Subscrever RSS Subscrever RSS
Edição de 30-06-2022
  • Edição Actual
  • Jornal Online

    Arquivo: Edição de 15-09-2006

    SECÇÃO: Cultura


    Trajectos de ida e volta entre a arte e a ciência

    Foi hoje inaugurada (n.d.r.15 de Setembro) na Galeria do Palácio, a exposição “[Percursos]” – Ciência | Arte, Admiração Ferramental e Manipulação – Pessoas e Habitats”, de José Manuel Soares.

    O catálogo da exposição, também ele um belo objecto concebido e editado pelo autor, nas suas Edições Portáteis, revela a dimensão do projecto e inclui um DVD com entrevistas a várias personalidades do mundo da Ciência.

    As fotografias foram realizadas no Instituto de Biologia Molecular e Celular, no Instituto Nacional de Engenharia Biomédica, no Instituto de Patologia e Imunologia Molecular da Universidade do Porto, no Centro de Estudos de Infertilidade e Esterilidade e na EB 2,3 de Valongo.

    foto
    Fotógrafo e artista gráfico senhor de uma dinâmica incansável, José Manuel Soares volta à carga com “[Percursos]”, uma viagem através dos meandros e ambientes da Ciência, retratando um pouco este mundo um pouco secreto ou reservado, quase místico da Ciência.

    No DVD que acompanha o catálogo da exposição hoje inaugurada na prestigiada Galeria do Palácio, podem encontrar-se entrevistas a algumas das mais marcantes personalidades da Ciência, radicadas no Porto, como sejam Ana Paula Rego, Ana Raquel, Cristina Barrias, Isabel Azevedo, Manuel Paula Barbosa, Manuel Sobrinho Simões, Maria de Sousa, Meriem Lamghari, Pedro Granja e Sérgio Almeida.

    O catálogo inclui ainda, além das fotografias de José Manuel Soares, várias imagens retiradas de livros da Biblioteca do Hospital Conde Ferreira ou cedidas pelos investigadores Vasco Almeida, Sérgio Almeida, Meriem Lamghari e Luís Cirnes.

    O projecto contou com o apoio empenhado de Isabel Azevedo, que assina um dos textos do prefácio: «Ciência, o maravilhamento pela descoberta da natureza, a experiência entusiasmante do espanto pelo encontro entre a hipótese inventada e os dados da observação, entre a imaginação humana e a própria natureza...

    Na outra face, a ditadura dos imperativos técnico-científicos e económicos...».

    O autor, por sua vez, revela “desenhando com aquela luz, o percurso”: «(...) Em silêncio, parados, frente ao futuro admiramos.

    Ouvimos...

    Alguém fala de coisas que entre nós sussurramos. A medo. Doenças que se escrevem com lágrimas. Agora, aqui, por entre estas imagens aparecem vestidas de primavera/esperança

    esperança, de novo a esperança.

    A sensação forte da verdade.

    A pergunta decisiva, quase óbvia, de onde viemos?

    Alguém pergunta. Reforça a pergunta com outra e mais outra pergunta».

    DESPINDO

    O LABORATÓRIO

    Aqui é um microscópio electrónico que se recolhe numa espécie de sacrário, ali uma torneira ao lado de infindáveis gavetas onde a vida vai sendo, laboriosa, apaixonadamente catalogada, além uma cultura de bactérias, células, células, uma veste, uma bata, um silêncio que paira, um quadro negro, vasilhas e fluidos de muitas e muitas naturezas, uma luz na noite, um reflexo, uma luminiscência, uma radiação, um feixe de laser, uma descarga eléctrica, uma lamela, um tubo, uma janela, o eu que resta por dentro e por fora do laboratório, pinturas abstractas, tramas, texturas roubadas a tecidos pouco têxteis... percursos.

    A PALAVRA

    DOS MESTRES

    foto
    No catálogo de “[Percursos]”, uma outra citação aparece em destaque: «A natureza não escolhe... as suas leis são simplesmente desafiadas, e tudo é traçado pela inter-relação de circunstâncias na qual o homem escolhe.

    A arte envolve escolha, e tudo o que o homem faz, fá-lo na arte». O texto é de Louis Kahn, “Conversations with Students”, Princeton Arquitecture Press, Nova Iorque, 1998, mas Isabel Azevedo evoca também, ou responde ou convoca para a mesa deste livro o filósofo e crítico da Ciência Paul Feyerabend.

    Na sua obra “Contra o Método”, defende o filósofo:

    «(...) Sem “caos”, não há conhecimento. Sem frequente renúncia à razão, não há progresso. Ideias que hoje constituem a base da ciência só existem porque houve coisas como o preconceito, a vaidade, a paixão; porque essas coisas se opõem à razão; e porque foi permitido que tivessem trânsito. Temos, portanto, de concluir que, mesmo no campo da ciência, não se deve e não se pode permitir que a razão seja exclusiva, devendo ela, frequentes vezes, ser posta de parte ou eliminada em prol de outras entidades. Não há uma só regra que seja válida em todas as circunstâncias, nem uma instância a que se possa apelar em todas as situações».

    Uma óbvia alegoria perdura nestes “[Percursos]”.

    Por: LC

     

    Outras Notícias

    · O limpo, o sujo e o lixo

     

    este espaço pode ser seu Este espaço pode ser seu Este espaço pode ser seu
    © 2005 A Voz de Ermesinde - Produzido por ardina.com, um produto da Dom Digital.
    Comentários sobre o site: webmaster@domdigital.pt.