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Edição de 30-06-2022
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    Arquivo: Edição de 31-01-2022

    SECÇÃO: Crónicas


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    A GUERRA COLONIAL PORTUGUESA (29)

    E a guerra alastra a Moçambique

    Goradas que haviam sido todas — e muitas foram! — as tentativas de alcançar a independência desta ex-colónia pela via negocial oportunamente realizadas entre os diversos representantes dos vários movimentos nacionalistas surgidos no pós-guerra (2.ª Guerra Mundial), entretanto quase todos fundidos na FRELIMO (Frente de Libertação de Moçambique) e o governo português, enquanto potência colonizadora, Eduardo Mondlane, então, líder daquele movimento, decide avançar para a luta armada. E tudo começou com pequenos ataques a postos da administração colonial levados a cabo por grupos muito reduzidos de guerrilheiros, uns dez a quinze, em média, a partir das suas bases instaladas na vizinha Tanzânia, mas que contavam já com o apoio logístico das populações locais. Consta que, por essa altura, o contingente militar da FRELIMO se cifraria numas escassas duas centenas e meia de combatentes, recrutados entre a população autóctone. Contudo, três anos após, por conseguinte, em 1967, o mesmo já rondaria os oito milhares de combatentes, bem preparados e equipados para a luta de guerrilha. Refira-se, a propósito, que Portugal, mal a luta pela independência no território moçambicano se iniciou, enviou para aquela colónia/província dez mil militares, número que, em 1967, já ascendia aos quase vinte e quatro mil, logo, o triplo daqueles.

    Ora, de entre os ataques perpetrados pelos independentistas, o mais significativo e aquele que, por isso mesmo, passou a ser oficialmente considerado o acender do rastilho da guerra naquela colónia/província foi o ataque ao posto administrativo de Chaí, no, então, distrito, atual província de Cabo Delgado e ao seu congénere de Cobué, no distrito de Niassa, em 25 de setembro de 1964. Nesse mesmo dia, os líderes da FRELIMO, dirigindo-se ao povo moçambicano, através dum comunicado constante de vários panfletos distribuídos à população, proclamavam: “A luta armada é a única via que permitirá ao povo moçambicano realizar as suas aspirações de liberdade, de justiça e de bem-estar social”. E, demonstrando a sua determinação, concluíam com a sua palavra de ordem: “… liquidação total e completa do colonialismo português”.

    A província de Cabo Delgado situa-se no norte do território, fazendo fronteira com a Tanzânia, donde os guerrilheiros da FRELIMO recebiam, como se disse, apoio logístico. Era a região moçambicana onde se concentravam os principais grupos étnicos, de religião animista, que se opunham à presença colonial portuguesa e que, por isso mesmo, mais apoio prestavam aos nacionalistas maioritariamente constituídos por Macondes. E fizeram-no com tal ímpeto, com o apoio externo de Cuba, União Soviética, Alemanha Oriental e China, quer em termos de fornecimento de material bélico quer de instrutores militares, e interno das próprias populações autóctones, que, em menos de um ano, já controlavam as zonas rurais dos distritos de Cabo Delgado e Tete, estando, à época, as tropas portuguesas confinadas aos principais centros urbanos.

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    De ataques pontuais a postos administrativos, a FRELIMO, rapidamente e à medida que mais guerrilheiros ia recrutando para as suas fileiras, passou a utilizar outros recursos da técnica de guerrilha convencional, nomeadamente, sabotagem de caminhos de ferro, de meios de comunicação, execução de emboscadas a patrulhas, colocação de minas nos itinerários utilizados pelas tropas portuguesas, etc.

    Em 1967, calcula-se que 14% da população e 20% do território já seriam controlados pela FRELIMO, apesar das suas dissensões internas, já que uma fação era pró-ocidental e a outra, a que veio a prevalecer, pró-soviética, tendo como um dos seus grandes propulsores Samora Machel que, no pós-independência, se veio a tornar Presidente da República daquela novel nação. Por essa altura, o líder do movimento independentista, Eduardo Mondlane, solicitou apoio externo aos países da sua filiação política, tendo recebido diverso tipo de armamento moderno, particularmente da União Soviética e da China, a saber: metralhadoras pesadas, armamento antiaéreo, lança-granadas-foguete, espingardas de diversos tipos e calibres, entre outro material bélico.

    A primeira reação massiva a esses ataques foi levada a cabo pelas tropas portuguesas em julho de 1965, através da designada “OPERAÇÃO ÁGUIA”. Teve a mesma início no dia 2 de julho, sendo o efetivo constituído por dois batalhões de caçadores e uma bateria de artilharia. De acordo com a ordem de operações, a sua missão era “realizar uma nomadização contínua no tempo e tão vasta quanto possível no espaço e desenvolver uma actividade destinada a simultaneamente exercer uma acção de presença junto das populações, destruir os elementos armados que entre elas se acoitam, destruir instalações caracteristicamente terroristas, furtando assim aos bandos inimigos todo o apoio por parte das populações, comprometidas ou não”, em toda a área situada entre os rios Rovuma e Messalo.

    Inicialmente planeada para a execução de golpes de mão a locais, aldeias e afins, que se suspeitasse constituírem refúgio dos ditos “terroristas” ou “turras”, não tardou que, taticamente, se evoluísse para uma prática de batidas, face aos constantes ataques e flagelações infligidos às tropas portuguesas, nos locais mais díspares, em que o perigo se vinha revelando omnipresente, quer em termos de ações hostis quer quanto a meios utilizados, cada vez mais sofisticados e letais, bem patentes no número de baixas, incluindo o derrube de aeronaves militares em ações de combate. O saldo veio a cifrar-se num número significativo de baixas, entre mortos e feridos, nas hostes lusas, com todos os danos morais e psicológicos que daí naturalmente resultam para os combatentes.

    (...)

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    Por: Miguel Henriques

     

     

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