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    Arquivo: Edição de 15-07-2006

    SECÇÃO: Destaque


    Fotos MANUEL VALDREZ
    Fotos MANUEL VALDREZ
    FEIRA DO LIVRO DO CONCELHO DE VALONGO

    Feira do Livro – opiniões em confronto

    Decorreu de 7 a 16 de Julho no Parque Urbano de Ermesinde, a XIII edição da Feira do Livro do Concelho de Valongo. Com um número de expositores superior ao de anos anteriores, fazendo estes no geral, um balanço positivo do evento, teve este um programa variado de actividades, algumas das quais se enquadravam na perspectiva da divulgação do livro e dos seus autores. É o caso da dramatização da peça “O Rei Lambão”, levada à cena pelos petizes da “Tralhas & Companhia”, da Escola do Susão, embora os meninos, certamente por falta de tempo, não tivessem sequer ido ver os livros. Bom foi que tivessem contado com a presença do próprio autor, José Vaz, que teve para com eles palavras de carinho e incentivo. Outro momento interessante da feira foi o da apresentação das obras de Sandra Guimarães”Destinos Cruzados” e “Um Amor para Toda a Vida”, que também com a presença da autora, proporcionou um encontro com o público, que lhe colocou várias perguntas e a ouviu falar das linhas-mestras com que coseu as suas obras.

    Era, regra geral de agrado, a opinião dos livreiros que participaram nesta última edição da Feira do Livro do Concelho de Valongo.

    A título de exemplo, citamos os depoimentos de alguns dos que nesta feira estiveram presentes.

    José Fontes, da Europa-América, citava como aspectos mais positivos as condições de acesso aos stands por parte dos livreiros. Na sua opinião, a feira era muito positiva, não apenas pela facturação que permitisse fazer, mas também pela exposição da editora.

    Alicerçado num fundo editorial sólido como um colosso, este stand albergava só por si um conjunto de obras e autores que já justificariam a visita a esta feira do livro. Apesar do volume de vendas relativamente baixo, tinham-se feito algumas e o ambiente era agradável, se bem que exíguo para a oferta ali trazida para a Europa-América. Esta editora considerava a necessidade de ter, em próximas edições, um espaço mais generoso à sua conta.

    Curiosamente, o dia mais fraco da feira teria sido aquele em que havia mais gente, certamente atraída para um dos espectáculos do anfiteatro ao ar livre do parque urbano, que funcionaram como uma espécie de escoadouro para fora da feira e não o seu contrário, como era suposto.

    José Fontes comparava também positivamente a possibilidade de expor os livros a um vasto público neste tipo de espaços, considerando que o surgimento de livrarias tipo FNAC era desastroso para o livro, já que apostando numa óptica de venda imediata, e desfalcados de profissionais competentes do mercado livreiro, se tornava praticamente impossível colocar ali à venda tudo o que não fossem as novidades do momento.

    Andreia Esteves da Index, que vendia os seus livros numa banca no corredor central da feira, dado só muito tarde terem decidido integrá-la e já não haver stands disponíveis, destacava o acolhimento que tinham recebido da organização que prontamente autorizou a sua participação, mesmo nestes moldes precários. O local, pela sua acessibilidade, acabava por nem ser um mau negócio, atraindo mais facilmente as pessoas que por ali circulavam no meio dos stands.

    Fazendo um paralelo com outras feiras do livro, Andreia Esteves sublinhava alguma dificuldade, nas feiras, de compatibilizar os interesses de editores e livreiros, considerando que os interesses dos livreiros nem sempre eram tidos em conta como deveriam.

    Álvaro Mendonça, da Ágorarte, associação cultural ermesindense que, mais uma vez, se apresentava com um stand na feira e que tinha a seu cargo a representação de editoras como a Triunvirato, era muito crítico do programa culturalmente muito pobre desta edição que, na sua opinião, prejudicava claramente a feira, representando não uma sua extensão, mas qualquer coisa que lhe era exterior.

    Desagradados com esta programação, os responsáveis pelo stand da Ágorarte chegaram a suspender a abertura do seu stand, por cerca de meia-hora, numa dessas noites consideradas por esta associação como contraproducentes.

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    UM MODELO PRATICAMENTE ESGOTADO

    Por sua vez, Olívio Neves, da Inovação à Leitura, que na Feira do Livro do Concelho de Valongo representava, por exemplo, entre outras, a Campo das Letras e a D. Quixote, considerava a participação na feira como parte da cooperação que vinha mantendo com a Biblioteca Municipal de Valongo, sublinhava a simpatia com que os livreiros eram aqui recebidos pelos organizadores da feira, ao contrário de muitos sítios que já conheceu, apontava a agradabilidade do espaço, mas, de forma crítica apontava a continuação de uma estratégia condenada, de tentar fazer aqui e ali, pelo país fora, como em Valongo, pequenas réplicas das feiras do livro de Lisboa ou do Porto.

    Ao invés, o que haveria a fazer era mais, segundo pensava, constituir uma sinergia de organizadores bem ligados ao meio local para, a partir destes, efectivamente se poder fazer um trabalho de divulgação do livro e da leitura.

    São, assim, algumas pistas para reflexão que ficam no ar para que se possa, no futuro, tornar mais rica e interessante esta feira que teve neste ano a sua edição n.º 13, um número que, à partida, não era propício a bons augúrios.

    Por: LC

     

     

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