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    Arquivo: Edição de 30-04-2023

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    NOTICIAS DA UNIVERSIDADE SÉNIOR DE ERMESINDE

    Visita a Abrantes

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    No âmbito da disciplina de Sociedade e Cidadania, realizou-se no passado dia 29 de março, uma visita de estudo, dos alunos da Universidade Sénior de Ermesinde (USE), com a presença e apoio informativo dos professores Ilda Pinheiro e Manuel Dias, à lendária cidade e sede do concelho de Abrantes, com 714km2, 34.500 hab. e 13 freguesias, no distrito de Santarém. O povoamento desta região remontará a 990 a.C.. Por aqui passaram Romanos, Visigodos, Árabes, e haveria de afirmar-se a portugalidade (séc. XII), por referências a D. Afonso Henriques, o nosso rei Fundador (1109-1185), bem como dos monarcas sucedâneos, da nossa história. Diz-se que os Romanos lhe chamavam Tubucci, os Visigodos - Aurantes, e os Árabes – Líbia, outras referências toponímicas de 1153 referem Ablantes.

    Esta visita teve o beneplácito de S. Pedro, que proporcionou um dia solarengo para a agradável viagem em autocarro, tendo os 244 km de distância sido percorridos até à cidade de Abrantes, pelo grupo em alegre convívio, porque neste predomina a amizade, e o interesse em conhecer os encantos e recantos da nossa história. Na chegada junto às muralhas do Castelo, o grupo foi acompanhado por uma guia municipal, subindo o caminho pedestre com vista panorâmica para a cidade e para o rio Tejo e chegar ao terraço dos jardins do castelo, onde se desfruta duma paisagem deslumbrante do rio Tejo, dos sinais dos antigos embarcadouros do porto fluvial, nas terras ribeirinhas a sul, algumas ainda do concelho de Abrantes, donde chegavam e partiam os produtos agrícolas, de e para Lisboa. Na entrada, no jardim florido, o monumento a D. Francisco de Almeida 1º Vice-Rei da Índia, da autoria do mestre Barata Feyo e erigido em 1972 em honra deste notável abrantino de linhagem senhorial da família dos Almeidas, um dos responsáveis pela expansão portuguesa, na era dos Descobrimentos.

    Depois das fotos da praxe, o grupo deslocou-se para a entrada na fortaleza, passando pela porta principal, pelo painel informativo dos acontecimentos importantes da cidade e do castelo ao longo dos tempos, e pelo edificado da fortificação medieval e fachada abaluartada do palácio dos alcaides ou governadores, “Casa de Abrantes”, construído no séc. XVII por D. Diogo Fernandes de Almeida, pela Pedra de Golias e pelo Panteão dos Almeidas, Monumento Nacional, na Igreja de Santa Maria do Castelo. Em 14 de junho de 2021 foi inaugurado como Museu Funerário Panteão dos Almeidas, como aposta do município na divulgação do seu património e da história de Abrantes. Edifício apalaçado, de estilo gótico manuelino, a igreja mandada construir por D. Afonso II em 1215. Nos reinados subsequentes as muralhas do Castelo foram sendo recuperadas tendo no seu interior sido construída uma Torre de Menagem por D. Dinis no ano de 1300. Para valorizar a capacidade defensiva do castelo foram posteriormente construídas outras torres e outra porta de acesso chamada “porta da traição”. A igreja foi destruída pelo terramoto de 1429, e, de 1433 a 1451, reconstruída por D. Diogo Fernandes de Almeida alcaide-mor de Abrantes, de nave retangular e capela-mor. No final do séc. XV são construídos, na Capela-mor os túmulos de D. Diogo e de seu filho D. Lopo de Almeida, 1º Conde de Abrantes; na nave da igreja, o túmulo do 2.º Conde D. João de almeida, em 1512; e no final do séc. XVI os túmulos de D. João e de D. António Almeida. Em campa rasa na entrada da igreja, no séc. XVIII foi sepultado D. Rodrigo Anes de Almeida Meneses, primeiro marquês de Abrantes, fundador da Real Academia Portuguesa de História. A descrição desta família está patente, nos painéis de vidro informativos, bem como no balcão digital interpretativo.

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    Os Alunos da USE puderam apreciar nesta igreja, o seu acervo, os elementos arquitetónicos dos túmulos parietais, no retábulo do altar-mor, existia o painel “Adoração dos Magos” do século XVI (atualmente exposto no MIAA), uma parte de azulejos hispano-árabes de “corda-seca e de aresta” e um conjunto de pinturas murais muito antigas que datam do século XV. No terraço exterior, do espaço intramuralhas visitou-se a torre de menagem, para usufruir da observação total das cercanias das terras do Ribatejo do Alentejo e das Beiras.

    Foi nesta igreja de Santa Maria do Castelo, que aconteceram eventos importantes da historia de Portugal, designadamente o Conselho de Guerra da Batalha de Aljubarrota, em 1385, onde D. João I e D. Nuno Álvares Pereira acordaram combater os espanhóis em São Jorge, bem como se fez o Conselho de Guerra da afirmação da independência de Portugal.

    No Parque Municipal de S. Lourenço, lugar aprazível de pinhais, com trilhos e percursos pedestres, e um restaurante chamado “Trincanela”, degustou-se um bom almoço de menu completo, em regime self-service.

    Regressados à urbe para caminhar e conhecer mais um pouco a parte antiga, apreciar a Igreja de S. Vicente, a Igreja de São João Baptista (monumento nacional do séc. XII) e desembocar no Jardim da República, para a visita ao Antigo Convento de São Domingos, séc. XVI, monumento de maior valor de Abrantes, que no seu conjunto reúne o Museu Ibérico de Arqueologia e Arte (MIAA) e a Biblioteca António Botto. A conservação e divulgação deste valioso espólio arqueológico, foi o objetivo da criação deste Museu, projeto museográfico do Prof. Fernando António Baptista Pereira, para dar a conhecer aos visitantes as coleções de Arqueologia e Arte, desde a pré-história até aos dias de hoje. A Dr.ª Filomena Gaspar, arqueóloga e guia municipal, recebeu o grupo e elucidou com muita informação interessante, detalhes dos artefactos históricos expostos.

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    Saindo de novo o grupo, para o Jardim da República, para usufruir das sombras refrescantes das árvores e dos aromas das flores, que nos recantos das ruelas do centro histórico, são elas também um ex-libris desta cidade, pois é conhecida como “Cidade Florida” desde 1916, graças ao seu mestre jardineiro Simão Antonio Vieira, o grupo percorreu os lugares importantes como: a rua Maria de Lurdes Pintassilgo com a casa onde viveu, a praça Raimundo José Soares Mendes, com as esculturas em bronze de Óscar Guimarães, intitulada “Fonte das 3 Marias” e para conhecer um pouco da história gastronómica da doçaria conventual, da chamada “Palha de Abrantes”, os alunos deslocaram-se à pastelaria do mesmo nome, situada na praça Barão da Batalha. A tradição popular antiga relaciona o nome “Palha de Abrantes” com a palha, que passava no porto fluvial do Tejo vinda do Alentejo, para fornecer os estábulos de Lisboa.

    Este doce tem origem no excesso de gemas de ovos que sobravam após a engoma da roupa dos padres e freiras dos conventos da cidade, tarefa na qual eram utilizadas as claras de ovos. A tradição popular atual liga o nome “Palha de Abrantes”, imagem/cor da palha, com a cor dourada dos fios de ovos deste delicioso doce.

    Satisfeita a curiosidade e a degustação, o grupo cansado mas satisfeito por este inesquecível passeio cultural e por ter “comido a palha de Abrantes”, (gemas de ovos e amêndoas com fios de ovos levemente tostados ao forno), dirigiu-se ao fim da tarde ao autocarro para o regresso a casa.

    Joaquim Almeida

     

     

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