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Edição de 30-06-2022
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    Arquivo: Edição de 28-02-2005

    SECÇÃO: Crónicas


    Ainda faltavam as limousines

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    Para completar o espírito americano, a colonização que tem chegado a Portugal pela via maciça dos filmes de Holywood com que encharcam o nosso país sem hipótese de alternância, faltavam as "limousines"! (As voltas que o mundo dá! Uma ex-colónia está agora a colonizar a velha Europa colonizadora!). A ostentação, o novo-riquismo ridículo, a mania das grandezas consubstanciada nos longos recipientes de lata reluzentes que dão nas vistas e a que chamam agora "limousines", está a ter grande receptividade no meio da pasmaceira nacional endinheirada ou que tudo faz para parecer endinheirada. Afinal, a felicidade suprema na sociedade consumista delirante em que mergulhamos é ter dinheiro e fama.

    Limusinas sempre houve mas as "limousines" à americana, como não podia deixar de ser, têm o dobro do comprimento e destinam-se à classe emergente ou seja àqueles que pretendem emergir da amálgama humana sem identidade a que as grandes migrações os reduziram. Sem outros atributos para o fazer a não ser o dinheiro, usam os objectos que o fazem por si. O carro, as roupas, as jóias, a casa e outras formas de ostentação funcionam como etiquetas visíveis, simples adereços que os promovem.

    É certo que existe também o lado positivo, pois o sentido de oportunidade de negócio bem à americana, também está bem presente no nosso país para explorar a vaidade oca que vai por cá e a iniciativa duma firma do norte (as iniciativas são sempre do norte) merece aplauso. Até o nome do serviço em inglês "Limousine Service" em vez do mais vulgaríssimo Serviço de Limusinas, causará de certeza mais impacto nos nossos "pasmas" que vão pasmar de boca aberta, com a passagem de tanto metro de lata rolante. Só que os efeitos esperados vão ser diversos. Para a maioria, infelizmente, os que têm a lata de se mostrarem inchados dentro daquelas grandes latas, vão fazer, de certeza, um figurão. Para os outros, infelizmente muito poucos, apenas vão "meter pena", vão merecer um sorriso misto de chacota e de desdém.

    Desenho Rui Laiginha
    Desenho Rui Laiginha
    O pior é se a moda pega como pegou a dos jipes e a dos télélés, o trânsito complica-se ainda mais com os mostrengos a circular e de certo que os poucos lugares que ainda restam para estacionar, vão desaparecer ocupados com tanto metro de lata com rodas.

    Por: Reinaldo Beça

     

     

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