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    Arquivo: Edição de 15-07-2006

    SECÇÃO: Destaque


    FEIRA DO LIVRO DO CONCELHO DE VALONGO

    Prostituta de faz de conta

    Foi numa conversa com um auditório interessado e, de certa maneira fascinado com o tema e as peripécias narradas pela autora, que Sandra Guimarães terminou a apresentação dos seus livros “Destinos Cruzados” e “Um Amor para Toda a Vida”.

    Projectos ficcionais e que, de certo modo, marcam a passagem da autora, do campo jornalístico para o campo da ficção, estes textos foram escritos a partir de investigações jornalísticas por si realizadas no bas fonds bracarense.

    Passagem para o campo da ficção e não necessariamente para o campo das letras. A autora, aliás, revelou a sua preocupação com o sucesso e aceitação pelo público, mas declarou não temer comparações com modelos como, por exemplo, Margarida Rebelo Pinto.

    Foto MANUEL VALDREZ
    Foto MANUEL VALDREZ
    “Um Amor para Toda a Vida” é o mais recente livro de Sandra Guimarães e, a julgar pelos resultados do lançamento na Feira do Livro do Concelho de Valongo, parece destinado a ser um sucesso comercial.

    A autora não desdenha o facto, sendo para ela importante – conforme o relatou a “A Voz de Ermesinde”, poder viver dos seus livros.

    Com uma formação académica enquanto jornalista, as suas investigações enquanto repórter forneceram--lhe o material em bruto com que viria a escrever as suas primeiras novelas – “Destinos Cruzados”, que resultou do guião para um telefilme, mas que nunca chegaria a ser levado à cena, por falta de apoios, «devido à queda do Governo de Guterres», conforme relatou a autora, e que foi depois transformado em livro de ficção, e o livro posterior “Um Amor para Toda a Vida”.

    A autora falou um pouco das suas personagens, revendo-se de certo modo em Maria Pedro, e conta a forma como foi avançando na investigação sobre a prostituição no vale do Ave (tendo andado por Guimarães, Famalicão, Vizela, Fafe, Vieira do Minho e Braga), «região em que diariamente fecha uma empresa».

    A escritora e jornalista revela aliás, que uma sua colega (da TSF), em estudo recente sobre a prostituição na mesma região veio confirmar o alastramento da chaga social de misérias que tem vindo a arrastar cada vez mais mulheres, outrora operárias fabris para o meio da prostituição, para sobreviverem (passaram entretanto, muitas delas, da prostituição em part time para profissão de tempo intergral), mas também, por exemplo, num outro escalão da prostituição feminina, muitas estudantes universitárias, para poderem possuir carro, jóias, casa, casacos de peles, etc., como ela tinha constatado nas investigações feitas há cerca de quatro anos atrás. Os clientes destas raparigas, revelou, são homens bem instalados na vida, com idade dos 40 aos 70 anos e, à partida, perfeitamente insuspeitos (cada cliente pagaria cerca de 250 euros por cada encontro nesse tipo de prostituição de luxo, ficando cerca de 150 para a mulher contratada).

    No outro extremo, da escala social , vem a prostituição de rua. A onda de desemprego, conforme reconheceria Adão Mendes, da União dos Sindicatos de Braga, teria levado muitas antigas trabalhadoras fabris a prostituir-se na rua, garantiu Sandra Guimarães, que deu alguns exemplos: “Antónia”, que tinha o marido desempregado, outra mulher, porque queria montar uma peixaria, e outros, muitos casos semelhantes.

    Preparando agora outro livro, “A Conspiração do Silêncio”, que tem por tema o tráfico de imigrantes, Sandra Guimarães começa a dar-se conta de que, cada vez mais lhe interessa enveredar pelo caminho da ficção, em vez do puro jornalismo.

    A autora teve ainda ocasião para falar das perseguições de que foi vítima e da colaboração que manteve, em certos casos, com a PJ. Um assunto, no mínimo controverso. Quem persegue, agora, é ela, para quem a fama pode representar alguma coisa!

    Por: LC

     

     

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