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Edição de 30-04-2022
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    Arquivo: Edição de 30-09-2005

    SECÇÃO: Destaque


    Fernando Melo: «Quando abandonar a Câmara não quero deixar dívidas»

    Fotos URSULA ZANGGER
    Fotos URSULA ZANGGER
    Presidente da edilidade valonguense desde há cerca de doze anos (está a acabar de cumprir o seu terceiro mandato), Fernando Melo recandidata-se novamente à presidência da Câmara para um mandato que – volta a anunciar – será mesmo o último.

    Médico de profissão, tendo sido director do Hospital de Valongo antes de dirigir os destinos do município, foi também governador civil do Porto.

    Tem mantido com o PSD, no plano público, uma ligação fiel, mas sempre relativamente discreta.

    A lista que encabeça agora para a Autarquia conserva, além do seu, apenas um nome entre os anteriores vereadores. Fernando Melo, que já antes tinha denunciado uma certa saturação instalada na Câmara, considera essa remodelação como «necessária».

    “A Voz de Ermesinde “ (AVE) – Ia começar por uma questão que temos colocado a todos os candidatos. O nosso jornal está a fazer um inquérito on line aos leitores e a maior preocupação manifestada tem sido com as questões do ambiente. O ambiente em primeiro lugar, depois o urbanismo e, em terceiro lugar o desporto. Como comenta essa preocupação dos munícipes?

    Fernando Melo (FM) – Olhe, o ambiente para nós é gratificante, porque como suponho que sabe, nós ganhámos já três prémios sobre o ambiente. Ganhámos um prémio dado por Bruxelas, em que ficámos em segundo lugar, entre governos – foi a única Câmara que teve um prémio. O primeiro foi o Governo Regional da Andaluzia, o segundo prémio foi o nosso, e o terceiro o Governo grego. Depois tivemos um prémio dado por um conjunto de universidades cujo júri era presidido pelo reitor da Universidade Técnica de Lisboa – o Prémio Geoconservação 2005. E tivemos, há três anos o 1º Prémio das Cidades Limpas. Mas quando aqui chegámos este era um concelho maltratado, sem água, sem saneamento.

    Resolvi o problema da água, que está a 100%. O saneamento está hoje quase nos 96%, é uma situação praticamente resolvida, e Valongo é dos concelhos – juntamente com o da Maia – quanto a este problema, em melhor posição no distrito do Porto. Fomos a todos os locais degradados e fizemos parques. Temos hoje parques na cidade de Ermesinde, vários na cidade de Valongo e zonas de lazer, que podemos considerar parques também, um em Alfena, um em Campo e estamos a fazer um em Sobrado.

    Portanto, o ambiente tem sido uma preocupação, compusemos o alto da serra de Santa Justa, fizemos lá também uma zona de lazer muito interessante, fizemos a protecção dos fojos – que foi alvo de pareceres muito favoráveis pela Faculdade de Ciências e pelas universidades que estão em contacto e trabalham connosco. Por exemplo, nós todas as semanas temos passeios turísticos pela serra de Santa Justa com um professor da Faculdade de Ciências, que funciona como guia. Temos um centro de monitorização na serra de Santa Justa onde temos tudo devidamente catalogado – na área da Biologia e da Geologia, com fotografias, com espécies para visualização.

    O Parque Paleozóico foi já alvo de várias referências e de prémios.

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    VAI CHEGAR AGORA A VEZ DA ECONOMIA?

    AVE – O seu primeiro mandato dedicou-o, como já disse, sobretudo à satisfação das necessidades básicas dos munícipes e o segundo à cultura. O terceiro mandato foi dedicado mais... à economia?

    FM – Não, ao ambiente. Mas começámos, isso sim, com algumas preocupações, grandes preocupações na área da economia. Fizemos uma zona industrial em Alfena, que neste momento é uma zona industrial modelo, e estamos – e vamos continuar – com a zona industrial de Campo.

    AVE – É essa agora a prioridade?

    FM – Estamos a investir muito nela. Neste momento até estamos já a fazer a via estruturante para a zona industrial de Campo, está quase tudo expropriado – e as expropriações são sempre um problema complicado, não só pelos dinheiros que é preciso disponibilizar, mas sobretudo pelo tempo que isso demora nos tribunais. Essa via estruturante para a zona industrial de Campo provavelmente vai começar ainda durante o mês de Outubro. Há também a zona industrial de Sobrado, que se tem vindo a desenvolver, sobretudo com o apoio de privados, que aqui têm tido um papel muito importante. Por exemplo, na zona industrial de Campo está lá já implantada a única estação rodo-ferroviária do norte de Portugal. Só há duas em Portugal, uma em Setúbal e esta aqui. Está também já lá instalado o SPC – Serviço Português de Contentores.

    AVE – Já que fala da importância dos privados, no caso da Nova Valongo, esse papel não tornou o projecto desastroso?

    FM – Eram os donos dos terrenos. Todos aqueles terrenos na Nova Valongo são de três proprietários. Por isso não é nem deixa de ser desastroso. São deles, da Companhia das Lousas, do Sr. Eng. Eliseu Reis e do cônsul Silveira, que estão zangados uns com os outros e estão em tribunal. Ora bem, o que acontece – e isto não é ser desastroso, pode é ter atrasado o andamento – porque de resto tudo aquilo se vai desenvolver. De resto já tem lá a Biblioteca, que é considerada, dentro do projecto, a melhor do País, depois vai ter lá a nova Câmara, que já tem o projecto feito, vai lá ter o Tribunal. Como vê, não é nada de desastroso.

    AVE – Quer dizer, então que a Nova Valongo vai mesmo avançar e nos mesmos moldes?...

    FM – Sim. Vamos lá raciocinar: Valongo só pode expandir-se para lá. Tem dum lado a serra de Santa Justa, que é rede Natura, portanto não pode caminhar para lá e ainda bem. Aliás nós já tínhamos decidido: na serra de Santa Justa não permitimos qualquer tipo de construção. Para o lado ocidental tem Ermesinde, para o lado oriental tem a freguesia de Campo. Portanto só pode expandir-se para norte. E vai ter de se expandir para norte, porque não há outra forma. Claro que o problema dos terrenos estarem todos na mão de três pessoas, essas pessoas não se entenderem e terem todas elas parte dos terrenos, dificulta muito as coisas. Quer dizer, os terrenos não são individualmente de cada um deles, são dos três em conjunto. Eu espero que logo que esta situação judicial entre os três esteja resolvida, a Câmara vá depois negociar com quem tiver de ser. Para as instalações da Câmara já temos o terreno, para o Tribunal já foi dado o terreno ao Estado, para o Ensino Superior também já foi dado o terreno ao Estado.

    AVE – Qual é o projecto de equipamento para o Ensino Superior?

    FM – A Escola Superior de Hotelaria e Turismo.

    AVE – Pensa que é possível recuperar esse equipamento para Valongo?

    FM – Estou convencido que sim, até porque onde ele foi colocado agora – num Instituto Politécnico de Vila do Conde – não há condições físicas para ter lá a escola. Mas isso é um problema acima de nós. Aí teremos de voltar a negociar com o Estado, porque temos dois protocolos assinados, um com o Governo do Eng. Guterres (foi o secretário de Estado Cabrita Neto que fez o protocolo) e o outro com o Governo do Dr. Durão Barroso (e do Dr. Santana Lopes). Esses assuntos estavam protocolados, por isso o Estado é que terá que tomar uma decisão.

    AVE – E então acha mesmo que a situação actual é provisória?

    FM – Eu estou convencido disso. Mas o País está a atravessar uma fase difícil, parece que o ministro Mariano Gago disse que, nestes quatro anos não vai haver escola nenhuma... Portanto, não sei como é que isso se vai resolver.

    UMA EXTENSA REMODELAÇÃO NA CÂMARA

    AVE – Acha positiva uma remodelação camarária tão extensa como aquela que irá necessariamente acontecer?

    FM – Eu achei que era necessária!

    Renovar e rejuvenescer!... E como tal, fiz essa remodelação e fi-la pacificamente. Estou com os vereadores todos que saem, a trabalhar bem comigo e em boa harmonia. Se calhar isto para muita gente é estranho, porque não estão habituados a tal. Mas como sempre mantive uma relação de respeito e boa camaradagem com eles, ela continua manter-se. E vejo até todos os vereadores que saem presentes em todos os meus actos. Mesmo em tudo o que é político eles estão presentes e estão a dar-me apoio.

    AVE – Mas a passagem de tantas pastas para tanta gente nova não pode causar certa paralisia, pelo menos ao início?

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    FM – Não, como não causa, por exemplo, nos governos centrais. Como agora, em que o Governo Sócrates mudou tudo. No Poder Central quando se entende que, na realidade, se deve mudar, muda-se. O que é preciso é saber fazer.

    O Eng. Sócrates remodelou tudo. O Eng. Guterres também o tinha feito. E consideraram a remodelação positiva e necessária. Eu também considerei a remodelação positiva e necessária. E fi-la. Mas com o apoio dos próprios vereadores.

    AVE – Considerou então que havia uma situação que precisava de ser alterada... e que isso era mesmo necessário?...

    FM – Eu falei com os vereadores, expus-lhes a situação, e eles aceitaram, mas todos continuam a dar-me apoio administrativo, técnico e até apoio político.

    É uma coisa engraçada, porque as pessoas mostram a sua boa formação moral.

    AVE – É positivo para o resultado da sua candidatura o desgaste governativo do PS?

    FM – Eu acho que Governo e Autarquia são duas realidades diferentes e independentes. Eu ganhei várias vezes eleições, umas vezes com Governo de uma coloração, outras vezes com outra. O que acontece é que eu sempre mantive um certo afastamento em relação aos partidos, mesmo ao partido pelo qual eu sou candidato. Mantenho um afastamento grande em relação ao sistema político-partidário.

    Gosto de ser autarca, entendo que fiz um bom trabalho e as pessoas têm-me julgado positivamente. E agora, em Outubro, tomarão uma decisão.

    AVE – Perguntámos à Dra. Maria José Azevedo se não achava que era positivo para ela o facto de em Alfena ter havido alguns problemas no interior do PSD local, que motivam até a apresentação de uma candidatura independente, e mesmo o facto de o candidato que o PSD apresenta em Ermesinde não ser uma pessoa publicamente muito conhecida. Acha que isso pode influenciar negativamente a sua candidatura?

    FM – Eu acho que em Ermesinde os dois candidatos são pouco conhecidos – quer o do PS quer o do PSD –, mas o candidato do PSD é um homem trabalhador, ferroviário, que ocupou alguns lugares de responsabilidade, um homem simpático, afável. Conheço menos bem o candidato do PS, posso dizer que conheço mal, mas também conhecia mal o Sr. Pais.

    Em Alfena, pelo contrário, para mim os candidatos são todos muito conhecidos. Eu dou-me bem com os dois, vamos ver... Um é o candidato oficial do PSD – o presidente da Junta –, o outro também estava na Junta pelo PSD e vão agora um contra o outro. Assim o quiseram!... Eu não interferi nem interfiro.

    OBJECTIVOS ELEITORAIS

    AVE – Ficava satisfeito com a vitória da sua candidatura ou só fica satisfeito se, pelo menos, mantiver o número de vereadores?

    FM – Só mantendo o número de vereadores. Claro que ganhar e perder é perfeitamente viável e eu não considero que seja uma tragédia. E respeito os meus adversários a todos os níveis. Mantive um belíssimo relacionamento com os meus adversários na Câmara (os vereadores do PS), respeitamo-nos todos mutuamente. Portanto, quem vier será bem vindo. Não tenho problemas assim de maior.

    É evidente que eu considero que manter o mesmo número de vereadores, pelo menos, seria o desejável.

    UM ESFORÇO MAIOR DA OPOSIÇÃO

    AVE – Não lhe parece que nesta campanha do PS – com a Dra. Maria José Azevedo –, relativamente às duas anteriores, por exemplo, há um esforço maior da Oposição no sentido de reconquistar a Câmara?

    FM – Não, o que há são estilos diferentes. Eu acho que há mais demagogia nesta campanha. Há promessas, como a dos livros e a do computador ligado à internet para cada aluno que nem o Estado pode fazer, quanto mais uma autarquia!...

    Até agora, normalmente, os meus adversários não faziam promessas que não pudessem cumprir. Como eu não faço promessas que não posso cumprir. Ultrapassar isso não me parece ético, mas há pessoas que fazem a política sem ética, e isso é com cada um. E eu tenho de respeitar isso...

    EXECUTIVO DE ERMESINDE SEM QUALIDADE

    AVE – Porque é que manteve sigilosamente aquela solução do Parque Urbano em Ermesinde, com os novos equipamentos?

    FM – Eu não tinha que dar satisfações!

    AVE – Nem quando a Junta de Ermesinde lhe perguntava?

    FM – Não, primeiro porque a Junta de Ermesinde sempre tomou posições contra a Câmara. Segundo, porque a Junta tem conceitos muito diferentes do que deve ser Ermesinde e do que deve ser aquela zona. Por exemplo, a Junta de Freguesia anterior queria acabar com o Parque Urbano, cortá--lo a meio. E eu não deixei.

    AVE – Está a referir-se a esta última Junta, à que está em exercício?

    FM – Não, à anterior. Mas onde estavam vários eleitos que depois passaram para esta. E eu achei que as diferentes Juntas de Freguesia de Ermesinde não têm tomado as melhores opções para o desenvolvimento de Ermesinde, nem mesmo de acordo com a vontade dos ermesindenses. Porque eu não tenho dúvidas, vejo até pelo número de pessoas que frequentam o Parque Urbano, elas consideram que aquilo foi o melhor que lhes podia ter acontecido. E não era essa a vontade da Junta de Freguesia. E hoje, com esta que sai, aconteceu exactamente a mesma coisa. No sábado toda a gente adorou aquilo, pelos vistos só não gostaram uma ou duas pessoas ligadas à Junta de Freguesia. Porquê? Porque não têm capacidade de avaliação e sentido estético. Aquilo está bonito, vai ser para um ginásio... e pronto. Não tinha que dar satisfações! A Câmara não tem que dar satisfações em relação àquilo que pensa fazer, tem é que respeitar a população, e a população está satisfeita e é isso que eu tenho procurado fazer. Agora quando aparece um ou outro senhor com pretensões a engenheiro, sem sentido estético nem preparação técnica, atira coisas para o ar que depois lhe caem em cima. E depois é a população que os julga, como tem acontecido. Veja como o Sr. Videira perdeu as eleições. Foi isso que o fez perder as eleições. E, se calhar, outros, foi também isso que os fez recuar, porque não têm, na realidade, capacidade. Porque a capacidade prova-se.

    AVE – O que fazer daquele espinho encravado que é ali o antigo cinema de Ermesinde?

    FM – Ah! O antigo cinema é de um privado, que comprou aquilo para fazer negócio. Acontece que connosco não vai fazer negócio. Não! Eu cheguei a incentivar alguns empresários a adquirir o antigo cinema, porque hoje aquilo é uma coisa horrorosa, já ninguém quer cinemas com aquelas características. Hoje os cinemas são pequenas salas. Agora, aquilo está no centro da cidade e, na realidade devia desaparecer. Poderá desaparecer um dia, por vários motivos. Um deles é com a passagem do metro. Se o metro passar ali, o cinema vai ter mesmo que desaparecer.

    O PROJECTO DO METRO A ERMESINDE E VALONGO

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    AVE – O metro é uma frente de batalha firme? É um objectivo importante?

    FM – Eu considero mesmo importante que o metro venha ao concelho de Valongo e tenho-me batido por isso.

    AVE – E até, pelo que disse, já tem uma ideia de trajecto...

    FM – Sim. Já está delineado e passa exactamente pelo antigo cinema.

    AVE – Iria aproveitar a linha de Leixões para o acesso a Ermesinde?

    FM – Não. Eu não lhe posso dizer, porque isso está na mão dos arquitectos, mas posso dizer isto: havia um prolongamento da linha de Gondomar para Valongo, havia um prolongamento da linha da Maia para Ermesinde, numa primeira fase. E depois as duas ligavam-se, pelo alto da serra. Em traços gerais seria isto. E está-me prometido.

    AVE – E do ponto de vista técnica a ligação pelo alto da serra não implicava muitas dificuldades?

    FM – Não, porque vinha pelos Montes da Costa... No PDM – que nós contamos estar pronto no fim deste ano – o traçado já está todo delineado.

    AVE – É um projecto... a 12 anos?

    FM – Ora bem, eu estava esperançado em menos. Mas o Estado é que vai decidir isso. Têm que chegar verbas. Nós estamos em 2005, eu tinha esperanças que o assunto ficaria resolvido em 2010/2011.

    AVE – Quanto ao problema dos transportes intra-concelhios, como vê a solução do problema que hoje em dia existe para um munícipe se deslocar entre as freguesias?

    FM – As dificuldades são muitas por força de lei. Nós quisemos criar um serviço municipal aqui no concelho e a Câmara assumir os transportes. Mas isso não é possível, porque o Estado concedeu a empresas privadas determinados corredores e determinados trajectos e não é possível nós sobrepormo--nos, porque seria ilegal.

    AVE – E não é possível acordar com esses concessionários?

    FM – Chamei-os aqui, tive-os cá todos. Mas o problema é muito complicado porque esses concessionários têm um objectivo de lucro... E nós temos zonas que gostaríamos que fossem servidas, mas com um preço social. Por exemplo, nós temos uma carreira pela qual estamos a dar 850 contos por mês ao Serviço de Transportes Colectivos e que eles entregam depois a uma empresa privada para fazer essa carreira.

    Quando reuni com os concessionários tentei até que uma ou duas empresas no conjunto ficassem com os transportes na totalidade, mas não se entenderam.

    AVE – E pensa voltar a...

    FM – Penso voltar a chamá-las aqui, porque não consigo ultrapassar os aspectos legais.

    AVE – Mas se não conseguiu convencê-los qual era o argumento novo?

    FM – É que havia uma coisa, duas estiveram quase a entenderem-se. E estou convencido que vou conseguir ultrapassar o quase.

    AVE – E com que contrapartidas?

    FM – Claro que a Câmara vai ter de dispender por causa dos tais custos sociais, mas estou convencido que vou conseguir.

    AS PRIORIDADES PARA UM NOVO

    MANDATO DE FERNANDO MELO

    AVE – O que considera que é, neste momento, prioridade para si em relação ao município?

    FM – Há duas ou três coisas essenciais aqui, uma, fundamental, é o novo mercado de Ermesinde, que eu quero que seja, também, um centro de exposições. No mesmo edifício.

    AVE – O projecto actualmente existente já contempla isso?

    FM – Sim. E, por exemplo, a Expoval, em vez de ser feita na Escola Secundária passaria a ser feita nesse local.

    AVE – Teria uma dimensão que o permitisse?

    FM – Tinha. E a Expoval passaria a ser anual, porque os expositores, todos eles, pediram para ser anual, dado o êxito da mostra.

    AVE – E isso não poderia entrar em conflito com o funcionamento normal do mercado?

    FM – Não. Tem é que ser concebido para isso, porque a Expoval são quatro dias. E não seriam quatro dias por ano a afectar o mercado. Mas inclusivamente, admito que isso fosse conciliável. Outro objectivo: ali onde está a Socer, eu tenho também um projecto de aproveitamento, criando ali uma zona de lazer, com uma casa de chá. E, por trás da Vila Beatriz, fazer uma piscina descoberta, provavelmente até descoberta no Verão e coberta no Inverno. Outra coisa era fazer a ligação directa Valongo-Ermesinde, de que já está parte feita, com a Avenida dos Lagueirões.

    AVE – E pensa terminar isso no próximo mandato, caso seja eleito, naturalmente?

    FM – Era minha intenção. Eu tenho sonhos que vou tentar realizar, mas não caio na demagogia de dizer que faço num ano ou dois porque isso depende de vários factores: depende da capacidade económica da Câmara, mas se não for eu a realizar, com certeza que outras pessoas o realizarão. Porque, já agora aproveito para dizer que o próximo mandato será o último para mim. Em circunstâncias nenhumas me voltaria a candidatar.

    A SITUAÇÃO ECONÓMICA COMPLICADA DA CÂMARA

    AVE – Referiu a situação económica da Câmara. É saudável ou há algumas questões difíceis?

    FM – O que acontece é isto: temos uma Câmara que, em termos económicos, estará aí em trigésimo no País. Fizemos muita obra, portanto temos dívidas. Eu quero aproveitar o próximo mandato para sanear totalmente a Câmara. Não quero, um dia que saia, entregar a Câmara com dificuldades económicas.

    AVE – E isso não tem consequências nos projectos para o próximo mandato?

    FM – Por isso é que eu digo: se eu não os realizar, que haja outros que os realizem. Eu queria deixar, de algum modo tudo preparado, para que um dia esses projectos se possam tornar viáveis.

    AVE – Quer dizer, ainda, uma palavra final?

    FM – Gosto muito de ser autarca, e entusiasmo-me por aquilo que faço. O meu objectivo tem sido proporcionar melhores condições de vida e daí até o prémio que tive, de Excelência Autárquica, da Agência para a Vida Local. Quero criar melhores condições para a população deste concelho, enquanto aqui estiver. Se as pessoas acreditaram em mim, eu tenho que fazer os possíveis e impossíveis para corresponder.

    Por: AVE

     

     

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