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Edição de 25-06-2024
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    Arquivo: Edição de 31-05-2024

    SECÇÃO: Últimas


    A Vida de Santa Rita

    Entre os dias 8 e 10 de junho celebra-se a Festa de Santa Rita. A devoção, o amor a Santa Rita, o acreditar, leva diariamente ao Santuário um sem número de fiéis que a ela recorrem e dedicam as suas preces.

    A Festa de Santa Rita, com um cariz mais profano, onde a festividade se assume como uma das romarias mais populares do Norte, une o divertimento à fé. Pois, quem ali se desloca, tem no coração o amor à Santa dos impossíveis.

    Damos a conhecer em seguida a vida de Santa Rita.

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    Santa Rita:

    É difícil ter datas certas, mas vamos aproximar-nos do fim do século XIV, por volta de 1373, e dizer que nesse ano Margherita nasceu em Roccaporena, uma povoação perto de Cássia, no centro de Itália.

    A infância de Rita terá sido como a de muitas outras crianças. Brincava, corria nas ruas estreitas, daria passeios nas serras, por entre paisagens coloridas, cheias de flores e luz. Os pais, António Lotti e Amata Ferri, como somente tiveram Rita e já em idade avançada, tratavam a filha com imenso amor e ternura.

    Nos primeiros dias de vida de Rita, como o trabalho assim obrigava os pais, levavam a filha com eles para o campo.

    Conta-se que um dia, na ceifa, um senhor magoou-se e decidiu ir a casa tratar-se. Passou junto ao berço de Rita e viu várias abelhas que a rodeavam. Tentou afastá-las e reparou que a sua ferida ficou curada e que as abelhas, que descreveu como brancas, permaneceram em redor dela, como a alimentassem, pois entravam e saíam da boca de Rita. Essas abelhas povoaram os muros do mosteiro de Cássia durante os 40 anos de vida de Rita no mosteiro.

    Na sua humilde casa, e no seu quarto no sótão, Rita orava. Através de uma tosca janela, a criança via o céu imenso e as estrelas.

    O desejo de Rita sempre foi dedicar-se a Deus e tornar-se monja, freira. Mas os pais, tendo somente Rita, sonharam outra vida para ela. Desejavam que ela casasse e fosse mãe.

    Obedeceu serenamente e casa-se, com 14 anos, por volta de 1387, com Paolo Mancini di Ferdinando.

    Rita saiu da casa dos pais e o casal foi viver para um lar na povoação, modesto, discreto, mas que cresceria com o amor de Rita e a sua dedicação a Paolo, como nasciam rosas e figos no pequeno terreno da habitação. Apesar da sua aspereza, Rita tratava o marido de forma tolerante e pacífica, o que levou a superar a teimosia do esposo.

    Os filhos de Rita e Paolo nascem cinco anos depois do casamento. Os gémeos Giangiacomo e Paolo Maria vêm trazer mais ruído à casa do casal e são eles que encantam os pais. Devem ter nascido por volta de 1391 e vão crescer na luz de Rita, nas suas orações, mas também na força e determinação do pai.

    Rita amava o marido e a sua morte foi dolorosa. Estaríamos em 1405 quando Rita ficou viúva, com os dois filhos.

    Um ano depois da morte do pai, por volta de 1406, e por doença, ela perde os dois filhos. Rita fica só no seu mundo, só com Deus, com as orações.

    Rita teve sempre uma vida muito idêntica a todas as pessoas. Teve alegrias, dificuldades e sempre a esperança, através da oração, de um mundo mais humilde e de verdade a Deus.

    Pela sua bondade e sempre dedicação, já era vista como santa por todas as pessoas da povoação e povoações vizinhas. Andava pelos 34 anos quando entrou no mosteiro, num tempo de divisões e desordens, mesmo na Igreja, ainda a viver com dois papas.

    Adoece gravemente em 1443. Sabemos que nada deixou escrito, somente as obras de dedicação e de um amor infinito aos outros. A doença agrava-se. Mesmo doente, o seu tempo era de oração e as narrações dizem que ela falava com anjos. Está muito tempo sozinha na cela e ora continuamente.

    Num corpo debilitado, mas sempre com serenidade e com um sorriso no olhar, tem a visita de uma pessoa a quem Rita pede, em janeiro, em tempo frio e de neve, para lhe trazer uma rosa e dois figos do quintal que fora seu.

    A senhora, relutante, passa pelo antigo terreno de Rita e vê, na figueira despedia, dois figos maduros e, numa roseira, uma bela rosa. Tudo em redor era neve.

    Rita morre a 22 de maio de 1447. Os sinos de todas as igrejas de Cássia começaram a tocar e todas as pessoas que se dirigiram ao mosteiro para ver Santa Rita, sentiram que do seu corpo emanava um perfume agradável e a ferida da sua testa emitia uma luz muito viva.

    Santa Rita foi filha, esposa, mãe, viúva e monja de uma fé indestrutível. Humilde e obediente, é assim que Santa Rita tem nas suas mãos e coração tudo o que as pessoas lhe pedem nas orações. É a santa dos impossíveis por todos os milagres que lhe são atribuídos.

    Deus realiza milagres através de Santa Rita para nos mostrar neles um caminho de vida Cristã, de oração, humildade e fé.

    Santa Rita é colocada numa urna solene em 1457. A 19 de outubro de 1626 abre-se o processo de beatificação. No mesmo dia, dois anos depois, em 1628, o papa Urbano VIII proclama Santa Rita bem-aventurada e é autorizado o culto. Em 1703, em fevereiro, o corpo de Santa Rita continua intacto. É depositado numa nova urna em 1745.

    Santa Rita é proclamada Santa pelo papa Leão XIII, a 24 de maio de 1900. Chama-lhe Pérola de Úmbria e é estabelecido que a sua festa seja celebrada a 22 de maio, no tempo das rosas.

    De 1937 a 1947 é construída em Cássia uma basílica santuário em honra de Santa Rita, aberta a público a 18 de maio. Em 2000, no dia 19 de maio, o corpo de Santa Rita é transportado de Cássia para a basílica de Santo Agostinho, em Campo Marzio, em Roma, e exposta à veneração dos fiéis. A 20 de maio a urna é levada para a praça de São Pedro e venerada por São João Paulo II e peregrinos.

    Padre Samuel Guedes*

    *Reitor do Santuário de Santa Rita

     

     

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