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Edição de 31-12-2021
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    Arquivo: Edição de 30-04-2021

    SECÇÃO: Crónicas


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    EU SOU O MAR! O MAR SOU EU!

    “O sol fez com que recordasse um dia de praia”

    Hoje, 5 de abril de 2021, inicia-se mais um desconfinamento. O terceiro num ano. Continuaremos iguais na afetividade? Penso que não. Os abraços ficam inibidos. Os sorrisos de alegria de encontrar quem estimamos, ficam para lá das máscaras. Hoje inquirimos mais com o olhar, é nele que tentamos ler o contentamento ou as tristezas de quem prezamos. Encontramo-nos depois de meses sem memórias. O mundo girou entre as paredes do lar. As esplanadas lotaram. Procuramos saber se não nos deixaram para trás de quem partiu sem nos despedirmos. As orlas marítimas viraram metrópoles em horas de ponta. O sol, esse fez com que me recordasse do verão. Um verão do passado, já nem me recordo de que ano, mas de um dia de praia, onde se viam abraços, risos, afetividades ou não.

    Ouço a conversa de uns jovens. “Estás a ver mano?! É como quando queremos andar com uma garina. Antes de ela aceitar, fazemos tudo o que ela quer e não quer. Depois, depois é sempre com o dedo no gatilho. Estás a ver mano?!!!”

    Sorri e borrifei-lhe o corpo. Será assim?

    Tenho este casal jovem e enamorado, aproveitando o ondular das minhas águas, para com suas mãos acariciarem seus corpos, os beijos nascem com o seu olhar, os sorrisos combinam amorosos sonhos.

    Mas serão só os jovens? Que direi daquele casal que a idade já não acompanha o calendário? Posiciona a cadeira à sombra do guarda-sol e com carinho acomoda a sua companheira de toda uma vida. Junta a sua cadeira à dela, embora já ao sol e repousa o seu corpo já cansado, pegando na sua mão com carinho.

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    Ela diz-lhe algo e ele sorri. Com a sua mão vai ao saco feito em renda, com todas as cores do arco-íris, confecionado na sua juventude para o enxoval. Dele retira um velho chapéu, que coloca na cabeça do seu companheiro de sempre. Cruzaram o olhar num terno beijo e por ali ficarão até ao pôr-do-sol.

    Mais ao longe ouço o choramingar de uma criança. Não é justo, não é justo. “Querem ver que este hoje tirou o dia para me chatear?” Dizia o Pai. “É como te digo. É assim e acabou, ou já sabes que comes”. Tinha-se dado o término da democracia caseira. A mãe num gesto mímico manda-o calar, mas o petiz interpreta ao contrário e volta a retorquir choramingando, “Não é justo”!!.. Cai-lhe um estalo. Furibundo o Pai alerta. “É assim, daqui para a frente é tudo a eito”. O amor materno retira-o do raio de ação. Andam para junto da água falando meigamente e apelando à aceitação. Não convencido pontapeia-me com a sua frustração, e entre um soluço e outro, murmura, “Não é justo”!

    Ou daquela avó, que prefere a mão amiga e protetora do neto, do que a mão brusca do filho ou a mão desleixada da nora. “Com água pela canela já me desequilibro, ele goza comigo, mas é um gozo de amor. Adoro que ele me proteja, estraga-me de mimos”.

    E eis que se instala uma algazarra. Um arrastão de gente com pronúncia castelhana. Percorrem parte da praia em passo acelerado. A matriarca à frente, no imediato filhos, filhas, genros, noras e um bando de netos. Qual voo de estorninhos. Uns pela direita, outros pela esquerda, quase sem rumo, e com rumo certo da avó, e os petizes a levantarem areia para quem estava deitado. Lá se ouviu, “Porra! Nem na praia posso estar descansado??”. Lá pararam. Porquê ali? Não sei. Em quinhentos metros de praia, teve que ser ali. Todos falam ao mesmo tempo. Falta um. O avô. Uns bons metros atrás, lá vinha ele vergado. Vergado pelos guarda sois, pelas cadeiras, pelos sacos. Os pés enterram-se no areal dificultando a caminhada. Nem um, nem um retrocedeu a ajudar o velho homem. Uns metros antes parou. Parou e largou aqueles trastes todos. Cresceu uns bons centímetros. Os netos e todos os outros, lançaram-se aos sacos e quais aves de rapina retiraram as toalhas.

    Ouviu-se um chamamento, “Rodrigo donde estás?”. Estoi aqui, Carinho. Rodrigo, o mais forte e bem-parecido dos homens. Já tinha medido a geladeira. Tirou de lá uma cerveja bem gelada. “Mas quê fazes? Trás os guarda sois. Põe aqui um, outro ali e ali e ali”. Ele olhou para ela, a Pilar, largou a fresca e lá foi colocá-los no sítio devido. “Agora põe a manta para dar muita sombra”. Lá a colocou com o olho na cerveja, todos os outros já iam na segunda. Olhou para a mulher e opinou. “Pilar, carinho, isto até parece uma tenda dos tuaregues”. “Si Amor, leva o Pedrito a tomar um banho”. Mais uma vez olhou para a cerveja, ela ali a aquecer e ele com a garganta ressequida. Olhou para o Pedrito e teve vontade de fazer um lançamento de disco e pô-lo a banhos bem longe, mas falou mais alto o amor paterno. Os sobrinhos alinharam nas banhocas e por força das brincadeiras lá bebeu uns golos de água salgada. “Carinho, Carinho, vai buscar um gelado para o seu Amor.” Tinha que jogar na antecipação. Assim como saiu, assim voltou.” Já amorzinho?”

    (...)

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    Por: Manuel Fernandes

     

     

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