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Edição de 30-11-2021
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    Arquivo: Edição de 30-04-2008

    SECÇÃO: Arte Nona


    E já que falamos do Tibete...

    A comunicação social de todo o mundo tem, nos últimos tempos, noticiado com alguma permanência, a propósito dos próximos Jogos Olímpicos de Pequim (Beijing), vários eventos que marcam, de vários modos, a resistência do povo tibetano à ocupação chinesa, nomeadamente aproveitando o percurso através do mundo, da Chama Olímpica. Ora, precisamente, vem agora muito a propósito, falar de “O Lama Branco”, de Alexandro Jodorowsky e Georges Bess, obra que tem por palco dos acontecimentos precisamente o Tibete, e se debruça com alguma atenção sobre a sua cultura, comum olhar muito particular sobre o budismo tibetano e as lendas e mitos do planalto.

    “O Lama Branco” foi publicado em Portugal, pela Asa, em 2002 e 2003, através dos tomos “O Primeiro Passo” e “A Segunda Visão”, respectivamente. No original, “O Lama Branco” foi publicado em França, em 1987.

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    Francês, nascido em 1957, Georges Bess está longe de alcançar a notoriedade de Alexandro Jodorowsky. De forma que o seu encontro com este, no ano de 1987, em que lançaram “O Lama Branco” foi afortunado e decisivo.

    O desenhador prova nesta obra o seu grande talento, imprime um grande dinamismo às pranchas, sabe alternar muito bem os planos de conjunto e pormenor, e ilustrar na perfeição as vinhetas de carácter mais realista ou de pendor místico ou irreal.

    A planificação da obra, embora refém da narrativa de Jodorowsky, adquire também em termos gráficos um carácter estruturado e eficaz.

    Predominam os tons quentes, sobretudo no primeiro capítulo, “Sonho e Profecia”, para logo passarmos a um mais inquietante “Magia e Traição”, capítulo no qual, a seguir ao sagrado e iniciático começo da obra, se começam a desenhar os tons de uma trama mais negra e palpitante.

    Claro que a grande responsabilidade narrativa cabe a Jodorowsky, artista chileno, nascido em 1929, e que é assim como uma espécie de homem dos sete instrumentos. Instalou-se em França em 1953 com o seu grupo de marionetas, trabalhou com o mimo Marcel Marceau e criou, em 1962, o grupo de teatro de inspiração surrealista “Pânico”, com figuras tão prestigiadas como Roland Topor e Fernando Arrabal.

    O seu primeiro contacto mais próximo com a Banda Desenhada só vai ocorrer em 1965, no México, onde permaneceu cerca de 10 anos.

    Mas o momento de maior expressão na Banda Desenhada vem a obtê-lo na colaboração com Moebius, que conhece em 1975, ao colaborar na adaptação cinematográfica de “Dune”, romance de Frank Herbert.

    A saga do “Incal”, com a personagem John Difool, granjeia-lhe prestígio e renome também no mundo dos fãs da Nona Arte.

    Em “O Lama Branco” perpassam figuras como o mítico Yeti, o verdadeiro lama e o seu impostor, e tudo é um jogo que rasa de perto a história, mas penetra também no mito e na aventura.

    Por: LC

     

     

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