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Edição de 25-06-2024
Jornal Online

SECÇÃO: Local


COMÉRCIO LOCAL COM HISTÓRIA

Drogaria das Oliveiras: uma loja onde há mais de quatro décadas reina a tradição (do comércio tradicional) e a boa disposição

LUÍS ALMEIDA E A SUA ESPOSA, OLINDA ALMEIDA
LUÍS ALMEIDA E A SUA ESPOSA, OLINDA ALMEIDA
Mais do que meros locais de venda ou troca de mercadorias, os espaços de comércio tradicional são muitas vezes pontos de encontro e de convívio diário entre comerciantes e clientes, que com o passar dos anos acabam por estabelecer entre si uma relação de amizade. Um simples “bom dia, como está?” seguido de “dois dedos de conversa” sobre um qualquer assunto da atualidade fazem parte da rotina diária destas lojas de rua, digamos assim, sobretudo das mais antigas, que pela sua história são parte de uma localidade e de uma comunidade. Um bom exemplo do cenário atrás descrito na nossa cidade é a Drogaria das Oliveiras, localizada na zona da Palmilheira, portas meias com a Igreja do Bom Pastor. A Drogaria das Oliveiras é um espaço de comércio tradicional sobejamente conhecido em Ermesinde – e não só – que além de ser detentor de uma longínqua história é uma das poucas lojas deste ramo que ainda vai resistindo à avalanche das grandes superfícies na nossa terra. Na verdade, uma só mão se calhar chegaria para contar as drogarias existentes na freguesia. Mas essa é uma outra história, e a que aqui pretendemos contar é a desta drogaria que abriu as suas portas há mais de 40 anos. Estávamos em 1981 quando Luís Almeida e um cunhado seu abriram a Drogaria das Oliveiras. Foram sócios durante cerca de meia dúzia de anos, até que algumas divergências familiares fizeram com que Luís Almeida assumisse sozinho o leme da drogaria até aos dias de hoje. «Eu adoro estar aqui. Às vezes a minha mulher diz-me em tom de brincadeira que qualquer dia trago para aqui a cama. Ela diz-me que vou ficar aqui até morrer, ao que respondo que se isso acontecesse para mim era a maior felicidade do mundo. O que é que eu ia fazer em casa? Ir para o sofá? Eu aqui passo bem o tempo. Isto para mim acaba por ser um passatempo», diz-nos o senhor Luís, como é por todos conhecido e tratado nesta zona. Mais de quatro décadas é de facto muito tempo na vida de uma loja, e nesse sentido a Drogaria das Oliveiras já passou e conheceu vários momentos da história da cidade, mais concretamente daquela zona do Largo das Oliveiras. Questionado sobre como era aquela zona há quatro décadas atrás, o senhor Luís recorda que era diferente dos dias hoje. «Era melhor do que é hoje. Havia muitos mais estabelecimentos comerciais. Tínhamos ali um café que fechou, uma confeitaria que fechou, e um talho que também fechou. Vieram as grandes superfícies e as lojas foram fechando», lamenta. A sua loja é uma das poucas que resistiram aos tempos modernos, embora o aparecimento do Maxmat «mexeu um bocado, mas vamos trabalhando», diz. Aliás, e por falar em Maxmat, o nosso interlocutor conta-nos que muitas vezes são os próprios funcionários desta grande superfície comercial que quando esta não tem algum tipo de produto/material indica ao cliente a Drogaria das Oliveiras, já que aqui vão encontrar o que procuram. «Há determinadas coisas que eles não têm e eu vendo aqui», explica Luís Almeida, ao mesmo tempo que diz que se foi sempre adaptando às circunstâncias, a novas realidades, isto é, à abertura das grandes superfícies do seu ramo comercial. «Fomos sempre à procura daquilo o que o cliente pretende. Há pessoas de longe que cá vêm porque só aqui encontram determinado tipo de artigo», explica. Clientes e amigos, como nos diz, pois muitos dos clientes que frequentam a loja são já amigos com quem conversa sempre que lá aparecem, ou não fosse o senhor Luís uma pessoa bem-disposta e que tem sempre uma palavra amiga para quem lá entra. «Ele criou aqui muitas amizades ao longo destes 40 anos, não é brincadeira», diz-nos Olinda Almeida, a esposa do senhor Luís, que, entretanto, também se junta à conversa. «Os clientes vêm e trocam “dois dedos de conversa” com ele. Muitos idosos que aqui vêm e sentem-se bem a conversar com ele», diz-nos a D. Olinda ao mesmo tempo que é interrompida pelo seu marido que acrescenta: «as mulheres não os querem em casa e eles vêm para aqui» (risos).

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É este ambiente de amizade que hoje em dia vai desaparecendo do setor comercial, desde logo porque nas grandes superfícies a relação vendedor-cliente é quase mecânica, ou em muitos casos até já o é, pois o cliente chega a uma caixa e faz o pagamento de forma automática sem precisar de trocar qualquer palavra com um funcionário de “carne e osso”. Mas voltando à Drogaria das Oliveiras para dizer que a clientela, ou amigos, não são apenas da zona, pelo contrário, há muita gente de fora que aqui vem, não apenas pela simpatia e boa disposição do senhor Luís, mas pela razão já acima mencionada de que ali encontram artigos por vezes difíceis de encontrar noutro lado. Clientes antigos, sublinhe-se, sendo que muitos, como nos conta este casal, chegam ali já adultos, com filhos pela mão, e perguntam: “Senhor Luís, não se lembra de mim?”, ao que o proprietário da Drogaria das Oliveiras faz um retrocesso no tempo e lá se recorda daquela pessoa dos tempos em que esta era uma criança e frequentava a sua loja.

Dentro dos possíveis, como faz questão de dizer, o senhor Luís também é um conselheiro no que concerne a matérias referentes a assuntos de materiais de construção, por exemplo, dada a experiência que adquiriu ao longo destes anos todos à frente da drogaria. «Ajudo naquilo que sei e fico contente se uma pessoa fica servida. Sabe, aqui não conseguimos

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Por: MB

 

 

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