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Edição de 31-12-2021
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    Arquivo: Edição de 20-10-2021

    SECÇÃO: Crónicas


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    A GUERRA COLONIAL PORTUGUESA (25)

    Reação em força: a Reconquista

    Na sequência da tentativa frustrada de golpe de Estado liderado pelo General Botelho Moniz, episódio conhecido por “Abrilada”, de que já aqui falámos, o então presidente do conselho de ministros, Prof. Doutor Oliveira Salazar, que acabara de assumir, ele próprio, a pasta da Defesa Nacional, procedeu de imediato à substituição das chefias militares na colónia/província ultramarina de Angola.

    Com efeito, logo nos dias 6 e 23 de junho desse mesmo ano de 1961, chegam à àquele território ultramarino as novas chefias militares, respetivamente, o General Carlos Silva Freire, acumulando os cargos de governador-geral e comandante-chefe e o General Piloto-Aviador Venâncio Deslandes que, de imediato o substituiu nessas mesmas funções. Ao general Silva Freire coube o papel de organizar a reconquista dos territórios ocupados pelos “terroristas”, insurgentes da UPA, tendo desde logo recebido instruções de Lisboa no sentido de “andar depressa e bem”, tendo em vista alcançar tal desiderato, ou seja, o pleno controlo e consequente pacificação do território, ainda antes da realização da assembleia geral da ONU, a ter lugar em meados de setembro, por conseguinte, daí a uns escassos três meses.

    Assim, e como primeira medida implementada, foi desde logo criada a ZIN (Zona de Intervenção Norte), devendo toda a atividade militar a desenvolver na região concentrar os seus esforços na consecução dos seguintes objetivos: interditar a fronteira com o ex-Congo Belga à entrada de forças inimigas e bem assim cortar-lhes as linhas de abastecimento a partir do mesmo; atacar os rebeldes nos seus redutos, desalojando-os; rasgar vias de penetração que permitissem o mais rápido acesso às zonas ocupadas pelos mesmos; proporcionar segurança, bem como outros apoios urgentes e necessários à população; restaurar a administração civil.

    Estrategicamente, logo cuidou de organizar os preparativos para a designada “Operação Viriato”, mobilizando para o efeito várias unidades militares de diversas especialidades, tendo em vista a reconquista do autoproclamado “Reino de Nambuangongo”, o qual, apesar de ainda muito recente, vinha já causando algum sucesso junto de certos meios internacionais, com o consequente dano a nível interno no que toca à inviolabilidade do então considerado território pátrio.

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    Antes, porém, ainda em maio, já algumas unidades de infantaria desembarcadas no dia 1 haviam ocupado várias localidades próximas da fronteira (Maquela do Zombo, Santa Cruz, Sanza Pombo, Damba, São Salvador, Cuimba) superando diversos obstáculos, como sejam bloqueios das vias de circulação (picadas) com enormes abatises, pontes e pontões destruídos, valas profundas, etc., por vezes, debaixo de fogo inimigo. Ao mesmo tempo, unidades de fuzileiros, desembarcados em Ambriz, Ambrizete e Santo António do Zaire, tomavam posições em Tomboco, Quinzau e Quelo. A progressão no terreno é tão lenta que só em princípio de julho fica concluída. Pode até parecer estranha tanta lentidão, mas só quem viveu uma situação destas sabe o quão morosa é a progressão numa picada que se suspeita estar minada. Todo o terreno tem de ser minuciosa, rigorosa e exaustivamente “radiografado”, esquadrinhado ao centímetro quadrado, com o recurso a picas, espécie de varetas de madeira e ponta metálica que se vão espetando no chão a fim de detetar objetos estranhos, metálicos ou não, as famigeradas minas, sejam elas anticarro ou anti-pessoal, ali eventualmente colocadas, bem dissimuladas para não serem vistas e poderem explodir ao serem pisados. E, naquele contexto, suspeitas todas as picadas ou simples trilhos o eram, não havia, pois, como facilitar. E se a este já de si lento e penoso progredir juntarmos a necessidade de remover, muitas das vezes, a pulso, os abatises (troncos de árvores de diferentes tamanhos e calibres atravessados na via), alguns deles mesmo armadilhados, o ter de contornar as profundas valas, ter de reagir a eventuais emboscadas…

    Manda a prudência que, antes de se avançar para qualquer objetivo desta natureza, há que fazer o reconhecimento ao local onde a ação se vai desenrolar ou por onde as tropas têm de passar. Daí que algumas das ações prévias ao arranque das colunas para Nambuangongo mais relevantes, tenham sido, por exemplo, as que couberam ao Batalhão 96, formado no BII 18 (Batalhão Independente de Infantaria 18), em Ponta Delgada, sob o comando do tenente-coronel Armando Maçanita e bem assim a que foi atribuída ao 3.º pelotão da C. Caç. 115, estacionada no Caxito.

    A primeira teve lugar em finais de maio e consistiu em garantir a segurança no corredor entre o Caxito e a Ponte do Dange. Ao longo do percurso, desencadeiam-se os primeiros confrontos armados entre grupos de indígenas, atacando, às centenas, aos gritos e armados de canhangulos, catanas e paus. Crentes de que as balas dos colonos brancos não matam e de que, se acaso morrerem, logo ressuscitarão, enfrentam a fuzilaria de peito aberto. Rezam as crónicas que as forças militares portuguesas, por isso mesmo e quiçá no intuito de poupar vidas humanas, terão mesmo recebido ordens superiores no sentido de agir segundo a crença indígena, isto é, passarem também a decapitar cadáveres das vítimas e espetar as respetivas cabeças no cimo de estacas, para os guerrilheiros perceberem que, afinal, os mortos não ressuscitariam e, assim, não se afoitarem tanto em combate.

    (...)

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    Por: Miguel Henriques

     

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