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Edição de 30-04-2022
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    Arquivo: Edição de 30-04-2021

    SECÇÃO: História


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    ACONTECEU HÁ UM SÉCULO (24)

    Homenagem aos Soldados Desconhecidos

    Terminada a Primeira Guerra Mundial, para a qual todo o país havia contribuído com o envio de expedicionários, quer para a África Portuguesa (Angola e Moçambique) atacada pelos alemães, sem qualquer pré-aviso ou Declaração de Guerra logo no verão de 1914, quer para a Flandres, depois da Declaração de Guerra da Alemanha a Portugal em 9 de março de 1916, e assinado o Tratado de Versalhes em junho de 1919, os governantes portugueses deliberaram evocar, de forma mais solene e perene, aqueles portugueses que em nome da Pátria, da República e da Liberdade, tombaram neste primeiro conflito mundial e cujos restos mortais ficaram para sempre nas terras onde morreram. Assim, em abril de 1921, há um século, foram trasladados para a Sala do Capítulo os dois túmulos dos Soldados Desconhecidos, que ali permanecem com guarda de honra militar.

    À semelhança do que aconteceu noutros países beligerantes, o governo português decidiu, no dia 18 de março de 1921, homenagear os seus mortos da Grande Guerra, com a vinda dos restos mortais de dois Soldados Desconhecidos, um proveniente da Flandres (França) e outro de Moçambique, para o simbólico Panteão do Mosteiro da Batalha. A data escolhida para uma cerimónia tão marcante foi o dia 9 de Abril de 1921, data do 3.º aniversário da Batalha de La Lys, a pior para as tropas portuguesas, de todo este conflito. O Governo declarou esse dia feriado nacional.

    No dia 10 de abril de 1921, cumprindo-se a determinação do governo, as urnas com os restos mortais destes dois soldados seguiram de comboio de Lisboa para Leiria, acompanhados de jornalistas, estudantes universitários e, entre outros, também vários oficiais das forças armadas portuguesas. Na tarde desse dia, seguiriam em cortejo automóvel para o Mosteiro da Batalha.

    Neste mesmo mês de abril de 1921, precisamente num contexto de homenagem ao exército português, surgiu um novo periódico na capital, com o título “Diário de Lisboa”. Surgiu no dia 7 de abril de 1921 e a sua primeira manchete teve por título “Soldados de Portugal”. Na página dois, noticia circunstanciadamente a trasladação dos restos mortais dos soldados desconhecidos para o Congresso da República. As edições seguintes deram grande destaque às diversas homenagens que iam sendo feitas aos restos mortais dos dois soldados desconhecidos.

    Mas aquela em que nos vamos deter mais é a edição de 11 de abril do Diário de Lisboa onde se dá notícia da cerimónia ocorrida na véspera (domingo, dia 10), no Mosteiro da Batalha, que considera ter atingido a maior grandeza. Dá pormenores do cortejo que começou em Lisboa, envolvendo comboios e automóveis com destino à Batalha. A organização desta “romaria” é elogiada por este meio de comunicação que a considera “modelar, a que não estavamos habituados”, escreve. No 1.º comboio seguiam oficiais do exército e da guarda, estudantes universitários e jornalistas.

    Eram cerca de 13 h, quando chegou à estação de Leiria o primeiro comboio, onde seguiam também as urnas dos soldados desconhecidos, adornados com palmas, coroas e muitas flores. Mais dois comboios haveriam de sair nessa manhã da Estação do Rossio com destino a Leiria, um, com o general Gomes da Costa, antigo Comandante do Corpo Expedicionário Português na Flandres, altos dignitários da Igreja e oficiais de missões estrangeiras e o outro, com o Presidente da República e a sua comitiva, deputados do Congresso da República, generais estrangeiros convidados, membros do Corpo Diplomático, Afonso Costa, Bernardino Machado, vários Ministros do Governo Português e o Cardeal Patriarca de Lisboa.

    ENTRADA DE 90 BANDEIRAS NO MOSTEIRO DA BATALHA EM HOMENAGEM AO SOLDADO DESCONHECIDO - 10 DE ABRIL DE 1921 (IN i. PORTUGUESA, Nº 791, DE 16 DE MAIO DE 1921)
    ENTRADA DE 90 BANDEIRAS NO MOSTEIRO DA BATALHA EM HOMENAGEM AO SOLDADO DESCONHECIDO - 10 DE ABRIL DE 1921 (IN i. PORTUGUESA, Nº 791, DE 16 DE MAIO DE 1921)
    No largo da estação, aguardava muito povo que fez as suas aclamações e uma banda de música interpretou a “Portuguesa”. Além de Afonso Costa, e do Presidente da República, António José de Almeida, estavam presentes, também, o marechal Joffre, o general Diaz, representantes de Inglaterra, Brasil, Espanha e de todo o Corpo Diplomático. Forma-se, então um cortejo automóvel com destino à Batalha. Pelo caminho há milhares de pessoas (houve quem estimasse esse número em 20 mil) com bandeiras e crianças das escolas.

    O cortejo chega cerca das 17h frente ao Mosteiro da Batalha, onde se concentram à volta de 50 mil pessoas. Os governantes, militares, convidados de honra, o Cardeal Patriarca de Lisboa e vários bispos assistem à cerimónia. Entretanto, escreve-se no jornal, «as urnas vão entrando, conduzidas por oficiais generais, ouvem-se salvas de artilharia, que ressoam dentro da nave central do Mosteiro como uma nota funebre e gloriosa ao mesmo tempo. As bandas de musica tocam hinos e marchas guerreiras. É a hora solenissima da glorificação dos heróis».

    A Sala do Capítulo encheu-se, falando em primeiro lugar, Abílio Marçal, Presidente da Câmara de Deputados, que elogiou as qualidades do povo português que se bateu na Guerra, na Europa e em África e, tendo presente os restos mortais dos soldados desconhecidos que representam todos aqueles portugueses que caíram nos campos de batalha, disse: «Está ali um pedaço da nossa alma, está ali um pedaço da nossa patria».

    Usou da palavra a seguir, Afonso Costa, que chefiou a delegação portuguesa que havia de assinar o Tratado de Versalhes, para explicar as razões que nos levaram a intervir diretamente na guerra. Afirma também que «esses soldados representam mortos e vivos, mortos de ontem e de hoje (…). Os soldados desconhecidos, só por si, justificam a nossa participação no conflito». O ministro da guerra também interveio para enaltecer as “virtudes do exercito portugues”.

    Perante os milhares de pessoas que enchiam a nave do Mosteiro da Batalha, falou o Bispo de Leiria (o primeiro da diocese recentemente restaurada), José Alves Correia da Silva (natural de S. Pedro Fins), que, depois de se dirigir ao Presidente da República, ao Cardeal Patriarca de Lisboa, aos ministros, deputados e delegados das nações estrangeiras, afirmou. «Têm passado sob estas abobadas muitos hinos e Te-deum de vitoria, mas talvez nenhum tão grandioso como o de hoje. Os soldados da nossa terra deixaram mães, pais, esposas e foram para onde os mandava o dever. Morreram e sobre a sua campa a morte tripudiava. Tinham vencido mais uma vez. Portugal inteiro trouxe-os para este monumento das nossas glorias. Aqueles soldados pregaram a lei do sacrifício, tão necessario da hora presente. A romaria ao templo da Batalha não deve terminar hoje, deve começar hoje. Precisamos aproveitar as lições daquelas mortes. Levai vossos filhos á Sala do Capitulo e dizei-lhes os seus feitos».

    (...)

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    Por: Manuel Augusto Dias

     

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