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Edição de 28-02-2021
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    Arquivo: Edição de 30-03-2006

    SECÇÃO: Arte Nona


    De 32 de Dezembro há 72 milhões de anos atrás, até 1 de Janeiro de 2027

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    “32 Décembre” teve a sua primeira edição em Junho de 2003 (também o ano de “Le Sommeil du Monstre”), em Genebra, na Humanoïdes Associés. Sendo uma obra já com três anos, a sua actualidade torna-se, todavia, incontornável, pelo casamento indissolúvel que nela se realiza (pela via da “ficção científica”) entre as máquinas da guerra e do poder... e a arte. Relação tão evocada nos dias de hoje, como bem o fizeram lembrar os editores e autores pró-nazis dinamarqueses que tão sabiamente souberam desencadear um notável efeito de dominó com o seu concurso de cartoons sobre Maomé, desatando do outro lado, precisamente os seus “iguais” quando por sua vez, também a estes lhes conveio... Bom, mas deixemos, por agora, esta conversa...

    Arte global e “gangrenada” (como se tivéssemos podido resgatar o conceito da arte degenerada nazi – já que falámos em Goebbels nesta rubrica, no número anterior de “A Voz de Ermesinde”), eis o tema aqui abordado por Enki Bilal.

    O quadrinista, que em “32 Décembre” nos faz lembrar particularmente a dupla Moebius//Jodorowski, coloca-nos diante de uma personagem “secundária” mas que, sendo fantasmática e amaldiçoada (ou malfazeja), dá forma à cena, prosseguindo o «prazer da criação A.E.A. («absolute evil art – a arte do mal supremo». Essa personagem é Optus Warhole (evidentemente uma referência ou, pelo menos uma criação inspirada em Andy Warhol) – o “buraco da guerra”, visível até na figura do duplo, clone ou andróide, do verdadeiro Warhole (que também é Jefferson Holeraw), cujo corpo original se reduz a uma «obscena» cabeça que apenas conserva o cérebro «perfeitamente intacto».

    A cena tem lugar num imaginário futuro, em 2027, após o conflito sino-russo-mongol, defrontando-se vários blocos políticos (aqui Bilal faz lembrar um pouco o Orwell de “1984” – como a Confederação Política e Económica Mundial, os Novos Espaços Asiáticos Autónomos e outros).

    O(s) protagonista(s) desdobra(m)-se – quer ele(s) seja(m) Amir Fazlagic ou Nike Hatzfeld (com as suas – de quem? – namoradas Leyla, Sacha Krylova e Pamela Fisher), quer seja a própria Leyla, num mundo de duplicidades e aparências, onde se busca o sentido universal da arte, como as obras-fenómeno de Warhole (“Compression de Mort Éructée”, que cria uma nuvem venenosa que se expande por grandes superfícies como os embrulhos de Christo, mas aqui crescendo e expandindo-se ainda mais, viajando pelos ares e matando, com a sua tinta negra e pestilencial quem encontra no caminho), ou ainda a procura ou discussão do berço da humanidade, formalizando novas e absolutamente incríveis hipóteses :).

    Ainda para lá do cenário sofisticado de Enki Bilal, que aqui “renova” a sua ascendência jugoslava, (consideremo-lo excessivo ou não), os grafismos do quadrinista são poderosos, ganhando a dimensão do colorido, sem perder, por sua vez, a agilidade e flexibilidade do traço, e conquistando assim, magicamente, o melhor de ambos os mundos.

    Bilal desenha e pinta a estória magistralmente. Os planos variam de forma veloz e dinâmica, sem nunca nos deixar pregados no lugar, mexendo-se com grande desenvoltura. Com mestria.

    A obra atinge o seu inesperado fim, com uma amostra das técnicas comunicacionais na época (aqui lembrando Schuiten e Peeters...).

    Por: LC

     

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