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Edição de 25-06-2024
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    Arquivo: Edição de 31-05-2024

    SECÇÃO: Destaque


    3.ª EDIÇÃO DO ENTRELINHAS – FESTA DO FERROVIÁRIO

    Os desafios em torno da Alta Velocidade passaram por Ermesinde

    A 3.ª edição do EntreLinhas – Festa do Ferroviário voltou este ano mais cedo do que o habitual ao convívio da nossa cidade. O evento, que pretende, por um lado, (re)viver o mítico espírito da ferrovia, e por outro lado, homenagear a ferrovia e os ferroviários, bem como enaltecer a sua importância para o crescimento do nosso município e muito em particular da cidade de Ermesinde; realizou-se entre os dias 17 e 19 de maio, contrariamente ao que aconteceu nas duas primeiras edições, as quais decorreram no mês de agosto.

    Organizado pela Câmara Municipal de Valongo, Junta de Freguesia de Ermesinde, CP – Comboios de Portugal, e pelas Infraestruturas de Portugal, o EntreLinhas – Festa do Ferroviário foi repartida pelo Parque Urbano, Fórum Cultural, Largo da Estação e a zona da Gandra. A 3.ª edição do evento contou com um vasto e diversificado cartaz, o qual integrou exposições, street food, uma mostra turística, atuações de DJ’s, e vários espetáculos musicais, designadamente os muito concorridos concertos de Cláudia Pascoal (no dia 17), dos The Happy Mess (no dia 18); e dos Expensive Soul (no dia 19).

    O EntreLinhas – Festa do Ferroviário de 2024 abriu no dia 17 de maio com a conferência “Desafios da Alta Velocidade”, realizada no Fórum Cultural de Ermesinde, a qual foi integrada por um reputado painel de oradores que na nossa cidade apresentaram as ideias essenciais do projeto do comboio de Alta Velocidade no nosso país.

    Fotos MANUEL VALDREZ
    Fotos MANUEL VALDREZ
    Moderada pelo jornalista do jornal Público, Carlos Cipriano, também ele um especialista em matérias ligadas à ferrovia, esta conferência foi integrada por figuras que se encontram a trabalhar de perto com o projeto da implementação da linha de Alta Velocidade Lisboa – Porto, nomeadamente, João Pereira Fernandes, gestor de empreendimentos da Infraestruturas de Portugal (IP), e que de entre outras funções coordena desde 2021 os empreendimentos em torno do projeto da Alta Velocidade Lisboa – Porto / Lisboa – Porto - Valença/Vigo; Luís Andrade Ferreira, professor associado com agregação no Departamento de Engenharia Mecânica da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto e diretor geral do Centro de Competências Ferroviário; Augusto Franco, diretor geral da NomadTech; Pedro Mêda, mestre em engenharia civil e autor de várias publicações sobre a história dos caminhos-de-ferro em Portugal e que aqui esteve em representação da Associação Portuguesa dos Amigos dos Caminhos-de-Ferro (APAC); e Francisco Furtado, doutorado em sistemas de transportes e que nesta conferência representou o Centro de Competências de Planeamento, de Políticas e de Prospetiva da Administração Pública.

    O primeiro orador, João Pereira Fernandes, trouxe, digamos, a matéria prima deste debate. Por outras palavras, a sua apresentação focou a essência, ou a parte mais importante, desta conferência. Ele faria o enquadramento de todo este projeto da rede ferroviária de Alta Velocidade que está a ser desenvolvido em Portugal, e que nas suas palavras iniciais pretende, entre outros objetivos, aumentar a competitividade do transporte ferroviário e tentar recuperar o tempo perdido, o desinvestimento de anos e anos, na ferrovia nacional. O coordenador do projeto da Alta Velocidade fez uma apresentação técnica detalhada daquilo que será a futura ligação Lisboa – Porto. Uma linha que segundo este orador é a espinha dorsal do sistema ferroviário nacional, e onde atualmente passam cerca de 90 por cento dos comboios de mercadoria e que apresenta um tráfego de passageiros na ordem dos 50 por cento. «Todos conhecemos os problemas de performance da linha do Norte, que atualmente não consegue responder às necessidades que a ferrovia e os tempos modernos exigem. E a primeira grande decisão tomada foi avançar com a construção de uma linha de Alta Velocidade, que no fundo permita fazer uma segregação dos tráfegos rápidos e lentos, passando os rápidos para a nova linha e que a linha do Norte possa aumentar a sua prestação dos serviços suburbanos, dos serviços regionais e dos serviços de mercadorias, deixando para a nova linha que vai ser construída a missão dos tráfegos de longo percurso e neste caso trazer a novidade da Alta Velocidade para Portugal», explicou.

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    Mais adiante nesta sua apresentação de cariz mais técnico, foi referido que com a construção da nova linha iremos passar das 11 atuais ligações para 60 ligações entre Lisboa e Porto. A Alta Velocidade em Portugal vai colocar ao serviço dos utentes um «serviço de elevadíssima qualidade que vai permitir transformar completamente o panorama nacional nas ligações ferroviárias, desde logo em tempos de trajeto», exemplificou João Pereira Fernandes, que ao falar na questão dos tempos de trajeto mais reduzidos entre estas duas cidades, sublinhou que com isto pretende-se de igual modo reforçar a coesão nacional e promover o desenvolvimento do país de uma forma mais harmoniosa, encurtando as distâncias entre as cidades do país em termos de tempo. «O objetivo é ligar as duas cidades no tempo de percurso de 1H15», disse mais adiante, para de seguida dar nota que a nova linha será construída em bitola ibérica, assim como de outras obras que serão realizadas no âmbito deste projeto, desde logo a construção de uma nova estação (totalmente subterrânea) em Vila Nova de Gaia, na zona de Santo Ovídio, de uma nova ponte sobre o Douro, entre outros investimentos. A nova linha de Alta Velocidade contempla múltiplas ligações à rede ferroviária convencional, incluindo às atuais estações de Aveiro, Coimbra e Leiria, onde serão disponibilizados os serviços Alta Velocidade. Todo este projeto será desenvolvido de forma faseada, estimando-se, a título de exemplo, que o troço entre Porto-Campanhã e Soure, integrado na Fase 1, esteja concluído até 2030 e a conclusão da Fase 2, entre Soure e o Carregado, esteja prevista até 2032. «Será um serviço radicalmente diferente (em comparação com o que agora temos), onde se espera que o serviço ferroviário seja a primeira opção para viajar», disse.

    Seguiu-se a apresentação de Luís Andrade Ferreira, que a grosso modo abordou em que medida a tecnologia portuguesa poderá servir um projeto desta envergadura. Apresentou o trabalho que é desenvolvido pelo Centro de Competências Ferroviário, e nesse prisma fez a ponte entre a academia e a ferrovia, da importância de uma em relação a outra, no sentido em que os desafios tecnológicos da Alta Velocidade requerem a formação de quadros tecnológicos, quadros com formação específica para as solicitações do sistema de Alta Velocidade, mas de igual forma potencia o aparecimento de novas tecnológicas, entre outros exemplos o da Inteligência Artificial, que também abrange a área ferroviária.

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    Já Augusto Franco, engenheiro eletrotécnico com mais de 25 anos de experiência ligado à ferrovia, fez uma apresentação da NomadTech, uma empresa com ligações à CP e que foi adquirida por ingleses e que disponibiliza/desenvolve tecnologia ferroviária de ponta para o mercado. Augusto Franco começou por fazer uma comparação entre o nosso país e outras nações europeias, como Espanha, Itália, ou França, países estes onde a Alta Velocidade evoluiu bastante ao longo dos últimos anos, contrariamente a Portugal, onde ela não foi vista, nas suas palavras, como um desígnio nacional. «Andámos a falar em Alta Velocidade há já 30 ou 40 anos, mas não fizemos nada. Faltou visão estratégica. Mas agora essa visão está a mudar», disse, acrescentando que no meio deste cenário nem tudo foi mau. E passou a explicar. «Nestes 30 ou 40 anos em que ficámos parados (no que concerne à Alta Velocidade) o Portugal tecnológico não parou. Desenvolveram-se tecnologias de ponta para vários segmentos ferroviários. Acho que houve um acelerar de criação de startups e de empresas de base tecnológica em conjunto com a academia que nestes últimos 20 anos formaram aquilo que eu chamo de uma revolução silenciosa. E esta revolução tecnológica silenciosa que se verificou neste período permitiu à nossa indústria tecnológica criar produtos (nota: deu dois ou três exemplos de cariz mais técnico) que estamos a aplicar na Alta Velocidade espanhola. E se os estamos a aplicar na Alta Velocidade espanhola, na Alta Velocidade alemã, porque não aplicá-los na Alta Velocidade portuguesa? Esta é a mensagem positiva que aqui quero deixar», frisou.

    Por seu turno, Pedro Mêda, na sua apresentação, deu conta de que a Alta Velocidade em Portugal será mais do que um projeto, será um acontecimento, uma oportunidade, e um legado com múltiplas facetas para o futuro do nosso país.

    Já Francisco Furtado abordou o efeito multiplicador que

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    Por: MB

     

     

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