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Edição de 20-09-2021
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    Arquivo: Edição de 30-06-2021

    SECÇÃO: Destaque


    COMEMORAÇÕES DO CENTENÁRIO DOS BOMBEIROS VOLUNTÁRIOS DE ERMESINDE

    Bombeiros Voluntários de Ermesinde celebram 100 anos da sua longa e altruísta caminhada

    1 de junho de 1921 é hoje uma data histórica para a nossa comunidade, já que neste longínquo dia foi fundada oficialmente a Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Ermesinde (AHBVE). 100 anos passaram desse ponto de partida, 100 anos de uma longa e altruísta caminhada que agora se comemora com honra e glória. E ao longo de junho foram vários os apontamentos festivos para assinalar esta efeméride, sendo que nós estivemos presentes na esmagadora maioria deles, e deixamos aqui nas linhas que se seguem um apanhado desta histórica data para os nossos bombeiros.

    Fotos MANUEL VALDREZ
    Fotos MANUEL VALDREZ
    O ponto alto da comemoração dos 100 anos de vida da AHBVE aconteceu porventura no Fórum Cultural de Ermesinde, palco da sessão solene que foi presidida pela Secretária de Estado da Administração Interna, Patrícia Gaspar. Nessa sessão comemorativa, realizada no dia 20 de junho, foram muitas as distinções/condecorações de que os nossos bombeiros foram alvo, a título de exemplo, a Câmara Municipal de Valongo (CMV) atribuiu à associação humanitária a Medalha de Honra do Município, pelos seus 100 anos ao serviço da comunidade, desempenhando sempre a missão de ajudar o próximo de forma competente e altruísta, com a coragem, a abnegação e o humanismo dos homens e mulheres que integraram e integram esta corporação.

    Da parte do Ministério da Administração Interna a AHBVE recebeu a Medalha de Mérito de Proteção e Socorro Grau Ouro, bem como a Medalha de Mérito do Distrito Grau Ouro atribuída pela Federação dos Bombeiros do Distrito do Porto.

    Mas uma semana antes, no dia 13, também houve festa, tendo a jornada começado com o tradicional hastear das bandeiras, ao que se seguiu a habitual romagem aos cemitérios para homenagear os bombeiros já desaparecidos. Posteriormente fez-se uma outra homenagem, esta à figura do “bombeiro”, com a deposição de flores junto à estátua do “soldado da paz” na rotunda próxima à Rua José Joaquim Ribeiro Teles.

    Seguiu-se um momento de alguma emoção, com a promoção e condecorações de bombeiros, numa cerimónia realizada no quartel dos nossos bombeiros e na qual participaram várias personalidades públicas locais, entre outras, o presidente da CMV, José Manuel Ribeiro, os presidentes das Juntas de Freguesia de Ermesinde e de Alfena, respetivamente, João Morgado e Arnaldo Soares, e o presidente da Direção da AHBVE, Jorge Videira. Mas centremo-nos então na sessão solene que decorreu na casa da cultura da nossa cidade, onde na qual estiveram presentes inúmeras personalidades da sociedade civil local - e não só - que abrilhantaram esta festa.

    Na mesa de honra, presidida pela Secretária de Estado da Administração Interna, estiveram igualmente várias figuras ligadas aos bombeiros e à Proteção Civil, tendo o primeiro a usar da palavra sido o presidente da Assembleia Geral da AHBVE, José Craveiro, que após cumprimentar todos os convidados, manifestou o seu reconhecimento aos Bombeiros Voluntários de Ermesinde (BVE).

    DIAS DE FESTA MAS... COM MUITAS REIVINDICAÇÕES

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    Seguiu-se a intervenção do comandante dos “soldados da paz” ermesindenses, Emanuel Santos, que começou por evocar as várias centenas de homens e mulheres, com e sem farda, que ao longo destes 100 anos serviram os bombeiros. «A todos estes bombeiros, os que por cá passaram, os que cá estão, um grande bem hajam, foram e são um grande exemplo de cidadania», disse. Sublinharia que neste centenário com todos os entraves provocados pela pandemia que assola o nosso país os BVE conseguiram integrar nas suas fileiras 30 novos bombeiros, mas «para continuarmos a prestar este socorro, para continuarmos a ajudar, temos necessidade de ser ajudados», dirigindo-se em seguida à Secretária de Estado a quem lançou uma série de reivindicações. Entre outras questionou a governante para quando um estatuto social de bombeiro «digno» que permita motivar não só os seus bombeiros como todos os bombeiros portugueses a continuar a prestar socorro. Ter acesso a melhor formação, a melhores equipamentos, a veículos mais seguros, foram também reivindicações do comandante. «Contamos consigo senhora Secretária de Estado para nos ajudar a caminhar, a melhorar todos os dias. Os senhores presidentes das juntas de Ermesinde e de Alfena têm respondido presente quando batemos à sua porta a solicitar apoio para continuarmos a prestar auxílio à nossa população. O presidente da CMV acompanha dia a dia as nossas atividades, conhece as nossas necessidades, ajuda a mitigá-las, mas sozinhos não as conseguimos resolver. O tecido empresarial de Ermesinde e de Alfena tem estado atento e cooperante com as nossas necessidades, mas continua a não chegar. A população de Ermesinde e de Alfena de uma forma excelente reconhece os seus bombeiros, ajuda os seus bombeiros, mas continua a não chegar. Senhora Secretária de Estado necessitamos do apoio do Governo central, os bombeiros do país precisam da sua ajuda, e é hora de valorizar estes homens e mulheres que anualmente prestam centenas de horas de serviço gratuito aos portugueses». Terminou agradecendo aos seus bombeiros por todo o empenho e dedicação, à Direção da associação por todo o esforço e dedicação que tem tido, e à população de Ermesinde e de Alfena por acreditarem nos nossos bombeiros.

    Usaria da palavra em seguida o presidente da Direção da AHBVE, Jorge Videira, que manifestou a honra de presidir à associação nesta data tão importante, endereçando ainda uma palavra de agradecimento aos seus pares dos órgãos sociais pelo esforço conjunto que vem sendo desempenhando ao longo dos últimos sete anos de mandatos sempre com o pensamento único de servir a associação com empenho, dedicação, honestidade e coragem nos momentos mais difíceis. Lembraria em seguida as dificuldades pelas quais a associação passa como consequência da redução de receitas devido à Covid-19, uma situação que ainda não está ultrapassada.

    E porque era dia de festa deixou uma palavra de agradecimento ao punhado de homens bons desta cidade que a 1 de junho de 1921 deram a vida à associação, «cobrindo assim uma lacuna existente numa das terras mais populosas da área da cidade do Porto».

    E dirigindo-se em seguida a Patrícia Gaspar recordou que as associações humanitárias de bombeiros são ao nível do voluntariado o maior parceiro do Estado, «entre bombeiros e órgãos sociais contamos com mais de 35.000 voluntários. Contudo, não temos tido por parte da tutela o reconhecido valor. As comparticipações pagas pelas entidades públicas não são revistas desde 2012, são 9 anos em que estas associações suportam os aumentos de salários e correspondentes encargos sociais, suportam o preço dos combustíveis, suportam os custos com os fardamentos necessários à nossa atividade operacional. Um dia, se esta situação não for investida, as associações humanitárias tendem a extinguir-se. O momento é de festa mas o nosso problema é o da generalidade das associações congéneres e deve ser exposto».

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    Terminou com um sincero agradecimento aos seus bombeiros, «que são o nosso património mais valioso, um agradecimento pela vossa dedicação e disponibilidade em socorrer o próximo mesmo com o perigo da própria vida». Agradeceu ainda a empresas, demais entidades, à sociedade civil, às autarquias e aos associados todo o apoio que vêm prestando para que ele e os seus pares possam levar a bom porto a «tão difícil tarefa de dirigir a associação». «Ao comando e corpo de bombeiros um agradecimento especial pela forma como em conjunto temos levado por diante o bom nome da nossa associação mesmo em momento tão difícil como no último ano face à pandemia». Em seguida Jorge Videira procedeu à condecoração do comandante Emanuel Santos pelo empenho e dedicação com que este tem servido a associação no cumprimento da sua missão.

    Presente nesta mesa de honra esteve também o presidente da Federação de Bombeiros do Distrito do Porto, José Luís Morais, que depois de felicitar os nossos bombeiros pelo seu 100.º aniversário, agradeceu a todos quantos fizeram e fazem parte desta instituição e têm contribuído para a construção de uma sociedade mais justa e solidária.

    Fez igualmente uma reflexão sobre as questões que preocupam o quotidiano das associações humanitárias e corpos de bombeiros, lembrando que num contexto de pandemia os bombeiros disseram sempre presente nas horas mais difíceis, pondo em risco as suas vidas para salvar as da população. Mostraria em seguida total acordo com uma recente declaração pública do Presidente da República, que disse que queria mais qualificados, melhores preparados e capacitados bombeiros. «Mas se isso não esta a acontecer quem está a falhar? Quem não cumpre com a sua parte?», questionaria numa alusão ao Poder Central, elencando em seguida algumas reivindicações aos nossos governantes. «Necessitamos que o serviço prestado pelas associações à sociedade seja ressarcido à dimensão da responsabilidade que assumimos e isso não está a acontecer. Urge a revisão do protocolo que define as condições do transporte de doentes não urgentes, urge finalizar a revisão do protocolo com o transporte de doentes urgentes com o INEM, etc. Temos de encontrar novas dinâmicas de apoio ao incentivo do voluntariado, adaptando-as ao novo contexto social. Existe um centro hospitalar do nosso distrito que não paga aos bombeiros o serviço prestado e faturado há mais de meio ano, e não responde aos pedidos de audiência da federação. Como tal, assiste o direito às associações de cobrar juros de mora sobre a dívida vencida e é isso que vamos fazer. Estamos fartos de ser mal tratados por quem tem o dever de dar o exemplo», finalizou.

    Por sua vez, Paulo Marco Braga, vice-presidente da Liga dos Bombeiros Portugueses, parabenizou os BVE pelo seu aniversário, deixando uma palavra de reconhecimento a todos aqueles que serviram esta casa ao longo de 100 anos, para aqueles que trabalharam para aquilo que os BVE são hoje, «uma associação que prestigia esta terra, o concelho e o país».

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    E dirigindo-se a Jorge Videira referiu que hoje em dia é preciso coragem para ser presidente de uma associação humanitária, e nesse sentido cumprimentou todos os presidentes de todas as associações do pais pela coragem que têm em enfrentar as dificuldades. Parabenizou ainda o comandante Emanuel Santos, «pelo excelente corpo de bombeiros que tem, e tomara que todas as associações do país tivessem um corpo de bombeiros como o de Ermesinde, com a importância de vermos juventude neste corpo de bombeiros, que é o futuro desta casa».

    Dirigindo-se posteriormente à Secretária de Estado disse que os bombeiros são o pilar da Proteção Civil em Portugal, sublinhando porém que não chegavam as palavras cordiais do Ministro da Administração Interna em relação aos bombeiros, «são precisos atos que consubstanciem essas palavras. Sobretudo a questão do financiamento dos corpos de bombeiros e a questão do estatuto social do bombeiro, são coisas importantes e que eu espero que de uma vez por todas haja um avanço nessas situações».

    A representar a Autoridade de Emergência e Proteção Civil esteve o Brigadeiro General José Eduardo Costa, que começaria por recordar que o concelho de Valongo tem tido nos últimos três anos um acréscimo de incêndios rurais de número de ocorrências, mas que tem sido graças aos nossos bombeiros que a área ardida se tem mantido baixa.

    José Eduardo Costa ouviu os apelos dos vários interlocutores que o antecederam e sublinharia nesse sentido a necessidade de se investir mais e melhor naquilo que são as reais necessidades de materiais e equipamentos.

    O presidente da CMV, José Manuel Ribeiro, também dirigiu umas palavras nesta cerimónia, e além de reconhecer e elogiar o papel das duas corporações de bombeiros do concelho lembrou que quando iniciou funções uma das primeiras medidas foi aumentar o apoio mensal aos bombeiros, que até então recebiam pouco mais de 4000 euros por mês e hoje recebem mais de 12.000 euros mensais. «Percebemos que isso é uma garantia, é um dinheiro tão certo como pagar salários aos funcionários da câmara. Para quem dirige uma corporação como podemos ajudá-los? É dar garantia de que aquele dinheiro é certinho. Mas não foi só. Há dois anos tomámos a decisão de ser a câmara a fornecer o primeiro equipamento quando se forma um bombeiro. Aqui há uns anos comprámos uma plataforma, já utilizada mas em bom estado, que serve as duas corporações, e foi um belíssimo investimento». Deixaria no final uma palavra aos bombeiros para que continuassem a defender a ideia humanitária, pois «isto é dignidade humana, é ajudar de forma desinteressada».

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    GOVERNO PROMETE NÃO REGATEAR ESFORÇOS PARA APOIAR OS BOMBEIROS

    Por fim, usou da palavra a Secretária de Estado, Patrícia Gaspar, que começaria por dar os parabéns aos BVE pelos 100 anos cumpridos. «Este corpo de bombeiros tem sabido erguer-se, tem sabido crescer, tem sabido prestar este serviço público que faz toda a diferença nas nossas vidas. Não há desenvolvimento económico, não há crescimento, sem segurança. E a segurança de todos nós, muitas vezes de forma discreta, eu diria às vezes quase anónima, é assegurada por vós. E por isto estão também de parabéns». Destacaria ainda um facto pouco comum, nas suas palavras, de nas corporações de bombeiros, isto é, de no corpo ativo dos BVE, haver 40% de elementos femininos e um elemento feminino na estrutura de comando. «Já é algo que se começa a ver, mas infelizmente não com a persistência que eu gostaria, mas este é o caminho. As organizações onde a paridade de género é equilibrada são organizações onde se trabalha melhor, com melhores níveis de performance e dou os parabéns ao comandante pelo trabalho feito».

    (...)

    leia esta reportagem na íntegra na edição impressa.

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    Por: Miguel Barros

     

     

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