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Edição de 31-05-2024
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    Arquivo: Edição de 31-10-2023

    SECÇÃO: Desporto


    ENTREVISTA

    Um olhar sobre o presente (e o passado) da Associação Desportiva e Recreativa da Gandra na hora de festejar os seus 50 anos

    Fotos MANUEL VALDREZ
    Fotos MANUEL VALDREZ
    O ano de 2023 é especial na vida da popular Associação Desportiva e Recreativa da Gandra. A coletividade, com sede na Rua de Diu, celebra no próximo dia 15 de novembro 50 anos de existência. Uma data assinalável por diversas razões, desde logo porque o associativismo de cariz mais popular vive quase sempre com dificuldades para se manter em atividade, ora por falta de apoios, ora por falta da chamada carolice de pessoas que em regime de voluntariado possam dar algum do seu tempo livre a estas associações. Mas o Gandra, apesar de viver na pele estas vicissitudes, mantém-se de pé, com as suas portas abertas e com uma enorme vontade de continuar a sua missão cultural, recreativa, desportiva e social. Isto tendo a conta as palavras de alguns dos seus dirigentes e figuras emblemáticas, com quem estivemos neste mês à conversa e em que o tema central foi este 50.º aniversário.

    José Dinis é desde 2015 o presidente da direção do clube, um homem dos 7 Ofícios dentro do Gandra, já que além do papel de dirigente ele também supervisiona diariamente – de 2.ª feira a domingo, com exceção do dia de Natal e da Páscoa! – o bar instalado na sede da coletividade, além de se encarregar de toda a limpeza da sede.

    JOSÉ DINIS, O PRESIDENTE DA DIREÇÃO
    JOSÉ DINIS, O PRESIDENTE DA DIREÇÃO
    HÁ DIFICULDADES, MAS NÃO HÁ DÍVIDAS

    Quando questionado de como vive hoje em dia o Gandra do alto dos seus 50 anos o dirigente foi pronto a responder: «a associação no dia de hoje está estável. Não temos dívidas, temos tudo pago, e isso é o fundamental». A dedicação de José Dinis ao clube é enaltecida pelos outros intervenientes desta agradável conversa. Fernando Bento, que é o sócio n.º 1 do clube, e que no passado foi, a título de exemplo, por duas ocasiões presidente da direção, diz não ter dúvidas de que se não fosse o atual presidente a assumir os destinos da coletividade esta já tinha morrido. «É difícil arranjar pessoas para vir para cá. Isto funciona tudo por carolice, pelo amor à associação, porque se não houvesse pessoas como ele isto já tinha acabado», diz Fernando Bento, ele que também esteve na comissão diretiva que fundou o clube, em 1973.

    Apesar da dificuldade em arranjar pessoas para trabalhar o clube vai-se aguentando, como nos dizem. Sócios são cerca de 100, e pagam uma quota mensal de 2 euros. Associados que na sua esmagadora maioria são da zona da Gandra, com um ou outro de fora, como Alfena, por exemplo, como explica José Dinis, mas como já ali moraram mantêm uma ligação ao clube. Outro facto que nos contam é que essa maioria de associados assenta numa faixa etária avançada, pessoas na casa dos 60 e 70 anos, ou seja, falta juventude à volta do clube no que diz respeito à filiação. António Ferreira, outro nome icónico do Gandra, atualmente o sócio n.º 2 e presidente do Conselho Fiscal, ele que também fez parte da comissão diretiva que fundou a coletividade há 50 anos, opina que os telemóveis e os tablets prendem hoje em dia mais a atenção das crianças e jovens. «O pessoal diverte-se muito com isso e não adere muito a estas coletividades. Penso que isso é um fator que afasta as pessoas daqui. E este não é um problema que acontece só na nossa associação, mas em todas». Fernando Bento é da opinião que a aproximação ao MaiaShopping também tirou muitos jovens a esta zona da Gandra, pois os jovens preferem procurar entretenimento naquela superfície comercial do que vir para estas associações.

    A este propósito e quando questionados se o facto de o clube estar localizado numa das zonas (Gandra) mais populosas da cidade de Ermesinde poder ser benéfico para este no que diz respeito ao apoio e participação da população, os nossos interlocutores são perentórios em dizer que não. «Penso que 90 por cento dos nossos sócios são daqui, mas é o pessoal mais antigo que mora nesta zona, não esta malta que vem agora para cá morar», opina Fernando Bento.

    FUTSAL E XADREZ GRATUITO

    ANTÓNIO FERREIRA, PRESIDENTE DO CONSELHO FISCAL
    ANTÓNIO FERREIRA, PRESIDENTE DO CONSELHO FISCAL

    Não se pense, no entanto, que o Gandra é desprovido de sangue jovem. Pode não existir juventude ao nível do dirigismo ou dos associados, mas nas três únicas secções que este emblema tem há muitos jovens. No futsal, por exemplo, esta época o clube já não aceita mais inscrições na sua escolinha, que conta com cerca de 20 atletas. A escolinha de futsal do Gandra, criada em 2014, é orientada pelo associado António Carneiro e é destinada a meninos dos 6 aos 12 anos de idade. Os treinos acontecem às 2.ª e 4.ª feiras, das 18H00 às 19H00, no Pavilhão Municipal de Ermesinde. Algo que hoje em dia é uma raridade no mundo do desporto de formação é que na escolinha de futsal do Gandra os meninos não pagam nada para treinar/jogar! «A escolinha é gratuita, não cobramos nada aos pais». É com o dinheiro de um apoio angariado por António Carneiro, pelo subsídio autárquico e com os fundos angariados numa ou outra festinha organizada pelos pais dos atletas que a escolinha funciona. No futsal o Gandra compete de forma puramente amadora em torneios, não em competições oficiais, digamos. José Dias informa a este propósito que no próximo dia 16 de dezembro o clube vai organizar um Torneio de Natal, no Pavilhão Municipal de Ermesinde, e que irão ser convidadas outras escolinhas de futsal do concelho para fazer parte desse evento. «Vai ser um convívio sem a vertente competitiva», explica. A escolinha de futsal do Gandra é composta por meninos de vários pontos não só da nossa cidade, como também um ou outro de fora (Rio Tinto, por exemplo).

    Além do futsal a coletividade tem também uma secção de xadrez, destinada a pequenos e graúdos, e também de participação gratuita. O ano passado a secção era composta por três casais, mais os respetivos filhos, sendo que este ano ainda não arrancou devido ao facto de o professor que ensina a modalidade não estar ainda com horário disponível. «Mas vai funcionar nos mesmos moldes do ano passado», assegura José Dias, que acrescenta que com o subsídio que a Câmara de Valongo «nos dá vai dando para comprar material, e desde que não ultrapasse o plafond vamos conseguindo», diz, ao mesmo tempo que acrescenta que não dá para ir mais além do que isto, pois dos cerca de 100 associados que o clube tem nem todos têm as quotas regularizadas. «Alguns (sócios) que se inscreveram pagaram o primeiro mês e depois nunca mais cá apareceram. É uma dificuldade», frisa o presidente da direção.

    FERNANDO BENTO, SÓCIO Nº 1
    FERNANDO BENTO, SÓCIO Nº 1
    «É O RANCHO QUE CONTINUA A DAR O NOME À ASSOCIAÇÃO»

    A terceira secção é na voz dos nossos interlocutores a mais emblemática e representativa do Gandra. É a joia da coroa. Falamos do Rancho Folclórico Infantil e Juvenil, que conta com cerca de 40 elementos. «Há muitos anos a esta parte que tem sido o rancho que dá o nome à associação. Tem participado em várias festas, e já participaram em festivais nacionais e internacionais», recorda António Ferreira, que acrescenta que o rancho apesar de já não sair para o estrangeiro, como no passado, mantém uma boa atividade, «Estivemos recentemente na Romaria de Santa Rita, nas festas de São Lourenço, na Noite Branca, na Festa da Regueifa e do Biscoito, etc.». E é a propósito do rancho que surgem nesta conversa inúmeras memórias dos tempos de maior fulgor do Gandra. Criado em 1985 pelos associados Manuel Alberto e Elisabete Sampaio o rancho arrastava multidões atrás de si, fosse para onde fosse. «Nós íamos para a Galiza e para outros pontos do norte e sul do país com excursões atrás de nós! Levávamos daqui muito pessoal, além dos elementos do rancho. Havia um entusiamo muito grande à volta do rancho», conta António Ferreira enquanto recorda que o Gandra na sua história – e através do rancho - já levou a cabo 23 festivais de folclore em Ermesinde, com grupos de vários pontos do país, bem como grupos espanhóis e até um oriundo do México, lembrando os festivais que o rancho organizava no largo da antiga feira de Ermesinde. E atualmente «é o rancho que continua a dar o nome à associação. Ensaia aqui à sexta-feira à noite, arrumamos a mobília toda à volta e eles ensaiam na sede. Mas já começam a aparecer alguns pequeninos que vêm junto com os grandes e começam a ganhar o bichinho. Vão mantendo isto vivo», frisa António Ferreira, acrescentando que há outra coisa importante a reter quando se fala no rancho. É que o género de folclore que o rancho apresenta é o mesmo desde a sua criação, ou seja, é o folclore regional do Douro Litoral, típico da nossa região. E quando se fala no rancho e no género de folclore que este apresenta um nome importante salta para cima da mesa. Israel Ferreira, uma figura popular na nossa cidade pelo seu vasto conhecimento do folclore desta região, tendo sido ensaiador de muitos ranchos quer da nossa terra, quer de outras localidades, sendo que também foi ensaiador do Rancho Folclórico Infantil e Juvenil do Gandra. Hoje, o rancho é orientado pelos associados Sérgio Teixeira e Sílvia Teixeira. «Temos estas três secções a funcionar, e tudo por carolice», sublinha José Dinis, hoje em dia aposentado da PSP.

    «Mas também no desporto esta coletividade cinquentenária guarda um passado de glória. No voleibol, por exemplo, e nos anos 80, venceu títulos regionais e jogou duas épocas (86/87 e 87/88) na 3.ª Divisão Nacional e na Taça de Portugal, sendo que à semelhança do rancho também esta equipa arrastava consigo multidões para onde fosse jogar, com excursões organizadas para locais como Covilhã, Vila Real, ou Guarda. No futebol o Gandra disputou durante vários anos os lugares cimeiros do Campeonato da 1.ª Divisão do INATEL em representação da Casa do Povo de Ermesinde.

    No futebol de salão, atualmente denominado de futsal, o clube também viveu tempos áureos na zona norte do Campeonato Nacional da 1.ª Divisão. Inclusive, e como nos conta Albano Cardoso, atual vice-presidente da direção, chegou a vender-se um jogador, de nome Manuel Ramalho. Isto nos anos 90. Jogador esse que viria, inclusive, a chegar a internacional pela nossa seleção.

    A PAREDE ONDE ESTÃO EXPOSTOS OS RETRATOS DE MUITOS DIRIGENTES HISTÓRICOS
    A PAREDE ONDE ESTÃO EXPOSTOS OS RETRATOS DE MUITOS DIRIGENTES HISTÓRICOS

    PAPEL RELEVANTE NO PLANO SOCIAL

    Hoje em dia a Associação Desportiva e Recreativa da Gandra desempenha um papel de relevo não só na cultura e no desporto da cidade como também no plano social. Diariamente, quem passa na sede da coletividade, depara-se com casa cheia. São muitos os cidadãos seniores que ali ocupam o seu tempo livre a jogar umas cartas num clima de puro convívio e diversão. «Costumamos dizer que isto (sede) é um lar de velhinhos (risos). Os velhinhos vêm todos os dias para aqui entreter-se a jogar umas cartinhas», diz Fernando Bento, ao passo que José Dias por entre sorrisos refere que a sede do clube «é uma escola sénior. Acaba por ser um centro de convívio para as pessoas. Se isto estivesse fechado para onde é que estes velhinhos iam? Há dias em que temos aqui 20 e 30 pessoas. Claro que a maioria são reformados, vêm para aqui conviver», diz o presidente da direção, que informa que a sede encerra às 22H00, algo que antes de ele tomar conta do clube não acontecia, e que à noite as pessoas só lá vão para tomar café ou ver um pouco de futebol na televisão.

    O BARCO VAI-SE EQUILIBRANDO

    Como já foi referido no início deste trabalho, o Gandra tem as

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    FOTO DA COMISSÃO DIRETIVA DA FUNDAÇÃO DO CLUBE, EM 1973
    FOTO DA COMISSÃO DIRETIVA DA FUNDAÇÃO DO CLUBE, EM 1973

    leia esta entrevista na íntegra na edição impressa.

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    Por: Miguel Barros

     

     

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