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Edição de 30-04-2024
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    Arquivo: Edição de 31-07-2023

    SECÇÃO: Cultura


    ENTREVISTA

    Original e cativante, eis o som dos Off The Vastum

    Fotos OFF THE VASTUM
    Fotos OFF THE VASTUM
    Talento, paixão e originalidade. Três características evidentes ao primeiro contacto com esta jovem banda que tem como berço o nosso concelho. E jovem porque se trata de um projeto que nasceu em 2021, mas também porque os cinco elementos que o integram bebem ainda da juventude. Eles são o corpo e a alma dos Off The Vastum, que em agosto se vão apresentar pela primeira vez ao vivo (em concerto) e a cores às suas gentes, à nossa terra. Mas já lá vamos.

    João Cardoso (voz e guitarra), Rúben Ribeiro (voz e baixo), Pedro Martins (guitarra), César Silva (voz e teclado) e José Barros (bateria), cinco amigos de longa data que formam os Off The Vastum e receberam-nos na “sucata”, a forma peculiar como chamam ao seu estúdio de ensaios e de gravação. Geograficamente falando os quatro primeiros são de Alfena, ao passo que José Barros é nosso conterrâneo, é ermesindense. Ele e Rúben sempre tocaram juntos desde que se envolveram na música. Tiveram uns três ou quatro projetos musicais, e num deles juntou-se o César. Com o João e o Pedro o baterista conta que também tem uma ligação antiga, já que os três estudaram música – e tocaram juntos, por consequência -na Artária, uma escola de Alfena. Contaram-nos que os Off The Vastum nasceram de um processo natural e sem intenção. Porquê? Zé Barros, Rúben e César integravam um projeto de rock progressivo, que por motivos de ordem pessoal mas também e sobretudo por força da pandemia não teve o rumo que todos desejavam. Ou seja, tinham já um álbum gravado, que deu bastante trabalho a construir, segundo nos contam, mas com todos os condicionantes da pandemia não foi possível apresentar o trabalho ao vivo. «Ficámos desmoralizados», recorda Rúben, ao passo que Zé Barros lembra-se de ter dito ao seu companheiro de palco que não queria mais bandas, que não queria mais compromissos musicais com ninguém, e que só queria que no estúdio de sua casa, a “sucata”, houvesse «pessoal a tocar só por diversão».

    E a esta onda descomprimida, digamos, acabou por se juntar o João e o Pedro.

    Posto isto, a química começou a funcionar, cada um tocava o que queria, «as coisas começaram a sair, mas sem intenção de criar nada, pois estávamos aqui só para nos divertirmos. Foi um processo natural que não era nada para ser sério», contam. O talento e a paixão comum pela música uniram-se à profunda amizade que nutrem uns pelos outros e que ao longo desta conversa foi visível testemunhar, e os Off The Vastum começaram a ser um caso sério!

    MISTURA DE ESTILOS CRIA SONORIDADE ORIGINAL

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    A fusão dos gostos e influências de cada um acabou por criar uma sonoridade, um estilo, original. Não é um som vulgar a quem o ouve uma primeira vez, mas antes um som que cativa pela mistura de vários estilos musicais. A base é o rock, mas depois há como que uma árvore gigante com vários ramos. «O nosso som é um bocado esquisito, é um rock um bocado progressivo, temos elementos nas nossas músicas comuns a bandas deste estilo de rock, mas muitas paragens, muito ambiente, mas também temos coisas de rock mais comercial». Influências como Pink Floyd ou Genesis estão lá, como há também referências de metalcore. «Percebe-se que há partes nas nossas músicas que são muito normais de se ouvir, mas se estivermos a ouvir durante muito tempo apercebemo-nos que as músicas são imprevisíveis. Há paragens que são imprevisíveis, e as pessoas ficam surpreendidas com o que vem a seguir. Na perspetiva de quem ouve acaba por ser algo diferente. Por exemplo, se tiver uma paragem um pouco marada a meio da música acaba por ser diferente, e isso cola-se ao ouvido de quem ouve», explicam.

    E esta combinação original é para a banda algo de «fixe», uma mistura/combinação que nas suas opiniões funciona na perfeição e por isso dizem que não têm um estilo musical definido. «E é isso que tem piada nesta banda, não termos um estilo definido. Tentamos não nós agarrar a um estilo quando estamos a criar, porque se fossemos por aí as músicas eram todas bastante parecidas. Temos músicas com partes de guitarra mais pesadas e outras com partes de guitarra calmíssimas. Tentamos ser diferentes, mas fazendo as coisas para sermos audíveis».

    ORIGINALIDADE VINCADA NO “PRIMOGÉNITO” ELECTRIFY

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    E é esta originalidade que está bem vincada em Electrify, o primeiro EP da banda, e que é composto por quatro temas. Um EP que foi todo ele produzido e gravado por estes cinco jovens. João Cardoso, a alma e o filósofo da banda, o autor da maior parte das letras, explica que essas quatro músicas estão visíveis graficamente na capa de Electrify. ”Bazooka” que é reproduzida pelo desenho de um elefante, ”Illusion” é expressa num coração e fala da ilusão que pode ser o amor, “Echoes”, e por último ”Between Your Eyes and My Heart”, um tema que aborda o suicídio. Mas tudo isto irá ser desvendado com mais detalhe no próximo dia 26 de agosto, no auditório Senhora da Paz, em Alfena. Eletrify é basicamente uma viagem de um ponto de vista pessoal, tudo o que está neste EP foram coisas que aconteceram na vida de João Cardoso, alguém que tinha já em arquivo muito trabalho escrito e pensado, e que agora foi colocado ao serviço, digamos, dos Off The Vastum. As músicas, ou a maior parte delas, já têm algum tempo, um ano sensivelmente, mas ao longo deste percurso foram sendo limadas, trabalhadas, surgindo agora de forma coesa em Electrify.

    O batismo de fogo dos Off The Vastum, ou seja, a primeira vez que atuaram ao vivo, foi o ano passado, em junho, no Festival Abarth & Friends, em Lousada, uma presença que se repetiu já neste mês de julho. «Tem sido muito positivo, principalmente ao vivo. No ano passado, no nosso primeiro concerto, houve pessoas que não conhecíamos e pediram para tirar fotos connosco no fim dos concertos. Não estávamos à espera disso!», dizem-nos. A reação do público a este projeto tem sido muito positiva, segundo contam, e Pedro conta até que outros amigos que nem ouvem este estilo de música têm parabenizado a banda de forma sincera e sentida. Lá está, são os pequenos pormenores na originalidade do estilo e som da banda que fazem a diferença, e que acabam por cativar o público, como opinam os cinco jovens. Um som que em simultâneo se apresenta agradável e impulsivo.

    Apesar de Electrify estar a ser neste momento dado a conhecer ao vivo, a banda trabalha já em novos temas, contando-nos que há já pelo menos três músicas novas prontas para integrar o próximo álbum. «Quando fecharmos este capítulo (Electrify) vamos avançar com as ideias para o próximo capítulo, e já temos quase meio álbum feito. Talvez para meados do próximo ano esteja cá fora», projetam.

    ERMESINDE E ALFENA NA AGENDA DOS PRÓXIMOS CONCERTOS

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    Mas para já os olhos estão focados em Electrify e nos concertos que estão agendados para o mês de agosto. O primeiro é já dia 12, em Recezinhos (Penafiel), sendo que depois é altura de atuar em casa. Primeiro no dia 13, nas Festas de S, Lourenço, em Ermesinde, sendo que para dia 26 está guardado um momento que dizem ser especial. Nessa noite, no auditório da Senhora da Paz, em Alfena, os Off The Vastum não vão dar apenas um concerto, mas sim oferecer algo mais intimista a quem os for ver. «No fundo vai ser um concerto para agradecer às pessoas por gostarem de nós, vai ser um momento para nos conhecerem, não só para ouvirem a nossa música mas para entenderem o que ela quer dizer. Vai ser uma noite em que vamos falar com as pessoas. Vai ser um livro aberto. Um concerto totalmente intimista num auditório bonito e icónico».

    E anteveem uma noite especial também porque este espetáculo será todo organizado pelos Off The Vastum. O cenário, o staff, a decoração da sala, está a ser tudo preparado e idealizado pela banda. Este concerto de Alfena será também uma espécie de materialização da parceira entre os Off The Vastum e a Associação Académica e Cultural de Ermesinde (AACE). Na voz de todos os elementos da banda esta ligação com um ícone da cultura do nosso concelho, como é o caso da AACE, tem sido muito proveitosa para um grupo que está ainda a dar os seus primeiros passos. E todos os membros enaltecem e agradecem o apoio da AACE e do seu presidente, Constantino Moreira, por os ajudar nesta sua paixão comum, que é a música. «O senhor Constantino e toda a restante AACE têm sido incansáveis, tem sido muito bom trabalhar com eles, pois não era qualquer entidade que nos iria dar esta liberdade para mostrar o nosso trabalho. Agradecemos imenso este apoio».

    A título informativo é de referir que as pulseiras para o concerto – que terá início às 21H30 - de 26 de agosto já se encontram à venda e têm um custo de 4 euros. As pulseiras podem ser adquiridas junto da banda ou de elementos da AACE, tendo para isso os interessados que entrar em contacto (através das redes sociais, por exemplo) com uma destas entidades. Ao comprar a pulseira as pessoas terão direito, no final, a uma surpresa! A primeira parte deste espetáculo ficará a cargo dos “Vilar Meets Vincent”, uma banda de Alfena e muito amiga dos Off The Vastum.

    «Apareçam, que vão-se divertir», apelam os Off The Vastum, que acima de tudo querem também eles continuar a divertir-se ao tocarem juntos. «E quando isso acontece é a melhor forma de crescermos», opina César, ao passo que Zé Barros confessa que a banda adora tocar ao vivo, sendo pois que os convites que têm surgido é uma consequência disso, desse gosto. «Nunca idealizamos as coisas, mas trabalhamos para que elas acontecessem, e seria ideal até ao fim do ano termos uma data por mês, por exemplo, para não perdermos dinâmica», dizem os Off The Vastum.

    E porquê este nome? A resposta foi proferida com algum sentido de humor. «Basicamente chamamos este estúdio de sucata, e vastum em latim é significado para desperdício. E nós como em tom de brincadeira sempre nos referimos a tudo o que fazíamos como entulho, resolvemos chamar assim à banda. Nós estamos aqui na sucata, e sempre estivemos, e quando saímos vamos para fora dela… off the vastum».

    Original no mínimo, como aliás todo o trabalho desta banda.

    Por: Miguel Barros

     

     

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