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Edição de 30-06-2022
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    Arquivo: Edição de 20-09-2021

    SECÇÃO: Local


    ENTREVISTA COM OS AUTORES DO LIVRO “A ARTE DE FABRICAR BRINQUEDOS EM PORTUGAL”

    «Os brinquedos de Alfena e Ermesinde eram vendidos um pouco por todo o país»

    A apresentação do livro intitulado “A Arte de Fabricar Brinquedos em Portugal - o Contributo de Alfena e Ermesinde” realizou-se no Centro Cultural de Alfena, no passado dia 17 de julho. Esta iniciativa integrou-se no programa comemorativo das Festas da Cidade de Alfena, que evocou os 10 anos de cidade.

    “A Voz de Ermesinde” entrevistou os autores: António Jorge Nunes Ribeiro (natural de Alfena, licenciado em História, foi o coordenador da equipa), Américo Jacinto de Sousa Marques (natural de Alfena, licenciado em História) e Carlos Aníbal Marques de Magalhães (natural de Valença, doutoramento em Estudos de Património/Museologia).

    Trata-se de uma publicação de referência, nesta temática, com qualidade de excelência tanto no que se refere ao conteúdo, como no que respeita ao aspeto gráfico. O design e a paginação estiveram a cargo de Cátia Leite de Sousa, enquanto o responsável pela fotografia foi José Manuel Soares. A impressão foi da Gráfica Maia Douro. Os interessados na aquisição da obra poderão fazê-lo na Junta de Freguesia de Alfena.

    Fotos MANUEL VALDREZ
    Fotos MANUEL VALDREZ
    Colocámos várias questões aos autores que, com muita simpatia, foram respondendo, ora um ora outro, conforme entenderam ser melhor.

    A Voz de Ermesinde (AVE) – Quais foram os objetivos da presente publicação?

    Américo Marques (AM) – Quando há dezasseis anos o então executivo da Junta de Freguesia de Alfena decidiu que era tempo de salvaguardar um património identitário da freguesia que se estava a perder, o chamado Brinquedo Tradicional Português, depressa se percebeu que a dimensão dessa herança ultrapassava os limites da freguesia e se estendia às freguesias vizinhas, nomeadamente a Ermesinde e de forma mais ampla a todo o país.

    Ao longo dos últimos mandatos, impulsionada e apoiada pelos vários executivos da Junta de Freguesia de Alfena, foi desenvolvida uma rede de contactos e de profícuas relações por todo o país, com estudiosos, colecionadores, antiquários e museus, dos quais relevamos o Museu da Ciência da Universidade de Coimbra, Museu Nacional dos Biscainhos, Museu do Brinquedo de Seia e o Museu do Brinquedo de Ponte de Lima, que permitiu coletar um acervo único e impossível de replicar, de brinquedos, conhecimentos, documentos e equipamentos industriais.

    Esta tarefa personalizada em Jorge Ribeiro, entretanto reconhecido pelo mundo do colecionismo e museológico como autoridade na matéria, teve em paralelo um trabalho minucioso de recolha, pesquisa, estudo e de arqueologia industrial.

    A marca entretanto criada, “Alfena Terra do Brinquedo”, foi crescendo até se tornar icónica um pouco por toda a parte e logomarca do Concelho de Valongo.

    Mas era necessário que esta marca tivesse sustentação cultural, técnica e científica, que respondesse à pergunta “Alfena Terra do Brinquedo”, porquê?

    Assim sendo, a Junta de Freguesia de Alfena, e consequentemente os Alfenenses, proprietários de uma grande coleção, tornou-se necessário encontrar um meio de divulgação deste património e da história a si associada.

    Naturalmente e de forma consensual chegamos à conclusão de que o melhor veículo para essa mesma divulgação, era a edição de uma obra que retratasse de forma estruturada e fundamentada a história da criação e desenvolvimento desta indústria.

    A Junta de Freguesia de Alfena delegou em nós a tarefa de redigir o livro que agora se apresenta e que, passe a imodéstia, ajuda também a fundamentar o investimento que está a ser feito na Oficina do Brinquedo Português, em Alfena.

    AVE – Certamente conheceram dificuldades e obstáculos que tiveram de superar. Querem falar-nos deles?

    Jorge Ribeiro (JR) – Esta questão é muito pertinente, porque as dificuldades e os obstáculos foram efetivamente muitos. Quando a Junta de Freguesia de Alfena decidiu avançar para este projeto, o brinquedo de Alfena e de Ermesinde não tinha sido objeto de estudo, apenas existiam referências esporádicas sobre o tema.

    Esta realidade obrigou-nos a fazer um levantamento aturado junto dos fabricantes, familiares e trabalhadores, o que nem sempre se revelou muito fácil porque, entretanto, muitas das empresas já tinham encerrado portas.

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    Acresce o facto de as fontes escritas não serem abundantes, o que obrigou a muitas horas de investigação em arquivos e bibliotecas com resultados nem sempre satisfatórios.

    Foi necessário fazer trabalho de arqueologia industrial, assim como a recolha de objetos em lojas e feiras de antiguidades, consolidando desta forma a investigação em torno da História do Brinquedo de Alfena e Ermesinde.

    Também a pandemia veio complicar um pouco o nosso trabalho, ainda que estivéssemos já na reta final. Este contratempo obrigou à reformulação do plano inicial, que previa o lançamento da obra “A Arte de Fabricar Brinquedos em Portugal – O Contributo de Alfena e Ermesinde”, ainda no decorrer do ano de dois mil e vinte.

    A finalizar gostaríamos de sublinhar que foi graças à extraordinária colaboração da família de José Augusto Júnior, da família de Augusto José, da família de Augusto de Sousa Martins, da família Moura, da família de Manuel da Rocha Ferreira, da família de Armindo Moreira Lopes, da família Carneiro, da família de César Duarte Ferreira, da família de Salvador Estrela, da família de António Moreira, da família de Daniel Malheiros, da família de Carlos Moutinho, da família de Miguel Osório, da família de Manuel Pereira e Maria Ester da Silva, da família de Ernesto Gonçalves, da família de Manuel Moreira da Silva, da família de Manuel Marques, assim como da Paula Marques relativamente ao fabricante Salvador Miranda, todas elas importantes na superação das dificuldades e obstáculos que foram surgindo ao longo deste percurso.

    AVE – No livro nota-se que houve um interessante esforço de contextualização histórica na produção dos brinquedos, nestas antigas duas freguesias de Valongo. Podemos considerar que surgiram mais ou menos ao mesmo tempo em ambas, ou uma precedeu claramente a outra? (por ex. Agostinho Carneiro, ligado a S. Paio, já produziu brinquedos no séc. XIX?).

    Carlos Magalhães (CM) – Respondendo à pergunta, podemos considerar que o fabrico de artigos em madeira, provavelmente originário de Silva Escura, Concelho da Maia, teve o seu enfoque inicial em S. Paio, Ermesinde, logo se propagando a Alfena, e que o fabrico em folha-de-flandres teve o seu início no lugar da Aldeia Nova, em Alfena, com Augusto José, pai do icónico fabricante José Augusto Júnior, criador das marcas JAJ e JATO, e pouco depois, quase em simultâneo, com Luciano Moura, que entre outros atributos foi presidente da Câmara Municipal de Valongo, no período da 1.ª República.

    AVE – Ficamos também com uma ideia dos materiais, técnicas e nomes de famílias fabricantes. Podemos afirmar que há uma especialização de tipo de brinquedos, de uso de determinadas matérias-primas, mais típico de um lugar (por exemplo, S. Paio utilizar mais a madeira), ou aparecem nas duas freguesias brinquedos do mesmo tipo e com o recurso às mesmas matérias-primas?

    JR – Os materiais e as técnicas são transversais às duas freguesias, não existindo uma especialização muito notória, sobressaindo apenas o facto de alguns fabricantes usarem uma única matéria-prima na produção, como são os casos da família Carneiro, em Ermesinde, ou o Manuel da Rocha Ferreira, em Alfena, que utilizaram apenas a madeira, ou ainda o Armindo Moreira Lopes, em Alfena, que usou somente a folha de flandres.

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    AVE – Referem, a certa altura, que os nossos brinquedos são uma imitação de brinquedos estrangeiros. Mas não há nenhuma espécie de originalidade?

    CM – Os nossos brinquedos são, em parte, uma reprodução de alguns modelos estrangeiros (brinquedos “tipo Nuremberga”, como se lê no folheto de um dos fabricantes), mas não se limitam a isso, porquanto contêm uma inventividade que os tornam únicos e muito procurados, quer na volumetria quer na pintura das peças.

    É assim necessário desmistificar esta ideia da imitação que alguns colecionadores têm atribuído aos brinquedos tradicionais portugueses, uma vez que os nossos fabricantes e os seus trabalhadores, neste cantinho à beira-mar plantado, foram os grandes obreiros de um produto original e criativo, usando de algum improviso, tanto na utensilagem como nas peças produzidas.

    AVE – Fazem alguma ideia das localidades onde eram vendidos os brinquedos produzidos na região?

    CM – Os brinquedos de Alfena e Ermesinde eram vendidos um pouco por todo o país, nas feiras, festas populares, lojas de utilidades e bazares.

    Outro mercado importante eram as ex-províncias ultramarinas, sendo certo que na década de cinquenta foi também aventada a possibilidade de exportação em massa para países estrangeiros, mas a nossa indústria caseira e semi-industrial, apesar do seu dinamismo e vigor, não comportou tal desiderato.

    E a estação ferroviária de Ermesinde desempenhou um papel importante no transporte dos brinquedos para todo o lado.

    (...)

    leia esta entrevista na íntegra na edição impressa.

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    Por: Manuel Augusto Dias

     

     

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