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Edição de 31-03-2024
Jornal Online

SECÇÃO: Destaque


ELEIÇÕES LEGISLATIVAS 2024

País vira à direita aproveitando a boleia do “furacão” Chega

Fotos MANUEL VALDREZ
Fotos MANUEL VALDREZ
O país saiu à rua e virou à direta. Uma mudança de direção após oito anos de governação à esquerda e que se ficou em grande parte a dever a um “furacão” chamado Chega. O partido liderado por André Ventura pode reclamar para si o título de grande vencedor das Eleições Legislativas de 10 de março passado ao conquistar mais de 1 milhão de votos e quadruplicar desta forma a sua presença na Assembleia da República. Vitória foi também a palavra entoada pela Aliança Democrática (AD) liderada por Luís Montenegro, ainda que tenha sido uma vitória muito curta face ao PS de Pedro Nuno Santos. Nestas que foram das eleições mais emocionantes dos últimos tempos, onde a incerteza quanto ao vencedor pairou no ar até ao início da madrugada do dia 11, houve, porém, a certeza de que a esquerda teve uma derrota estrondosa. O país decidiu mudar de rumo, dando um cartão vermelho à esquerda ao mesmo tempo que decidiu dar um voto de confiança à direita. Mas vamos a factos e a números.

A AD – coligação composta pelo PSD, CDS-PP e Partido Popular Monárquico (PPM) – conquistou, como já vimos, uma vitória mínima face ao PS. Com 29,49% dos votos, o correspondente à eleição de 79 deputados, a AD superou os socialistas, com 28,66% da votação e com 77 deputados eleitos. Recorrendo ainda aos números, a AD venceu o PS por uma diferença de pouco mais de 50.000 votos!

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Ao longo da longa, passe a redundância, noite eleitoral ainda se falou num empate técnico entre AD e PS, mas com o avançar do tempo ficou-se a perceber que a coligação liderada por Montenegro iria conquistar a vitória, ainda que tangencial. Dúvidas parecem não existir quanto ao facto do PS ter caído a pique face ao resultado obtido nas Eleições Legislativas de 2022, onde então saiu com a maioria absoluta no bolso. Desta feita, os socialistas recolheram menos 13 pontos percentuais (!) em relação ao que aconteceu há dois anos, o que significou a perda de 40 deputados (!) na próxima Legislatura. Na hora de assumir a derrota, e mesmo na altura em que ainda não eram conhecidos os resultados do círculo das comunidades portuguesas, que eventualmente ainda poderiam dar a vitória ao PS, Pedro Nuno Santos disse que o partido iria trabalhar no futuro para voltar a conquistar todos os portugueses que estão descontentes. «O nosso caminho começa agora, hoje», vincou o secretário geral do PS, que mais à frente neste discurso à nação frisaria que «a direita que não conte com PS para governar».

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E continuando numa toada de comparação entre estes resultados eleitorais e os que foram registados há dois anos, percebemos também que o PSD, partido este que encabeçou a coligação da AD, não teve um resultado muito diferente do obtido nas Legislativas de 2022. Nessa altura, e quando concorreram a solo, os social-democratas obtiveram 27,81%, pouco menos dos 29,49% arrecadados no passado dia 10 de março, e quando neste último cenário apareceram coligados com outros dois partidos, o CDS-PP e o PPM.

Foi uma vitória, curta, mas saborosa, a julgar pelas palavras de Luís Montenegro. O líder do PSD começaria por dizer que estava disponível para que o Presidente da República o indigitasse para formar governo no sentido de aplicar o seu programa eleitoral, acrescentando deste modo e mais adiante que «é incontornável que a AD ganhou as eleições e o PS perdeu. Vai haver um novo primeiro-ministro, um novo governo, uma nova política, porque o país quis uma mudança». Montenegro disse ainda esperar que PS e Chega «não constituam uma aliança negativa para impedir o governo que os portugueses quiseram», reafirmando aquilo que já tinha dito durante a campanha em relação ao partido de André Ventura, mantendo o “não é não”, numa alusão à recusa de um possível entendimento com o Chega, mas… sem excluir o diálogo. E no seio da AD quem também teve uma noite feliz foi o CDS-PP, que à boleia desta coligação de direita regressa ao Parlamento depois de há dois anos dali ter saído. Uma grande vitória de Nuno Melo, claramente, no reerguer do partido.

E voltando a falar do Chega para dizer que se dúvidas existissem quanto ao facto de consolidar este partido como a terceira força política mais representativa no Parlamento, elas ficaram mais do que esclarecidas no passado dia 10 de março. Como já referimos, o Chega pode-se considerar o grande vencedor da noite eleitoral, superando o milhão de votos (o equivalente a 18,1%), muito para lá dos poucos mais de 358 500 votos obtidos em 2022. Em termos de representação parlamentar o partido liderado por Ventura passou de 12 para 48 deputados! O Chega conseguiu a proeza de eleger em 19 dos 20 círculos nacionais, excetuando o círculo de Bragança. O partido venceu mesmo o círculo eleitoral de Faro, tornando-se desta forma na quinta força partidária da história da democracia em Portugal a triunfar num círculo eleitoral, depois de PS, PSD, CDS-PP e CDU. «Há uma coisa que temos a certeza: esta é a noite em que acabou o bipartidarismo em Portugal», disse Ventura na hora de festejar a estrondosa ascensão do seu partido. Radiante no seu discurso, o líder do Chega disse ainda que «o país começará agora a ser libertado pouco a pouco em todas as instituições, porque a menos que o PSD se vergue a ela, começaremos já amanhã a libertar Portugal da extrema esquerda e da esquerda em Portugal».

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No meio desta montanha russa de emoções, com resultados eleitorais incertos até à contagem do último voto – pelo menos em território nacional –, houve quem mantivesse a sua representação parlamentar. Foi o caso da Iniciativa Liberal (IL), a quarta força mais votada nestas Legislativas de 2024, com uma percentagem de 5,1%, e que apesar de ter obtido cerca de mais 44 mil votos do que em 2022, não aumentou o número de mandatos, mantendo assim um grupo parlamentar de oito elementos. Quem também manteve a sua representação parlamentar, neste caso com cinco eleitos, foi o Bloco de Esquerda, que apesar de ter tido pouco mais de 30 000 votos do que em 2022 não conseguiu reforçar a sua presença parlamentar. A coordenadora nacional dos bloquistas, Mariana Mortágua, nas suas declarações no rescaldo da noite eleitoral, prometeu «fazer a oposição mais combativa à direita».

Quem teve uma noite difícil foi a CDU. Mais uma noite eleitoral difícil, há que dizê-lo. Os comunistas continuam a cair eleição após eleição, perdendo desta feita dois mandatos face às últimas eleições. Ou seja, passaram de seis para quatro eleitos, isto quando em 2022 tinham passado de 12 deputados para meia dúzia. O resultado obtido pelos comunistas nas eleições do passado dia 10 de março foi o pior de sempre em eleições legislativas. A CDU perdeu mais 36 mil votos neste último ato eleitoral (!), não indo além dos 3,30%, agravando ainda mais o cenário de há dois anos, quando registou 4,39% das intenções de voto. A queda da CDU teve um novo e rude golpe ao constatarmos que no Alentejo, outrora bastião comunista, a coligação entre o PCP e Os Verdes perdeu o seu último deputado em toda aquela região, mais concretamente o deputado do círculo de Beja, onde a CDU caiu do segundo para o quarto lugar face às eleições de 2022.

Mas nem tudo à esquerda foi mau. O Livre foi, talvez, dos partidos do arco da esquerda aquele que mais motivos teve para festejar. O partido liderado por Rui Tavares passou de um para quatro deputados, elegendo assim pela primeira vez um grupo parlamentar, que era um dos seus grandes objetivos para estas eleições. O partido teve mais de 190 000 votos (o equivalente a 3,26%), significando isto que duplicou o resultado em relação a 2022.

Por fim, o PAN, partido que teve uma meia vitória, se atendermos ao facto de que cresceu em número de votos (obteve nestas eleições cerca de 118 000 votos, depois de ter obtido pouco mais de 82 000 em 2022), mas falhou o objetivo de voltar a ter grupo parlamentar. Manteve a sua única eleita no Parlamento, no caso a porta-voz do partido, Inês Sousa Real.

Olhando agora para o “campeonato dos pequenos”, o mesmo será dizer as forças partidárias sem representação parlamentar na última Legislatura, e que na que se segue vão voltar a ficar de fora, a surpresa – ou não – deu pelo nome de Alternativa Democrática Nacional (ADN). O partido passou de 10 000 votos (0,19%), em 2022, para 100.051 (o equivalente a 1,63%) votos nestas últimas eleições! A explicação para este pequeno fenómeno, digamos, pode residir no facto de as designações nos boletins de voto entre o ADN e a AD terem sido muito semelhantes e nesse sentido levarem a que muitos eleitores votassem no partido liderado por Bruno Fialho por engano!

Falando agora de outra grande vitória nestas eleições, a abstenção, melhor dizendo, a descida significativa da abstenção. Ao contrário do que tem acontecido nos últimos atos eleitorais, o número de portugueses que se deslocaram às urnas aumentou. A taxa de abstenção foi de 33,77 %, o valor mais baixo desde 1995.

VITÓRIA AINDA MAIS CURTA PARA A AD NO DISTRITO DO PORTO

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Olhando agora para os resultados eleitorais registados no Distrito do Porto, a primeira nota a reter é o facto de a AD ter vencido, mas com uma vantagem “minúscula”. Numericamente falando, a coligação de direita obteve 30,42% dos votos, ao passo que o PS registou 30,33%, menos de uma décima! Em termos de mandatos, o PSD, que nestas eleições encabeçou a coligação da AD, manteve os 14 eleitos face ao que tinha conquistado há dois anos. Por sua vez, o PS também teve uma noite negra no nosso distrito, perdendo (em relação a 2022) cerca de 12 pontos percentuais, o que equivale a dizer que desce de 19 para 13 representantes no próximo Parlamento.

Grande vitória também no círculo eleitoral do Porto teve o Chega, que embora a nível percentual tenha ficado no distrito abaixo da média nacional, ou seja, 15,33% no distrito e 18,1 % no total nacional, mais do que triplicou os seus eleitos. Passou de dois para sete representantes pelo Círculo Eleitoral do Porto na próxima Legislatura. Ainda em comparação com as Legislativas de 2022 é fácil de perceber que o Chega foi o partido que mais cresceu no nosso distrito: mais de 10 pontos percentuais. A nível distrital o partido de André Ventura passou de quinta para a terceira força mais votada. E quem perdeu o terceiro lugar a nível distrital foi a IL, que embora tenha subido ligeiramente face a 2022 (5,75% nestas eleições face aos 5,11% de há dois anos) não conseguiu reforçar a sua representação parlamentar com deputados do nosso distrito, mantendo os dois lugares conquistados nas últimas Legislativas. Uma situação muito semelhante à do Bloco de Esquerda (BE), que apesar de também ter crescido em número de votos no distrito não conseguiu eleger mais do que dois mandatos, tal como tinha feito em 2022. Bloco e IL tiveram, aliás, resultados muito semelhantes a nível distrital daqueles que foram registados no plano nacional, respetivamente, nas casas dos 4 e 5%.

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Histórico, pela positiva, foi também o resultado do Livre no Distrito do Porto, onde elegeu um dos seus quatro deputados para a próxima Legislatura. Com uma percentagem de 3,35% (quase igual à média registada a nível nacional, de 3,26%) o partido de Rui Tavares subiu mais de dois pontos percentuais face a 2022. E quem manteve o único deputado conquistado em 2022 mas que caiu cerca de um ponto percentual face às eleições de há dois anos, foi a CDU. Os comunistas foram a sétima força mais votada no distrito, quando há dois anos haviam sido a sexta. Em termos numéricos somaram 2,36% (cerca de um ponto abaixo da média nacional, que foi de 3,30%), em contraposto com os 3,28% das últimas Legislativas.

No nosso distrito a taxa de abstenção ficou ainda mais abaixo da que foi registada a nível nacional, isto é, foi de 29,96%.

PS GANHA NO CONCELHO E NAS FREGUESIAS

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Por fim, passemos um olhar pelos resultados eleitorais de 10 de março à escala local, ou seja, como é que o nosso concelho (e por consequência freguesia a freguesia) votou nestas Eleições Legislativas.

Começando por uma leitura mais global percebemos que, ao contrário do que se passou no país, em Valongo o PS foi o partido mais votado (31,82%), seguido da AD (25,36%). Comparando com o plano nacional, no Concelho de Valongo o PS teve sensivelmente mais três pontos percentuais face à percentagem obtida no total (28,7 %) do país, e sensivelmente mais um ponto percentual do que a média distrital (30,33%). Por sua vez, a AD registou no nosso concelho menos quatro pontos percentuais do que no global nacional (29,5%) e menos cinco pontos do que a nível do nosso distrito (30,42%).

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Muito idêntica foi a intenção de votos dos cidadãos do nosso concelho no Chega, Iniciativa liberal (IL), Bloco de Esquerda (BE) e Livre, quando comparado com os resultados registados a nível nacional. Isto é, tal como no país, o Chega foi a terceira força política mais votada no concelho de Valongo, com 17,3 % dos votos, muito semelhante aos 18,1% que o partido de André Ventura registou a nível nacional. No concelho, a IL foi também a quarta força mais votada, com 5,8%, um resultado muito idêntico ao que o partido liderado por Rui Rocha obteve no país, que foi de 5,1%. Também no nosso concelho o BE ficou, à semelhança do país, com o quinto lugar, embora com meio ponto percentual acima da média nacional: 5,0% no concelho e 4,5% no país. Também o Livre teve um resultado a nível concelhio muito idêntico ao que foi obtido a nível nacional: 3,1% no concelho e 3,3% no país. E se na média do país o Livre divide o sexto lugar de partido mais votado com a CDU, no concelho isso não acontece, já que em Valongo a CDU somou 2,7%, um resultado inferior ao obtido no país, que foi de 3,3%. Realce ainda para o PAN, que no global do concelho ficou acima do resultado obtido a nível nacional: 2,7% no concelho versus o 1,9% registado no país.

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Passando agora para as freguesias, verifica-se que o PS venceu em todas, tendo sido em Ermesinde onde o partido registou uma maior percentagem de votos, 34,2 %, enquanto que na freguesia de Valongo foi onde os socialistas menos percentagem de votos obtiveram: 29,3%. A AD ficou em todas as freguesias em segundo lugar, e em todas com percentagens muito semelhantes na casa dos 25%. Tal como a nível nacional também no plano das freguesias o Chega foi a terceira força mais votada, sendo na União de Freguesias de Campo e Sobrado onde o resultado do partido de André Ventura foi mais expressivo, 19,4%. Em Ermesinde foi onde o Chega teve a menor percentagem de votação: 15%. O quarto lugar foi maioritariamente da IL, não fosse a União de Freguesias de Campo e Sobrado destoar neste cenário. Ou seja, a CDU com os seus 4,6% - mais de um ponto percentual acima da média nacional – foi a quarta força mais votada em Campo/Sobrado, superando neste território a IL, que ficou uma “unha negra” abaixo, com 4,5%. De resto, a IL foi, como vimos, a quarta força mais votada nas freguesias, sendo na de Valongo onde obteve o melhor resultado: 6,6%. Em Ermesinde foi onde o BE obteve a sua melhor percentagem, 5,4% enquanto que em Alfena a CDU obteve a votação mais baixa a nível das nossas freguesias, com 1,73%, sendo mesmo ultrapassada nas intenções de votos pelo ADN, com 1,79%.

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Por fim, elogiemos também aqui a significativa diminuição da abstenção, mesmo estando um dia de chuva. No ano em que se comemora o 50.º aniversário do 25 de Abril, os munícipes de Valongo, aderiram em massa ao ato eleitoral. Efetivamente, nestas eleições, a nível concelhio a abstenção foi mais baixa do que a que foi registada a nível nacional, isto é, foi de 30,6%, ao passo que no país foi de 33,77%. No plano das freguesias, Valongo foi onde a taxa de abstenção foi menor, com 28,25%, ao passo que Campo/Sobrado foi onde ela (a abstenção) foi mais elevada: 33%.

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DEPUTADOS ELEITOS PELO CÍRCULO ELEITORAL DO PORTO

AD (14)

Miguel Guimarães

Nuno Melo

Germana Rocha

Óscar Afonso

Alberto Machado

Andreia Neto

Pedro Roque

Francisco Covelinhas Lopes

Olga Freire

Hugo Carneiro

Alberto Fonseca

Ana Gabriela Cavilhas

Pedro Neves Sousa

Francisco Sousa Vieira

PS (13)

Francisco Assis

Rosário Gambôa

Manuel Pizarro

João Torres

Patrícia Faro

João Paulo Correia

Isabel Oneto

Tiago Barbosa Ribeiro

Joana Lima

Eduardo Pinheiro

José Carlos Barbosa

Sofia Andrade

Carlos Brás

Chega (7)

Rui Afonso

Diogo Pacheco de Amorim

Cristina Rodrigues

José António Carvalho

Marcus dos Santos

Sónia Monteiro

Raul Melo

IL (2)

Carlos Guimarães Pinto

Patrícia Gilvaz

BE (2)

Marisa Matias

José Soeiro

CDU (1)

Alfredo Maia

Livre (1)

Eduardo Pinto

Por: MB

 

 

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