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Edição de 30-09-2019
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    Arquivo: Edição de 31-07-2019

    SECÇÃO: Destaque


    XXVI - FEIRA DO LIVRO DO CONCELHO DE VALONGO

    A viagem filosófico-poética pela alma do ermesindense Filipe Bacelo

    Fotos ALBERTO BLANQUET
    Fotos ALBERTO BLANQUET
    Mesmo não tendo integrado o leque de escritores e conferencistas convidados a participar nesta edição da Feira do Livro, ele foi, indiscutivelmente, uma das atrações do certame. Não apenas pelo facto de o seu livro ter estado à venda nos stands da Junta de Freguesia de Ermesinde e da Ágorarte/Universidade Sénior de Ermesinde, mas de igual modo porque a sua presença foi notada - e saudada - em algumas ocasiões no recinto da feira. Foi numa dessas presenças que o convidamos a trocar “dois dedos de conversa” no nosso stand, não só para o conhecer melhor a si e ao seu livro, mas também no sentido de perceber o porquê de a sua pessoa ser atualmente um fenómeno de popularidade na nossa Cidade. Sem mais demoras passamos à conversa com Filipe Bacelo, escritor ermesindense que há três meses editou o livro “O Amor Vence Sempre”.

    Mas tal como todas as histórias também esta teve um início, e a sua ligação com a escrita começou há muitos anos, ainda em miúdo, como nos começa por contar. Mas tudo o que era então escrito ficava guardado na gaveta, rasgado ou deitado fora. Só em 2018 é que esta relação – ou talento – ganhou asas, digamos assim, na sequência da criação de uma página de facebook chamada “Lugar Nenhum”. Uma página onde Filipe começou a publicar pensamentos, poemas, «algo muito meu, o que a minha alma ditava, de um caminho que eu fiz, de auto conhecimento, de uma travessia no deserto pela qual eu estava a passar na minha vida. Muitas das coisas que eram escritas eram escritas na hora, o que me vinha à cabeça», recorda.

    TERAPIA DAS PALAVRAS…

    E eis que num ápice as pessoas (os cibernautas) começam a identificar-se com as palavras que Filipe Bacelo ia libertando para o espaço virtual. As reações ao que Filipe publicava chegavam, sobretudo, através de comentários que diziam que aqueles textos expressavam exatamente situações pelas quais esses leitores estavam a passar, ou que aquelas palavras eram o que eles queriam ouvir (neste caso ler) naquele momento. Este feedback alertou-o para o facto de que se calhar não estava sozinho a passar por uma fase menos boa da vida, percebendo então que as suas palavras eram uma maneira de ajudar outras pessoas. «Elas entravam em contacto comigo, dizendo-me que se identificavam com determinado texto, por que razão estavam a passar por determinado momento nas suas vidas, o que tinham de decidir na vida e às vezes eu ficava no messenger a falar com elas, a tentar dar-lhes alento, esperança de que “amanhã” é possível ser feliz. “Hoje” não tinha corrido bem mas “amanhã” era possível ser feliz. E fui continuando a escrever».

    … DO LOBO SOLITÁRIO

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    Filipe Bacelo carregava então o desejo de ser alguém melhor, uma pessoa diferente do que tinha sido até à altura. Fez então caminho sozinho, como um Lobo Solitário, a “assinatura”, digamos assim, com que assina os seus textos e que já se tornou numa imagem de marca do autor. Porquê Lobo Solitário?

    «Porque me identifico muito com o próprio animal, com a atitude que ele tem na vida. E solitário porque foi sozinho que me encontrei. Que encontrei o meu caminho e aquilo que estava destinado para esta vida, aquilo que eu vinha fazer aqui».

    Os textos que Filipe ia publicando na sua página assumiam contornos de terapia, por assim dizer, não só para os muitos seguidores que a sua página tinha (e tem) mas também uma terapia para si próprio, «porque muitas das coisas eram escritas para eu não me esquecer daquilo que eu tinha de ser. Tive um passado, que não é que não me orgulhe dele, mas que me fez chegar aqui a este momento. Por isso, olho para o passado como uma aprendizagem. Aquilo que eu trouxe do passado tinha de mudar, tinha de voltar a ter aquilo que eu desejava, que era voltar a casa e ter a minha família de volta», recorda Filipe o tempo de solidão em que esteve separado da sua família.

    CAMINHO QUE LEVOU AO LIVRO

    Este caminho solitário acabou por o levar até ao livro que hoje define como o seu “menino”. Nessa página de facebook, o escritor foi deixando os tais pensamentos, poemas e assim criando uma história de amor que as pessoas gostaram e com a qual se identificaram: a história do Lobo e a Lua. A Lua que não estava identificada como pessoa, mas que na verdade era, e é, «a mulher da minha vida, a mulher com quem estou, a mãe dos meus filhos e que esperou que eu fizesse essa travessia toda e que sempre acreditou no amor». E é dessa crença da Lua que surge o título deste livro, “O Amor Vence Sempre”. «Foi ela que ao longo dos anos me ia repetindo essa frase: “tu tens que acreditar que o amor vence sempre”.

    Figura muito importante para que Filipe Bacelo desse o passo para a publicação deste livro foi igualmente a sua amiga Rosa Santos, foi ela que compilou todos os textos do escritor ermesindense e o incentivou a enviar todo o material para uma editora. A princípio Filipe não achou que tal fosse possível, até porque «não achava que aqueles textos fossem algo de extraordinário», mas Rosa insistiu na ideia com o argumento de que aquelas eram palavras simples mas que estavam a tocar no coração das pessoas e que dessa maneira Filipe as estava a ajudar.

    VIAGEM FILOSÓFICA DA ALMA

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    A forma do escritor ermesindense de ver e viver a vida está assim muito implícita neste livro, como o próprio diz, «a minha alma é descrita na maior parte dos textos que estão no livro». Livro esse que é mais do que um mero manuscrito de poemas, é antes uma viagem filosófica escrita de forma poética. «É uma viagem da minha alma», com a qual muita gente se identifica. É um livro que tem o condão de «ajudar as pessoas a acreditarem nelas, a terem amor próprio, porque sem amor próprio nós não amamos ninguém nem ninguém nos ama», diz o autor cujo estilo de escrita não é fácil de definir, conforme nos diz. «Acho que não consigo definir de maneira nenhuma a minha escrita, porque muitas vezes comecei a escrever com mensagens de auto ajuda, depois virei poeta como as pessoas dizem aqui em Ermesinde (risos), que sou o poeta de Ermesinde. Outros chamam-me “o sorriso”, outros “a alegria”, por aquilo que escrevo e que transmito no meu sorriso. Aliás, passado algum tempo de eu criar a página no facebook eu apercebi-me que o meu sorriso estava a dar força às pessoas, que era uma energia boa que elas precisavam. Todos os dias eu publico um texto de “bom dia” e um texto de “boa noite” na página e então as pessoas comentavam que ficavam gratas em acordar e ver aquele sorriso e a força que as palavras transmitiam para enfrentar o dia. E eu só posso estar grato por ter esse dom, se podemos chamar assim, de poder ajudar dessa maneira». Filipe Bacelo é, como já referimos, hoje uma figura popular em Ermesinde, recebendo não só largas centenas de mensagens na sua página pessoal como muitos contactos na rua, no seu trabalho, de pessoas que o abordam, o acarinham, que o abraçam, que o beijam, e claro que solicitam o seu autógrafo no livro ou uma foto para mais tarde recordar.

    A popularidade do escritor reflete-se naturalmente neste seu primeiro livro, lançado a 30 de março no auditório da Junta de Freguesia de Ermesinde, perante 87 pessoas - número entretanto superado numa recente apresentação realizada na Junta de Freguesia de Custóias, onde estiveram mais de 100 pessoas. Quanto ao balanço destes primeiros meses de vida daquele que é o seu “menino”, «eu acabo o livro com um texto a dizer que aquele livro é o meu filho e que o queria deixar voar e que ele fosse até onde fosse possível», Filipe Bacelo diz que todas as expetativas iniciais foram superadas. Em Ermesinde já foram vendidos mais de 320 exemplares nos quatro postos de venda (Papelaria Monteiro, Papelaria Cruzeiro, lojas Doce Alto e as lojas Diferent).

    Aliás, neste momento o livro só está à venda em dois postos, a papelaria Monteiro e a loja Doce Alto, que é o local de trabalho do nosso escritor, que, aliás, salienta e agradece todo o apoio que a sua entidade patronal sempre lhe deu para fazer com este livro seja hoje uma realidade. Livro que já ultrapassou as fronteiras da nossa cidade, tendo já sido vendido para o Brasil, Canadá, Alemanha, Suíça e França, através do site da Chiado, que é a editora da obra. «Por isso, já passou as minhas espetativas e estou eternamente grato às pessoas de Ermesinde, porque compraram o maior volume de livros e porque todos os dias me acarinham na rua, quando me veem». Ermesinde que é, aliás, a cidade onde Filipe nasceu e pela qual sente um amor e orgulho. «Eu amo Ermesinde, é a minha cidade. Nasci e fui criado aqui. A cidade inspirou-me (a escrever este livro). A Vila Beatriz inspirou-me. Este livro também foi escrito muito na Vila Beatriz. Durante a noite eu fazia caminhadas e parava lá, num cantinho, onde ia escrevendo algumas coisas. Senti-me inspirado ali, pois gosto muito daquele espaço acolhedor que é a Vila Beatriz». Outra das suas fontes de inspiração para escrever e que faz questão de confidenciar é o amor que lhe é dado pela sua mulher. «Eu quis mudar por mim, mas também quis mudar pelo amor que ela sempre me deu desde que estamos juntos, e o amor dela ainda continua a ser uma das minhas inspirações para os poemas e para o romance que vem a seguir».

    SEGUE-SE UM ROMANCE

    Ora aqui está o próximo passo deste escritor ermesindense cujas palavras transmitem sempre uma energia positiva a quem está ao seu redor. E nós pudemos comprová-lo. O livro que se segue na vida de Filipe Bacelo será pois um romance, que até já tem nome, o “Comboio das 9”. Conforme nos conta, este próximo livro está já todo na sua cabeça, faltando apenas passá-lo para o papel. Aliás, quem tiver curiosidade em “espreitar” um pouco do que será este próximo livro pode fazê-lo numa outra página de facebook do autor, intitulada “Girassol. Um lugar nenhum”. Aqui, já foram publicados vários trechos de uma história cujas primeiras três partes são verídicas e que se passam em Ermesinde. É um romance baseado/inspirado na história de Filipe e da sua Lua, isto é, a sua mulher. A data de lançamento desta obra ainda não está definida, até porque “O Amor Vence Sempre” ainda é um livro muito jovem, mas Filipe Bacelo desvenda que gostaria de lançá-lo em março, à semelhança do que aconteceu com a sua primeira obra. «As pessoas pedem-me o (novo) livro, porque sinto que elas estão a sentir as personagens, as emoções, a sentir os lugares, e isso para mim é novo, porque eu não escrevia romances, escrevia pequenos textos e o romance é um desafio novo para mim. Mas o melhor elogio que recebi foi dizerem-me que conseguem sentir as emoções das partes que já publiquei no facebook e para um escritor penso que isso é o melhor elogio». Ficamos à espera desse novo livro.

    Por: Miguel Barros

     

     

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