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Edição de 28-02-2021
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    Arquivo: Edição de 31-01-2021

    SECÇÃO: Destaque


    ELEIÇÕES PRESIDENCIAIS 2021

    Marcelo reeleito à primeira em ritmo de passeio

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    Sem surpresas, Marcelo Rebelo de Sousa foi a 24 de janeiro último reeleito para o cargo de Presidente da República. E assim foi à primeira volta, fruto de uma vitória esmagadora em todo o território nacional, o mesmo será dizer em todos os concelhos do país, o que é a primeira vez que acontece em eleições presidenciais. O atual chefe de Estado foi reeleito com mais de 60 pontos percentuais, mais concretamente 60,70%, uma votação superior a que alcançou há exatamente cinco anos (24/01/2016), quando atingiu os 52%. Em termos de votos, Marcelo obteve nestas Presidenciais de 2021 um total de 2.533.799 votos, deixando longe, muito longe, a restante “concorrência”. Em 2021, Marcelo Rebelo de Sousa alcançou o terceiro melhor resultado de sempre no que diz respeito a eleições para a Presidência da República.

    No seu discurso de vitória, o “professor” renovou o seu compromisso com o país, que quer um Presidente «que respeite o pluralismo e a diferença, um Presidente que nunca desista da justiça social», frisando ainda que por agora o mais urgente é o combate à pandemia de Covid-19.

    Foto MANUEL VALDREZ
    Foto MANUEL VALDREZ
    Deste ato eleitoral podemos retirar uma outra conclusão: a de que a esquerda sofreu uma pesada e penosa derrota às mãos de uma direita em clara reconfiguração. Ana Gomes pode ter tido o segundo lugar nestas eleições, com 12,97% dos votos, tornando-se desta forma na mulher mais votada de sempre em Portugal em matéria de Presidenciais, mas não deixa de ter falhado no objetivo de ter levado esta eleição para uma segunda volta, como se havia proposto. A socialista obteve, porém, uma vitória, ainda que de curta margem, ao ficar à frente do candidato da extrema-direita, André Ventura, impedindo desta forma «que a ultradireita ascendesse a uma posição de possível alternativa», conforme frisou no rescaldo destas eleições.

    O líder do Chega não ficou muito longe de Ana Gomes nas intenções de voto dos portugueses. Com 11,90% dos votos, Ventura foi, e podemos mesmo dizê-lo, o outro grande vencedor da noite, ficando a um escasso ponto percentual do segundo lugar que traçou como objetivo. Falhou esse objetivo, e tal como havia prometido caso não alcançasse o segundo lugar apresentaria a demissão de líder do seu partido, colocando agora essa decisão nas mãos dos militantes do Chega. No entanto, o resultado de Ventura não deixa de expressar um crescimento muito significativo do Chega a nível nacional. Por exemplo, o resultado obtido pelo candidato da extrema direita foi superior ao que foi obtido pelos candidatos apoiados pelo Bloco de Esquerda (BE) e pelo Partido Comunista Português (PCP) juntos. Olhando, ainda, aos resultados que atestam a popularidade que Ventura vem granjeando, se olharmos para os distritos do Alentejo, isto é, Évora, Beja e Portalegre, territórios onde habitualmente a esquerda é “dona e senhora”, zonas onde o PCP, por exemplo, tem uma fortíssima expressão, verificamos que o líder do Chega ficou em segundo lugar, superando e muito a esquerda e o candidato comunista em concreto. André Ventura ficou, aliás, em segundo lugar na maioria dos distritos do país.

    Foto MANUEL VALDREZ
    Foto MANUEL VALDREZ
    Como já referimos, a esquerda teve um resultado penoso nestas eleições. Sobretudo para bloquistas e comunistas. Mas vamos por partes. João Ferreira, o candidato do PCP, ficou no quarto lugar destas eleições com 4,32% dos votos, um resultado que ficou muito aquém das expectativas, mas que superou o pior resultado de sempre dos comunistas em Presidenciais, que havia sido obtido há cinco anos por Edgar Silva, então com 3,95%.

    Logo a seguir ao eurodeputado comunista surge Marisa Matias, quiçá a grande derrotada destas Presidenciais de 2021. Se há cinco anos a bloquista obteve um resultado extremamente positivo (com 10,13%), agora não foi além de 3,95% dos votos. Foi uma derrota assumida pela eurodeputada do BE, que afirmou no rescaldo do ato eleitoral que este resultado ficou longe do esperado e do objetivo traçado, mais em concreto, ficar à frente do candidato da extrema-direita. Ficou muito longe desse objetivo, na verdade. Apesar de reconhecer esta pesada derrota, a bloquista atirou a responsabilidade da divisão à esquerda para o PS!

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    E logo a seguir a Marisa Matias, nas intenções de voto, surge o liberal Tiago Mayan Gonçalves, com 3,22% dos votos. Na verdade, este foi um resultado que até pode ser olhado como positivo para o candidato apoiado pela Iniciativa Liberal, pois se olharmos para os resultados obtidos por este partido há cerca de um ano e meio, nas Eleições Legislativas de 2019, verificamos que houve uma subida (1,29% para 3,22%). Para Tiago Mayan, o resultado destas Presidenciais «é uma janela de esperança para todos os liberais», afirmando ainda que tomou a decisão certa em avançar com a candidatura e que, sem ela, «milhares de portugueses teriam sido impedidos de validar uma alternativa liberal, humanista e tolerante».

    Por fim, com 2,94% dos votos, surge Vitorino Silva, popularmente conhecido como Tino de Rans. O calceteiro que se apresentou a votos em Presidenciais, pela segunda vez consecutiva, ficou em sétimo e último lugar a nível nacional, mas em segundo no seu concelho (Penafiel) e na sua freguesia (Rans).

    A terminar este olhar aos resultados das eleições de 24 de janeiro falemos da abstenção, que foi alta, 60,51%, na verdade constituiu-se como um novo recorde em eleições Presidenciais desde 1976, mas não é menos verdade que não foi tão catastrófica como se afigurava. Isto, tendo em conta o clima de pandemia que se vive, e que por isso mesmo afastou muitos portugueses das urnas e que de certa forma ajuda a justificar o facto de a abstenção ter sido a mais alta de sempre em Presidenciais.

    Por: MB

     

     

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