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Edição de 30-04-2022
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    Arquivo: Edição de 30-04-2021

    SECÇÃO: Educação


    PÁGINA DAS ESCOLAS

    Estamos cansados!

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    Medo, angústia, aflição, desespero, tristeza, raiva, ódio, impotência, desgosto, insuficiência, arrependimento, negatividade são alguns dos exemplos de emoções/sentimentos do dia-a-dia para, se não todos, grande parte dos estudantes e das pessoas ao redor do mundo. “Era muito melhor quando estávamos na escola!”, “Lembro-me de me levantar cedo e resmungar que não queria ir para a escola, todos os dias. Hoje, o que eu mais quero é levantar-me e resmungar que não quero ir para a escola, como antes. Eu tenho saudades disso…”, “Eu preciso de ir para a escola verdadeira, a presencial!” são estas e outras inúmeras frases que, pelo menos, eu penso e digo todos os dias.

    Eu sinto falta de estar com os meus amigos, eu sinto falta de estar na escola, eu sinto falta de quando podia andar de anéis, brincos, colares, pulseiras e tudo o que me apetecesse, eu sinto falta de sair de casa sem máscara, eu sinto falta de poder sair de casa, eu sinto falta de quando esta pandemia não existia! Mas agora, eu não saio de casa, quer dizer, para ser totalmente sincera, eu saio de casa para passear a minha cadela. São, literalmente, 15 minutos, cinco vezes por semana, com máscara, que eu saio à rua. E, depois, eu volto para a minha prisão, ansiando a vez seguinte que sairei. Mas assim tem de ser e será por um bom tempo, ao que parece.

    Um dos piores pontos, na minha opinião, é quando eu estou mal. Quando eu estou a ter um ataque de ansiedade, de pânico ou do que seja e não posso sair à rua para poder respirar ar puro. Também não posso abraçar ninguém, nem ser abraçada. Não posso sair de casa como antes, não posso tocar nas pessoas como antes, não posso tanta coisa como antes.

    E eu estou cansada. Acho que todos nós (alunos, pelo menos) estamos cansados. Estamos cansados de trabalhos. Estamos cansados de passar o dia todo em frente a ecrãs. Estamos cansados da pandemia. Estamos cansados de acordar com a sensação de que nem dormimos. Estamos cansados de ter dores. Estamos cansados de nos sentirmos insuficientes (agora mais que nunca, eu pelo menos). Estamos cansados de ouvir “Tu nem fazes nada, só passas o dia em frente ao computador/telemóvel.”, “Tu só assistes às aulas e fazes meia dúzia de trabalhos.”, “Como é que podes estar cansado se não fazes nada?” e equivalentes. Estamos cansados de não ter tempo livre. Estamos cansados de nunca dizer “Pronto, acabei! Não tenho mais trabalhos, já fiz todos!”. Estamos cansados de nunca fazer nada do que realmente gostamos, nós como pessoa, como ser humano, como individuo. Estamos cansados!

    É assim que eu me sinto.

    Luana Monteiro, n.º 12, 8.º C

    (Texto elaborado no âmbito da disciplina de Desenvolvimento Pessoal e Social)

    Escola Básica de São Lourenço-Ermesinde

    Professora da disciplina: Isabel Vilhena

     

     

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