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Edição de 31-05-2024
Jornal Online

SECÇÃO: Destaque


3.ª EDIÇÃO DO ENTRELINHAS – FESTA DO FERROVIÁRIO

As histórias do “lindinho”, do “Menino Jesus”, do “crocodilo” e de uma passageira muito especial em torno do comboio de outros tempos

Foto CMV
Foto CMV
Como terra com uma fortíssima ligação à ferrovia que é, Ermesinde guarda, naturalmente, muitas histórias relacionadas com comboios. E para reavivar essas memórias ninguém melhor do que alguém que as viveu e/ou protagonizou.

Foi com este espírito que no segundo dia desta edição do EntreLinhas – Festa do Ferroviário decorreu no piso superior do Fórum Cultural a tertúlia “Histórias no Comboio”. Moderada pelo diretor do Novum Canal, Paulo Lopes, esta animada e interessante conversa em torno dos comboios contou com a presença de quatro pessoas cujas vidas, profissionais e pessoais, giram, ou giraram, muito em torno deste meio de transporte. Uma dessas pessoas é Esmeralda Carvalho, figura sobejamente conhecida na nossa comunidade, desde logo pela atividade política que aqui desenvolve há muitos anos a esta parte, sendo que no presente é membro do executivo da Junta de Freguesia de Ermesinde. Esta cidadã local não trabalhou propriamente na ferrovia, mas mesmo assim podemos dizer que o comboio marcou toda a sua vida pessoal e profissional. Em primeiro lugar é filha de um ferroviário, e logo por aí estabeleceu desde muito cedo uma ligação ao comboio, meio de transporte que utiliza desde sempre, conforme disse na sua primeira intervenção. Em criança, quando ia ao Porto, viajava sempre de comboio, um transporte que passou a utilizar de forma mais assídua na altura em que começou a estudar no ciclo preparatório, que na época não existia em Ermesinde, pelo que viajou diariamente para o Porto até acabar os estudos. Depois, com cerca de 20 anos de idade, veio o emprego, também na Cidade Invicta, tendo o comboio voltado a ser uma presença diária na sua vida até há dois anos atrás, quando se reformou. Histórias tem muitas, de um meio de transporte que muito lhe diz, como refere. Recorda o tempo de estudante em que os comboios tinham varandins, ao ar livre, portanto, que tinham de ser utilizados quando as carruagens iam muito cheias. A propósito disto conta uma história em que certa ocasião viajava no varandim, de guarda-chuva aberto, e em Contumil o vento era tanto que o guarda-chuva voou para a linha. Comboio é também sinónimo de amizades, já que ao longo da sua vida profissional criou amizades com pessoas que consigo viajavam diariamente à mesma hora, na ida e na volta do emprego, pessoas não só de Ermesinde como de outras localidades que são servidas por este transporte.

Nesta tertúlia foram recordados os tempos do comboio movido a carvão, através das histórias contadas por três homens que viveram esses tempos difíceis, como rotulou José Pacheco, funcionário da CP entre 1960 e 2001, primeiro como operário nas vias e obras, depois como fogueiro e por último enquanto maquinista. «Quem deitava o carvão na fornalha da máquina era o fogueiro, mas quem mandava era o maquinista. No entanto, o fogueiro tinha de “dar o litro” na sua função, pois se não fizesse vapor a temperatura baixava e o comboio parava, e o maquinista não podia fazer nada», recorda. Mais adiante lembra que numa viagem de Contumil à Régua eram precisas 10 toneladas de carvão para um comboio de mercadorias. «Saíamos de Contumil às 22h00 e só chegávamos no outro dia às 8h00. A máquina chegava lá sem carvão». A este propósito, Fernando Ferraz, que trabalhou na CP entre 1957 e 1994, como serralheiro, fogueiro e maquinista, conta que havia técnicas para deitar o carvão na fornalha, «porque se fosse mal colocado a máquina não fazia vapor. A máquina trabalhava a 12 quilos (de carvão) de pressão, e se viesse para os 11 ou 10 quilos já não conseguia andar com grande velocidade. Tinha de andar sempre nos 12 quilos de pressão».

Pinto Monteiro também entrou na conversa, ele que foi funcionário da CP entre 1965 e 2002, para dizer que na sua época os comboios davam muitos problemas, desde logo o facto de serem abastecidos a carvão, o que originava muitos atrasos, «pois não podia manter o horário rigoroso que era proporcionado por uma máquina a motor, por exemplo. Embora eu sempre tenha sido muito intransigente com o horário do comboio, ou seja, em cumprir os horários, pois sabia que havia passageiros que tinham de chegar a horas ao trabalho, e por isso dava sempre meio minuto de tolerância a outros passageiros para apanharem o comboio».

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Todos estes três homens que fizeram de Ermesinde a sua casa foram maquinistas, e recordam que para o serem tiveram de ir a Lisboa fazer um exame, e caso reprovassem continuavam como fogueiros, que era o nível abaixo, digamos, do maquinista. Quando questionados sobre se teria sido difícil para eles a passagem, ou adaptação, dos comboios a vapor para os comboios a motor, Fernando Ferraz é perentório em dizer que não. «Nós, os maquinistas do comboio a vapor, fomos considerados os melhores maquinistas dos comboios a motor, sabe porquê? Porque nós tínhamos prática. Os maquinistas de agora não têm nada a ver com os de antigamente. Agora, eles vão ali sentadinhos e é só carregar em botões», compara.

José Pacheco refere, por exemplo, que antigamente era preciso técnica para conduzir um comboio, sobretudo no capítulo de frenar – travar – a máquina na chegada a uma estação. «Muitos (colegas) bateram nos muros a chegar a S. Bento. Era preciso cálculo para frenar o comboio. Por exemplo, se íamos a 20 km/hora e estávamos a chegar à Estação de S. Bento tínhamos de saber quando reduzir para 10 ou 5 km/hora. Para isso tinha de haver técnica por parte do maquinista». Outros tempos, e difíceis, sublinha Fernando Ferraz, que lembra que naqueles anos não havia condições nenhumas para os trabalhadores dos caminhos-de-ferro. «Por exemplo, quando chegávamos aos dormitórios tínhamos de estar à espera que se levantasse o colega que lá estava para desocupar a cama e nos deitarmos nós. Os dormitórios existiam para nós ficarmos de um dia para o outro quando fazíamos viagens longas. Não havia água quente para nos lavarmos, só havia água quente dentro da máquina a vapor e era lá muitas vezes que nos lavávamos. A roupa da cama tínhamos de a levar de casa juntamente com uma cesta com as refeições», recorda.

Olhando para o futuro, foi pedida a opinião dos convidados desta tertúlia sobre a “chegada” do comboio de alta velocidade ao nosso país, Esmeralda Carvalho manifestou-se favorável a este projeto, desde logo porque

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Por: MB

 

 

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