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    Arquivo: Edição de 28-02-2009

    SECÇÃO: Cultura


    Ao encontro do passado...

    Ágorarte promoveu uma visita guiada ao Museu Romântico da Macieirinha

    Foto MANUEL VALDREZ
    Foto MANUEL VALDREZ
    Despontando na Europa nos finais do século XVIII, o romantismo entrou pelo século XIX adentro fazendo escola durante quase toda essa época. Inicialmente associado a um estado de espírito, acabou por irromper mais tarde como um movimento estético contrário ao racionalismo e passou a centrar no indivíduo a sua leitura do mundo. O mesmo é dizer que, se o século XVIII foi marcado pela objectividade, pelo iluminismo e pela razão, o início do século XIX seria determinado por uma tendência idealista, pela valorização da natureza como princípio da criação artística, pela subjectividade.

    Com a ascensão da burguesia ao poder, surge um padrão artístico em oposição aos modelos que vigoraram nos três séculos anteriores. Daí emergiu uma arte harmonizada com o contexto social de uma época profundamente marcada pela Revolução Industrial e pela Revolução Francesa com as consequentes transformações e rupturas que foram particularmente sentidas no Porto, cidade onde floresciam os negócios dos homens endinheirados do burgo.

    Muitos são ainda os sinais e referências que nos transportam aos ambientes e ao estilo de vida da época. Um dos mais significativos exemplos é o Museu Romântico da Quinta da Macieirinha instalado desde 1972 na rua de Entre Quintas, no Porto, num palacete que pertenceu à família de António Pinto Basto, fundador da Fábrica de Porcelana da Vista Alegre.

    Com o objectivo de mostrar este memorial aos seus associados, a Ágorarte, associação ermesindense que se dedica à promoção de actividades culturais, realizou no passado dia 14 de Fevereiro uma visita guiada àquele espaço museológico que reuniu cerca de três dezenas de pessoas.

    NATUREZA E BUCOLISMO

    O que se respira em toda a casa e nos frondosos jardins que a envolvem é a atmosfera de finais do Século XIX. Logo no primeiro aposento do piso térreo, na chamada sala das telas, os visitantes deparam-se com representações de repetidos elementos bucólicos da natureza, figurações do quotidiano como o porto de Hamburgo ou ainda uma exploração petrolífera da Pensilvânia.

    Depois, na sala do bilhar onde habitualmente se reuniam os homens, destaca-se uma pintura a óleo sobre estuque de J. M. Gonçalves. Passando à sala de jantar, os móveis, as loiças de faiança inglesa, os talheres de prata, os objectos de cristal e as tapeçarias francesas são tetemunhas de um requintado ambiente da época.

    A sala de convívio, onde se encontra um piano-forte alemão, era reservado às senhoras que ali conversavam e ouviam música. No gabinete do coleccionador podem apreciar-se várias colecções de objectos, alguns dos quais pertencentes a João Allen, conhecido negociante de vinhos do Porto,.

    EXÍLIO REAL

    Já na escadaria que conduz ao piso superior, um retrato à escala do ex-rei Carlos Alberto de Piemonte-Sardenha, pintado por Angelo Chizani em 1852, marca a passagem do monaraca pelo Porto durante o seu curto exílio.

    Um conjunto de adereços próprios da época ornam a ante câmara onde o rei se vestia e o quarto onde viria a falecer em Julho de 1849 e que conservam o mobiliário e apetrechos (lavatório, jarro, saboneteira e escrivaninha) e ainda a modesta cama de campanha, em ferro, onde o rei repousava durante as batalhas, e que viria a servir também de leito de morte, de acordo com a sua vontade.

    A decorar a sala de estar do rei, uma profusão de espelhos reflecte a luz para criar maior luminosidade, e na sala onde fazia as refeições, um conjunto de gravuras marca as memórias da sua carreira militar.

    AMBIENTES REQUINTADOS

    Na grande sala de baile, decorada com leques pintados à mão, dois pianos ingleses estrategicamente colocados nas extremidades para produzirem o melhor efeito sonoro animavam as reuniões dançantes. No centro, num sofá rectangular sentavam-se, costas com costas, as meninas solteiras que iam trocando confidências enquanto aguardavam pelos seus pares. Aqui guardam-se ainda os cadernos de apontamento das danças, utilizados pelas senhoras e meninas para registarem os pedidos de dança dos cavalheiros.

    No quarto das senhoras, um relicário, alguns castiçais de casquinha inglesa, várias consolas com tampos em mármore chamam a atenção dos visitantes.

    Finalmente, na sala dos brinquedos onde as crianças recriavam o seu mundo e recebiam também a educação e os cuidados das preceptoras, terminava a visita que a Ágorarte enquadrou no seu programa de acção cultural.

    Por: Álvaro Mendonça

     

     

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