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Edição de 31-01-2021
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    Arquivo: Edição de 30-04-2005

    SECÇÃO: Local


    UMA EXPERIÊNCIA PEDAGÓGICA NA ESCOLA EB 2,3 DE VALONGO

    Tomar o mundo nas suas mãos - ou uma versão mil vezes melhor da quinta das celebridades

    É uma experiência pedagógica entusiasmante para um punhado de alunos com necessidades educativas especiais na Escola EB 2,3 de Valongo.

    Com o apoio sem reservas do presidente do seu Conselho Executivo, de vários professores e de funcionários empenhados, além do envolvimento directo do professor José Soares, este grupo de alunos construiu num espaço da escola, uma pequena quinta onde criam galinhas, patos e outros animais.

    Foram eles, com a ajuda do professor, que puseram de pé o galinheiro, que levantaram o cercado que delimita o espaço da quinta, que construíram e instalaram um pequeno lago para os patos e, mais importante ainda, que se responsabilizam por tratar de toda a bicharada.

    Por exemplo, o Carlos, que tem a chave da pequena quinta, já sabe que, aos fins-de-semana, tem de ir à escola dar de comer aos bichos. Se não puder, tem que arranjar quem o substitua. Torna-se assim responsável pela vida e bens que tem a seu cargo.

    A experiência é a mais recente e das mais gratificantes para os miúdos, entre muitas outras que desenvolvem com gosto.

    E além da comunidade pedagógica, conta também com o empenhado apoio dos funcionários.

    As oficinas de ardósia, por exemplo, uma peculiaridade da escola de Valongo, são uma das várias actividades que motivam o seu empenhamento. Que o diga o Hugo, um menino com dificuldades extremas de comunicação com os outros, mas que se revela aqui um surpreendente criativo. Ou o Tiago, um outro miúdo, este de etnia cigana, e por isso não surpreendentemente apaixonado por motas, um motivo “obrigatório” nos seus trabalhos em ardósia. Ou ainda as preferências clubísticas bem expressas nos leões e nos dragões que eles inscrevem na pedra negra. Como é o caso do Daniel. Bom, e podíamos falar de muitos outros miúdos a quem esta experiência tão recente da quinta pode proporcionar um laço apertado com a vida, com a sua aprendizagem, com o crescimento das formas de inter-relacionamento de uns com os outros. O caso de uma menina chinesa (a Mei?) é ilustrativo dos desafios lançados aos professores: com um domínio ainda muito incipiente da língua portuguesa, é a muito custo que se integra ou os outros miúdos a deixam integrar no seu círculo.

    A quinta pode ser, assim, um elemento propício à aproximação entre eles, a uma responsabilização pela via da gratificação e da afirmação positiva da sua personalidade, escaqueirando - lembremo-lo, nunca é demais, já que esta estória coincide agora , no tempo, com um estafado ritual de evocações de Abril nem sempre ajustadas para além do óbvio -, as fórmulas punitivas que alguns pretendem desenterrar como panaceia para todos os males do mundo.

    Por: LC

     

     

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