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Edição de 30-04-2022
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    Arquivo: Edição de 15-09-2005

    SECÇÃO: Cultura


    Mestre Fernando Távora

    Quem privou de perto com Fernando Távora jamais o esquecerá.

    Ensinava tudo o que sabia, e sabia muito.

    “E por ter partilhado essa essência, por ter sabido comunicá-la como ninguém, Portugal tem hoje uma identidade arquitectónica que se sabe única e extremamente moderna”.

    “A sua capacidade de fazer vanguarda com as pedras de sempre, as mesmas texturas e a mesma escala” fizeram dele uma figura ímpar na nossa arquitectura.

    Principal referência da Escola do Porto, foi pioneiro na recuperação de centros históricos.

    Hoje, como ontem, Fernando Távora continua vivo, moderno, actuante e comunicador, senão vejamos…

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    «Ei-la, a palavra mágica cujo conteúdo se vai tornando obsessivo. Eis o património como matéria de educação, como tema de conferências, como fundamento de associações, como objecto de congressos, como preocupação que não conhece fronteiras.

    Após um processo lento de transformação que continha em si próprio o consumo e a criação de valores – com a natural naturalidade de quem respira – somos hoje como que espectadores de um processo rápido de alteração, cujo ritmo ultrapassa a nossa capacidade de compreensão do que acontece e impede a nossa participação no que acontece.

    Dir-se-ia que, perdido o pé, nos afundamos num mundo que desconhecemos porque não é nosso, porque é consumido por nós.

    No Mundo Natural, no mundo visual, no mundo cultural, o homem vê desaparecerem os seus elementos de identificação, o seu território, o seu sistema de relações.

    E vê-os não apenas desaparecerem, o que já por si seria causa suficiente de instabilidade física e psíquica, mas, mais do que isso, não gera novos valores de transformação que tenham a ver consigo próprio, que resultem da sua natureza e que garantam a sua conservação como espécie.

    Tal situação, cada vez mais conscencializada, explica que tantos se preocupem com a degradação do património, palavra que, pelo seu étimo, constitui a invocação «pater», do protector, da segurança.

    Mas afirmar apenas que o património se degrada é uma bela e cómoda forma de alienação, pois há que a presente situação em que o homem figura como espectador – ainda que consciente – dos acontecimentos, portanto é a sua sobrevivência, e não a do património, que está em jogo. E não serão a conservação, a defesa ou o culto do património que garantirão tal sobrevivência, embora para ela devam contribuir.

    É ele próprio, o homem, que tem de reencontrar o seu caminho e, paralelamente, edificar o seu património, é ele próprio – é cada um de nós – que tem de abandonar o seu papel de espectador para ser actor e criador do seu mundo.

    O património deixará assim de ser preocupação isolada para se confundir com o próprio homem: um e outro serão uma e a mesma coisa.

    A palavra mágica não será o património; a palavra mágica será, então, o homem».

    Fernando Távora

    Por: Fernanda Lage

     

     

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