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    Arquivo: Edição de 19-07-2013

    SECÇÃO: Destaque


    FEIRA DO LIVRO

    Porto das vielas, dos ditos e das inovações engenhosas

    Foto URSULA ZANGGER
    Foto URSULA ZANGGER
    O cartunista Onofre Varela e o editor João Carlos Brito animaram a tarde de domingo, 14 de julho, último dia da Feira do Livro, com uma conversa acerca dos percursos e falares do Porto. O editor não traria nada de muito novo, pois já sobre este assunto tinha animado uma conversa em edição anterior da feira, na qual, por sinal, entre outros, tinha usado o mesmo texto, que lhe tinham pedido para “A Bola”, descrevendo numa linguagem à moda do Porto, um jogo em que os dragões tinham cilindrado as águias por 5-0. O editor falaria ainda, entre outras coisas, da origem da expressão “fino como um alho” e do vocábulo molete para designar os pequenos pães, vulgarizado nos arredores do Porto.

    Mais interessantes, por isso, foram as memórias de infância e juventude de Onofre Varela, relativas ao Porto de há umas décadas, em que ia à Ribeira ver chegar os barcos do carvão, trazidos das minas do Pejão, em que recordou a queda de uma parte da muralha fernandina, que ainda provocou vítimas mortais, em que lembrou uma idade em que, além dos antigos e prestigiados jornais do Porto, como o “Primeiro de Janeiro”, “Comércio do Porto” e “Jornal de Notícias”, ainda sobreviviam outros títulos, como o “Diário do Norte”.

    Lembrou a abertura do túnel pedonal de Almeida Garrett, feita numa noite, e sem interrupção de trânsito, pela engenharia militar. Recordou os teatros e a vida noturna de então, quando os atores saíam para irem beber um copo ao Ginjal ou à Transmontana, e a Rua do Almada, então cheia de atividade comercial.

    E contou dois curiosíssimos episódios, um sobre o autor da expressão cimbalino, popularizada no Porto para designar o café de máquina, e outro sobre uma espantosa balança que, ainda nos anos sessenta, bem antes da era digital, dizia alto e bom som, qual o peso das pessoas que nela se pesavam.

    A primeira história tem a ver com os esforços de uma empresa italiana, La Cimbali, fabricante daquelas então novas e revolucionárias máquinas de café, em impor o seu produto no mercado. Inicialmente a desconfiança do público não garantia o esperado retorno. Até que um então ainda jovem serralheiro da empresa que ficara responsável pela manutenção das máquinas em Portugal sugeriu aos italianos, que estes fizessem uns cartazes para pôr nos cafés, com uns dizeres mais ou menos semelhantes a isto: «Não quer experimentar aqui o seu novo café cimbalino?». E a curiosidade lá foi vencendo o hábito, impondo-se por completo o “cimbalino”, no nome e na coisa, ao fim de algum tempo.

    A segunda história revela um astucioso engenho. É que a balança estava ligada à cave de uma casa comercial, em que um funcionário era avisado por um sinal luminoso quando alguém se pesava, recebendo de seguida a indicação do peso, o qual ele depois dizia em voz alta, sendo isso transmitido pela balança lá fora!

    É assim o Porto!

    Por: LC

     

     

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