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Edição de 28-02-2021
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    Arquivo: Edição de 10-12-2009

    SECÇÃO: Arte Nona


    Recursos pedagógicos na Bedeteca de Lisboa

    Um precioso conjunto de recursos encontra-se disponível para todos os internautas no site da Bedeteca de Lisboa. De facto, e concretizando a intenção anunciada de «promover e divulgar a prática da banda desenhada e da ilustração como ferramentas pedagógicas para serem utilizadas pelos agentes educativos», o site dispõe, sob a rubrica “Recursos Pedagógicos” uma aplicação em flash, «a consultar de forma cronológica» e que «permite conhecer e compreender os objectivos, metodologias e resultados do Curso de Banda Desenhada do CIEAM, Centro de Investigação e de Estudos Arte e Multimédia da Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa» e ainda um conjunto de fichas BDBoom, «dedicadas à História e à Literatura» e sobre as quais nos debruçamos hoje.

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    Um conjunto de 14 fichas BDBoom estão à disposição do público, em formato .pdf, prontas a descarregar.

    Embora não sejam um conjunto coerentemente estruturado, estas fichas apresentam-se como um incontornável manual, de grande qualidade e distintas formas de abordagem da Banda Desenhada. Além do mais, muitas delas estão assinadas por nomes de referência, constituindo assim um conjunto de palestras ou lições notáveis, para quem queira ensinar e, sobretudo, aprender.

    A primeira ficha, eis um exemplo, vem assinada por Relvas, e tem como título “Como Fazer uma BD”. O autor começa por introduzir uma proposta de definição de BD: «A Banda Desenhada é um meio de comunicação misto que utiliza imagens desenhadas e palavra escrita.

    A intenção é contar uma história, portanto convém ter uma, para começar».

    Vem depois uma orientação sobre os materiais que se prestam à construção da BD, o suporte, a estruturação em tiras, vinhetas, e depois o uso de várias ferramentas da narração, como o cartucho, a legenda, o balão (e o seu apêndice referenciando a personagem que está a exprimir-se.

    Relvas aborda depois as várias formas de o balão exprimir diferentes situações.

    Passa a seguir, à explanação do enquadramento das imagens na vinheta, explicando os planos e os ângulos de visão e, por fim, os signos cinéticos e o uso da cor com capacidade expressiva para além da decoração, como para exprimir a raiva, por exemplo.

    A segunda ficha intitula “Estruturas Narrativas”, não está assinada, mas pretende pôr em evidência o relacionamento coerente dos elementos gráficos. A terceira, também não assinada (presume-se que estas fichas são de responsabilidade directa da Bedeteca), intitula-se “Como Tirar a História da Cabeça” e prende-se com a planificação e materialização da ideia.

    Vêm depois, da ficha 04 até à ficha 10, várias “Propostas de Trabalho”, que abordam coisas tão diversas como “desenhar sensações”, “o que conta numa ilustração”, “transformar imagens em palavras”, adaptar um poema em banda desenhada”, “ilustrar associações de palavras”, “ilustrar retratos psicológicos”, “ilustrar os contrários” (“dentro/fora”; “pequeno/grande”), “desenhar uma bd/fazer uma ilustração”. E depois algumas concretizações, com carácter histórico--geográfico, resultado do trabalho de vários autores, como E.T. Coelho/Raul Correia, Relvas, Filipe Abranches/A. H. Oliveira Marques, em torno de ideias como “Viagens na África Ocidental”, “Tradição Oral Africana”, “Do Cabo da Boa Esperança para a Angra de S. Brás”, “Calecute”, “Giraldo Sem Pavor”, “O Mestre de Avis”.

    João Paulo Cotrim assina a ficha 11, intitulada “Algumas Interpretações Desenhadas”, em que aborda as fases da ilustração e da interpretação de uma obra de Banda Desenhada, referindo vários exemplos.

    A ficha 12 constitui uma “Selecção de Livros e Revistas sobre Adaptações e Universos Literários”, constituindo assim um óptimo recurso para os estudiosos.

    A ficha 13, de João Miguel Lameiras intitula-se “A História aos Quadradinhos”, e é sobretrudo um ensaio em torno da Banda Desenhada de Temática Histórica, em que o autor é uma inegável autoridade. Referenciando obras de vários autores portugueses, João Miguel Lameiras discorre sobre os sentidos presentes nessas obras.

    Por fim, o curso, chamemos-lhe assim, completa-se com uma “Selecção de Livros e Revistas Editados em Portugal sobre BD Histórica”, esta inventariação catalogando e abordando obras sobre eras históricas e episódios tão diferentes como a Idade Média e as Origens de Portugal, o período dos Descobrimentos, os séculos XVII e XVIII na História Universal, e ainda capítulos separados para o século XIX e o século XX na História Universal, o 25 de Abril e a Guerra Colonial Portuguesa e, por fim, Contextualização Histórica Universal.

    No seu conjunto, como os leitores de “A Voz de Ermesinde” podem perfeitamente constatar pelo resumo que fizemos, é um conjunto de informações, reflexões, propostas e instruções de grande relevância e qualidade na aprendizagem da Banda Desenhada, dando pistas, inclusive, para se ir mais além.

    Tudo isto está à disposição dos leitores no site da Bedeteca em http://www.bedeteca.com/index.php?pageID=recursos.

    Por: LC

     

     

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