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Edição de 30-04-2022
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    Arquivo: Edição de 30-11-2020

    SECÇÃO: Opinião


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    Nós, Cidadania e Escola (parte 2)

    Quanto a nós, o melhor contributo que podemos dar, enquanto cidadãos, será o de olhar para as lições que a História nos deixou. Neste caso, lembrar o Holocausto será aproveitar a oportunidade para destacar outras tragédias de ódio e perseguição que têm marcado os tempos mais recentes e ver nelas que o pressuposto de que a vacina da História imunizou as sociedades ocidentais destes surtos é errado.

    O ensino do Holocausto deve ser o reforço da vacina para a prevenção de futuros genocídios. Não estamos livres de um dia, de forma inesperada e sob um qualquer pretexto, o poder político se deixar levar pelo fascínio de um discurso xenófobo e populista como justificação para, em tempos difíceis, se restringir liberdades ou se perseguir etnias.

    Orbán, na Hungria, encerrou o parlamento como desculpa para a excecionalidade da pandemia. Na verdade, desde há muito tempo, o que pretende é dificultar resolução da questão das migrações numa atitude xenófoba. Trump age no mesmo sentido, em relação aos mexicanos e os migrantes do sul.

    O Holocausto é o exemplo máximo do que pode acontecer se os sinais da História forem ignorados. É assim que a escola o deve abordar, porquanto ela desempenha um papel vital na formação dos alunos ao dotá-los de competências para enfrentarem os desafios lançados pela sociedade.

    Embora o Holocausto possa parecer um assunto longínquo à memória histórica portuguesa, de facto não o é. E não o é porque, apesar da ambígua neutralidade portuguesa face à Segunda Grande Guerra, o impacto do Holocausto não deixou de se fazer sentir no nosso país e em muitos dos nossos conterrâneos. Tivemos emigrantes em França que sucumbiram ao recrutamento para trabalhos forçados pelos nazis ou à imposição do Service du Travail Obligatoire (STO). Outros estiveram internados em campos de concentração como Bergen-Belsen, Mauthausen, Buchenwald e Auschwitz (de onde alguns deles não sairiam com vida) ou em prisões do Reich. Nem mesmo na nossa História remota escapámos aos surtos antissemitas dinamizados pelo poder político e religioso, pelo menos até ao Marquês de Pombal, no século XVIII.

    HOLOCAUSTO (FONTE DA FOTO: WIKIPEDIA)
    HOLOCAUSTO (FONTE DA FOTO: WIKIPEDIA)
    Neste sentido, o ensino do Holocausto visa contribuir para a perpetuação da missão de Ferencz: prevenir ódios sociais e fomentar nos jovens uma consciência global sobre a nossa civilização. Serão desse modo capazes de tomar decisões historicamente assistidas ao longo de toda a sua vida e tornarem-se cidadãos ativos na defesa dos valores da Declaração Universal dos Direitos do Homem.

    Finalmente, porque é na Escola que os alunos passam a maior parte do tempo, e tendo ela a obrigação de formar cidadãos críticos e interventivos, criei um projeto no Agrupamento de Escolas no qual sou Coordenadora da Estratégia de Educação para a Cidadania na Escola (EECE).

    O projeto consiste na apresentação online de uma Exposição subordinada ao tema: “As faúlhas do Holocausto entre Alemanha e Portugal: das vidas poupadas às vítimas do sistema”.

    Este projeto tem como alavanca a comemoração, durante o ano de 2021, das datas de 27 de janeiro, dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto, e 20 de junho, dia em que se assinalarão os 81 anos da ação de Aristides de Sousa Mendes, responsável pelo salvamento de milhares de judeus, enquanto Cônsul de Portugal em Bordéus.

    Pretende-se assim associar o Agrupamento de Escolas em que trabalho ao governo Português que pelo Despacho n.º 3687/2020 impulsionou um “programa nacional em torno da memória do Holocausto, que articule iniciativas do Estado e da sociedade civil e cubra as dimensões de homenagem cívica, educação e pedagogia, investigação e divulgação, prevenção patrimonial e museológica.” e homenagear os diplomatas Aristides de Sousa Mendes, Sampaio Garrido e Teixeira Branquinho, bem como o Padre Joaquim Carreira que se destacaram no apoio a vítimas do Holocausto.

    A EECE acrescenta a estas comemorações histórias de portugueses anónimos que foram apanhados na teia dos horrores perpetrados pelo regime nazi.

    (...)

    leia este artigo na íntegra na edição impressa.

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    Cândida Moreira

     

     

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