Subscrever RSS Subscrever RSS
Edição de 31-10-2020
Jornal Online

SECÇÃO: Crónicas


foto
PASSEIOS DE BICICLETA À DESCOBERTA DO PORTUGAL REAL...

«Do início da primavera ao outono faço 100 Km todos os dias»

Os ventos mudaram. A temperatura diurna está mais amena, quase primaveril. A noturna, essa está bem mais agreste. Aos poucos, são retiradas dos baús as vestes outonais. As chuvas estão de volta, as árvores dos parques e dos bosques já se vestiram de tons amarelados, castanhos claros e até de vermelho escarlate.

O meu tempo dedicado ao cicloturismo está esgotado. Este ano atípico, causado pela pandemia é finito. Ela voltou, acompanhada pelas intempéries invernais, em força.

Haverá novo confinamento? Tudo dependerá do nosso comportamento. Lembrei-me de um encontro fortuito com um companheiro de estrada, com a bonita idade de setenta anos, que me disse: Sabes, do início da primavera ao outono faço 100 Km todos os dias. É a minha voltinha. Quando não a concretizo, por um motivo ou outro, fico doente, melhor fico aborrecido, ninguém me atura. Admirado sorri. Quase envergonhado. Com menos anos de vida, aquela quilometragem diária é quase impossível para as minhas pernas.

IGREJA MATRIZ SANTA MARIA DE VÁLEGA
IGREJA MATRIZ SANTA MARIA DE VÁLEGA
Irei até ao Furadouro de despedida. Talvez o encontre a rodar na estrada. A manhã está fresca. Em Rio Tinto dispensei o corta-vento. A marginal do rio Douro, desde o Freixo à Afurada, refletia a luminosidade do nascer do dia. Em Lavadores entrei na Av.ª da Beira Mar, cruzando Valadares, Francelos e todas as localidades junto da orla costeira até Espinho. Nesta, procurei a EN 109. Era nela que percorreria a distância que faltava para atingir o meu objetivo. Se bem me lembro do ano anterior, agora estava mais armadilhada. As bermas da estrada mais precárias. Cortes profundos. Falta de asfalto. Ao mínimo desvio que efetuava para a esquerda, lá ouvia a apitadela dos automobilistas. Tenham paciência. Travem que têm melhores travões do que eu. Se meter a roda nestes cortes o mais certo é beijar o chão. Passado Esmoriz e Cortegaça, estou em Maceda e desta à rotunda para o Furadouro é um salto. Uma reta com alguma distância, ladeada com pavilhões de indústria. Parece pacífica mas não é. De repente entra um camião na via, sem grande cuidado, porque quem ali vem é uma bicicleta, ela que se cuide, enfim. Na rotunda paro. O amigo não foi visto, mas também recordei que não me cruzei com qualquer outro ciclista. Não virei para o Furadouro. Poderia ter ido a São Jacinto, mas não fui. Quando dei por mim estava a cruzar o desvio para Ovar. Segui em frente. Iria a Aveiro? É melhor não ir. Não tenho pernas para ir e voltar confortável. O gosto que temos em pedalar tira-nos a noção que temos que voltar ao ponto de partida. Estava em Válega. O nome assaltou-me a memória. Não conseguia saber o porquê. Talvez por já ter passado por aqui amiúdas vezes. Decidi aqui dar a volta de retorno, mas antes irei beber um café e comer um bolito.

Localidade pequena. No seu centro, um pequeno jardim. Um pequeno largo. À sua volta, comércio e o inevitável café. Deste reparei na parte traseira da nave da Igreja. A parede lateral forrada de azulejos brancos e azuis. O típico azulejo português. Findo o descanso iniciei o regresso, terei novamente que entrar na EN 109. Por casualidade ao passar pela Igreja, olhei para trás para ver a fachada principal. Travei a fundo. Era isso. Tantas vezes passei por aqui e nunca saí da via principal.

(...)

leia este artigo na íntegra na edição impressa.

Nota: Desde há algum tempo que o jornal "A Voz de Ermesinde" permite aos seus leitores a opção pela edição digital do jornal. Trata-se de uma opção bastante mais acessível, 6,00 euros por ano, o que dá direito a receber, pontualmente, via e-mail a edição completa (igual à edição impressa, página a página, e diferente do jornal online) em formato PDF. Se esta for a sua escolha, efetue o pagamento (de acordo com as mesmas orientações existentes na assinatura do jornal impresso) e envie para o nosso endereço eletrónico (avozdeermesinde@gmail.com) o nome, o NIF e o seu endereço eletrónico para lhe serem enviadas ao longo do ano, por e-mail, as 12 edições do jornal em PDF.

Mas se preferir a edição em papel receba comodamente o Jornal em sua casa pelo período de 1 ano (12 números) pela quantia de 12,00 euros.

Em ambos os casos o NIB para a transferência é o seguinte: 0036 0090 99100069476 62

Posteriormente deverá enviar para o nosso endereço eletrónico (avozdeermesinde@gmail.com) o comprovativo de pagamento, o seu nome, a sua morada e o NIF.

Por: Manuel Fernandes

 

 

este espaço pode ser seu Este espaço pode ser seu Este espaço pode ser seu
© 2005 A Voz de Ermesinde - Produzido por ardina.com, um produto da Dom Digital.
Comentários sobre o site: webmaster@domdigital.pt.