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Edição de 31-12-2021
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    Arquivo: Edição de 20-10-2021

    SECÇÃO: Crónicas


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    A Terra dos meus antepassados

    Há longo, longo tempo que não ia à terra dos meus antepassados. Hoje por motivos de força maior meti-me à estrada. Terra nascida nas fraldas da serra do Marão, terras de xisto, trabalhada pela força humana, que dela fizeram brotar as castas do saboroso néctar do vinho do Porto.

    Às visitas, ou a quem por lá aparecesse eram ofertados copos de vinho. Era o que todos tinham e dava-se o que se tinha. A calçada de paralelos já não me dá as boas vindas. A ramada onde outrora o meu avô se abrigava do sol de verão é uma garagem. Sento-me numa laje de pedra e contemplo a paisagem vinhateira, ora com socalcos antigos ora com vinha nova.

    Se quero cinco tostões? Se mo deres. Mas não é para tabaco? Sabes que é onde o vou gastar. Olha, hoje não dá para nada. A sério, hoje a moeda é o Euro. Um homem deve trazer sempre dinheiro nem que seja um centavo. Pois, um cêntimo de euro representa dois escudos. Não, não estamos todos ricos, continuamos é ainda mais pobres.

    Eu sei que trabalhavas de sol a sol por dois réis. Os teus filhos trabalharam no campo desde os oito anos, para ajudar a casa. Hoje eras logo preso. Bastava a denúncia de um vizinho ou até deles. Claro que lhes dão educação, mas sem trabalhar ou bater, a falar é que a gente se entende. Modernices?! Por falar nisso, a calçada da rua está alcatroada. Claro que não nos doem os pés. Já não se vai à fonte de baixo buscar o cântaro de água. Era uma festa da canalha, a ver qual chegava lá primeiro. Bebia-se uma golada daquela água férrea e sempre fresca e lá se vinha com ele cheio à cabeça. Hoje a fonte quase não existe, está meia subterrada. Canalha também já não há. Os fontanários da aldeia já não têm água. Foi para obrigar as pessoas a ter água canalisada em casa.

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    Não, já não mandamos nada. As pipas e os túneis já foram vendidos ou as suas madeiras serviram para aquecer as casas no inverno. Agora já não se faz vinho em casa e é armazenado em cubas de inox. Deve ser bom? As quintas passaram a ser solares. Engarrafam o próprio vinho, com enólogos a misturarem as castas para se ter outra qualidade. Uma mistela?! Tens que evoluir, então! A paisagem está a mudar. O jardim que as videiras faziam parecer deu lugar a terra não plantada. As vinhas agora têm calços com dois bardos, um junto à parede e outro na ponta. Os restantes foram retirados para passarem os tratores. Devemos ser todos ricos por dar cabo de tudo? Não há gente. A aldeia está reduzida a meia dúzia de velhos.

    Os novos? Os novos foram à procura de melhor vida para as cidades. Já nem escola temos, as casas estão fechadas, os netos vendem todas as velharias que encontram nos lagares. A estrada que passa lá em baixo, agora dá pelo nome de Nº 2. É a mesma é. Viste o primeiro carro a vapor a passar nela! Foram todos a correr com cavacos, porque ficou sem carvão e mesmo assim teve que ser empurrado. Foi melhor que a Sr.ª dos Remédios!! Há dois anos que não temos as romarias. Eras bem gaiteiro. Um ano ainda fomos os dois e querias que eu me metesse com aquela moça que mais parecia a minha mãe.

    Não há, porque temos uma epidemia. Devíamos cheirar alecrim e outras ervas aromáticas e defumarmos as casas. Olha se calhar até era uma boa ideia. Eu sei que quando tinham bolhas nas mãos abriam a breguilha e lavavam-nas. Hoje isso é impensável! Somos uns doutores?!

    (...)

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    Por: Manuel Fernandes

     

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