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Edição de 31-01-2024
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    Arquivo: Edição de 01-03-2014

    SECÇÃO: Destaque


    Saibreiras, Bairro d’Artes

    Fotos URSULA ZANGGER
    Fotos URSULA ZANGGER
    Bairro d’Artes? Precisamente! É o que é – teatro dança, fotografia... tudo isso vem animando uma comunidade que quer deixar para trás o tempo das Malvinas.

    O projeto, encabeçado pela companhia Cabeças no Ar e Pés na Terra, mas numa parceria com a Associação Ermesinde Cidade Aberta, quer juntar ao colorido que a autarquia, mais ou menos recentemente, trouxe aos prédios, o colorido da vida e da animação, mostrando que todos são capazes de se superar a si próprios no ato criativo.

    O projeto “Saibreiras Bairro d’Artes” tem apoio da Fundação EDP, que se estenderá por mais dois anos e que obriga a uma avaliação regular do decorrer do processo. O edifício onde o projeto tem o seu centro fica no rés-do-chão de um dos blocos do Bairro das Saibreiras e foi cedido pela Câmara Municipal de Valongo, via Vallis Habita, sob a contrapartida da realização de três espetáculos para a autarquia.

    A ambição do projeto é que, ao fim destes três anos, os Cabeças no Ar possam sair daqui, deixando um projeto com autonomia própria, que possa ir desenvolvendo a atividade no seu próprio bairro e com as pessoas deste.

    De início meio descrente ou desconfiada, a pouco e pouco a comunidade passou a rever-se neste projeto – são as suas caras afinal que aparecem nos retratos sobre agente do bairro que agoram ilustram as montras de algumas lojas, como o café e a lavandaria, é a sua marcha de S. João que, pela primeira vez desfilou com as outras do concelho, marchas que se pretende trazer também a Ermesinde.

    No registo das atividades assinalam-se cerca de 38 jovens, de resto as atividades visam um público direto e interveniente, mas também um público à volta, indireto. Além da avaliação das atividades regulares, existe um acompanhamento do percurso escolar, que é feito com a colaboração de uma técnica da Associação Ermesinde Cidade Aberta (AECA).

    A colaboração entre os Cabeças no Ar e a AECA fez--se facilmente, a associação teatral tinha as competências da criação artística – com técnicos envolvidos na formação em teatro, dança e música, a AECA tinha os dados da comunidade e a ligação à ação social.

    OS CABEÇAS

    NO AR..

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    Hugo Sousa, o principal animador e o rosto público dos Cabeças no Ar e Pés na Terra faz questão de deixar bem clara a distinção entre o trabalho profissional da companhia e o seu trabalho como associação cultural interveniente, e que é de natureza muito distinta.

    A companhia tem vários atores profissionais, contando ainda com o apoio de técnicos no domínio do design, ilustração, produção...

    No âmbito do trabalho profissional procura apresentar um reportório que traga alguma inovação e elementos de rutura, muitas vezes em produções conjuntas com outros grupos. Os Cabeças estão no concelho de Valongo e no concelho da Maia.

    Nas produções feitas com amadores, em particular no teatro para a infância procura-se criar um sentimento de proximidade, por exemplo escolhendo textos de autores portugueses. Uma produção recente dos Cabeças no Ar foi o “Auto da Barca do Inferno”, espetáculo quer contou com o interesse de várias comunidades escolares. Proximamente, neste mês março, será apresentado “Ulisses”.

    Uma outra área em que os Cabeças no Ar se têm envolvido é na dramatização de pequenas peças com um cariz social (as teatroconferências), para clientes institucionais.

    Os Cabeça no Ar participa este ano, também na paródia local do “Enterro do João”, representando as figuras do médico, da amante e do juiz.

    ERMESINDE

    CIDADE ABERTA

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    A Associação Ermesinde Cidade Aberta é vista ainda pela comunidade, muitas vezes, como uma extensão do Estado, gerando alguma desconfiança. A importância de projetos como este é crucial, ajudando a quebrar o gelo e promovendo a inclusão das pessoas pela sua promoção cultural e artística e a sua capacitação.

    A criação de um sentimento de orgulho pela pertença a uma comunidade em efervescência artística é um dos caminhos que permita a valorização de atividades entusiasmantes que só por si desarmem aos cantos de sereia de práticas mais desviantes, não apenas socialmente criticadas, mas perniciosas no seu potencial de destruição da atividade humana em cooperação (vivida, ativa e criativa).

    Foi possível, através do projeto, pôr aos jovens a falar francamente do bullying, conta Susana Bilber, técnica (assistente social) da AECA, muito envolvida no projeto Saibreiras Bairro d’Artes.

    Foi possível o aproximar de pessoas de outras gerações, inicialmente distantes, depois expectantes, por fim interessadas. Foi criada uma rede de confiança, um contraponto pela positiva aos dramas da vida no bairro.

    PROPOSTAS

    A formação em fotografia foi um êxito, e deixou as suas marcas, com pessoas que ficaram indissoluvelmente ligadas ao projeto, como o senhor Alcino, um apaixonado pela fotografia.

    As meninas fazem o melhor que sabem e querem brilhar na sua aprendizagem e mostrar o seu hip hop.

    E há ainda muitos deafios para ganhar. Na dança como na música. E no teatro, que será dos mais exigentes.

    Por: LC

     

     

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