que a maior parte dos jornais não publicava fotografia nenhuma, Arnaldo Garcês, revelando grande gosto e jeito para a fotografia, começou a fazer trabalhos que agradaram a jornais de Lisboa, granjeando nessa arte alguma fama e prestígio, ao ponto do Ministro da Guerra, Norton de Matos, máximo responsável pela criação do Corpo Expedicionário Português, em 1916, o convidar para acompanhar a preparação dos nossos combatentes em Tancos. Em termos de formação escolar tinha apenas a instrução primária, mas foi um autodidata que procurou aumentar os seus conhecimentos, sobretudo de fotografia, em livros mais técnicos, alguns deles em língua francesa.

    Antes da Guerra já havia feito a reportagem fotográfica da Implantação da República. Depois da preparação do CEP em Tancos, fotografou a partida do primeiro contingente português, o Treino Militar na Flandres e o Quotidiano das Trincheiras, com a preocupação de não fotografar feridos, mortos ou os massacres da Guerra, pois, a censura que surgiu no contexto da Guerra não permitiria a divulgação de imagens que mostrassem o sofrimento dos nossos soldados nas trincheiras. Arnaldo Garcês integrou a força expedicionária à Flandres, pertencendo ao Quartel-General do Corpo, Secção Fotográfica, ficando, explicitamente, isento do serviço militar propriamente dito. Foi Alferes graduado. Embarcou em Lisboa, no dia 17 de fevereiro de 1917.

    DESFILE DA VITÓRIA, EM PARIS (14-7-1919)

    No dia 11 de julho de 1919, por despacho do Estado-Maior Interino, Arnaldo Garcês Rodrigues, recebe guia de marcha para seguir no dia 12 de julho para Paris a fim de desempenhar o serviço da sua especialidade, a cobertura do “Desfile da Vitória”, no dia 14 de julho de 1919, onde desfilaram 400 combatentes portugueses.

    No Desfile da Vitória em Paris, que decorreu no aniversário da Tomada da Bastilha, os soldados do Corpo Expedicionário Português, integrado nas forças aliadas do marechal Foch, desfilaram na Place de L’Etoile sob o comando do Major de Infantaria Ribeiro de Carvalho, tendo como Porta-bandeira o Tenente de Infantaria Perestrello D’Alarcão e Silva, do Regimento de Infantaria n.º 22.

    LISBOA CELEBRA NO MESMO DIA,

    A “FESTA DA PAZ”

    Também Lisboa, no mesmo dia 14 de julho de 1919, que os governantes republicanos transformaram propositadamente em feriado nacional, para celebrar a Assinatura da Paz, organizou uma pomposa Parada Militar em que participaram soldados portugueses e americanos. Da “Ilustração Portuguesa” de 21 de julho de 1919, transcrevemos o apontamento de reportagem que se segue.

    «Tambem em Lisboa se comemorou festivamente o dia 14 de Julho, a gloriosa data da França republicana, que fica d’ora em deante perpetuando a celebração da mais imponente cerimonia de toda a historia contemporanea – a assinatura do tratado de paz entre os paizes aliados e associados e a Alemanha.

    Todavia, aqui, as festas da Paz, que foram levadas a efeito com a maxima solenidade e entusiasmo, tiveram um outro assinalado motivo, que constituiu ainda uma larga manifestação de merecido orgulho nacional.

    Prestou-se homenagem aos nossos heroes da grande guerra, outros lidimos precursores da libertação do jugo teutonico, que ameaçava estender-se a todo o órbe.

    D’entre as diversões comemorativas, a que revestiu maior brilhantismo, foi a parada militar, que o sr. presidente da Republica passou em revista, e em que, além dos contingentes das guardas republicana e fiscal, da armada e dos outros corpos da guarnição de Lisboa, tomaram parte deputações das unidades do C. E. P. e alguns mutilados. A uns e outros, foram particularmente dispensadas entusiasticas ovações, de que participaram os marinheiros americanos que, incorporados no cortejo militar, prestaram o seu concurso á consagração do ultimo feito das nossas armas.»

    (...)

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    Por: Manuel Augusto Dias

     

     

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