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Edição de 30-09-2020
Jornal Online

SECÇÃO: História


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ACONTECEU HÁ UM SÉCULO (17)

Movimentos de desordem pública

É do conhecimento geral que a Primeira República foi um período de democracia “experimental”, chamemos-lhe assim, em que se constituíram diversos partidos políticos que se envolveram numa persistente luta política, que não raro, caiu em exageros revolucionários que não só puseram em causa a ordem e a segurança públicas como o próprio regime. A intensidade da luta aumentava na mesma proporção da gravidade política dos assuntos do Estado. E estes agravaram-se, significativamente, no pós 1.ª Guerra Mundial, já que Portugal, como se sabe, participou neste conflito, em terras de África e de França. Há um século, no dia 15 de setembro de 1920, esteve quase a estalar no Porto mais uma tentativa para restaurar a Monarquia.

O jornal “A Capital,” nossa principal fonte para a elaboração destes artigos que nos ajudam a recordar a situação que se vivia em Portugal inteiro, há um século, era um periódico claramente republicano e normalmente afeto aos governos apoiados pelo Partido Democrático ou francamente republicanos no seu ideário e programa governativo.

Espreitava qualquer ameaça ao regime republicano e alertava os leitores sempre que tivesse a mais pequena suspeita de que a República estava em perigo.

Assim, a edição de “A Capital” do dia 21 de agosto de 1920, logo na 1.ª página, alerta o país para uma tentativa revolucionária, sob os títulos: “Ordem Publica / Um movimento gorado / A policia de Segurança do Estado consegue evitar uma revolução, que devia rebentar na noite de hoje”: «Os Jornais da manhã de hoje noticiam que no jardim das Amoreiras haviam sido detidos alguns sargentos de varias unidades que faziam parte de um comité revolucionario encarregado de levar a efeito mais um movimento que devia rebentar na noite de hoje para amanha ou seja na madrugada de hoje».

Ora, para este jornal não é nada de novo, pois afirma que já há dias tinha conhecimento de que a classe dos sargentos estava descontente pelo facto do Parlamento não ter atendido algumas das suas reclamações. Para além deste aspeto corporativo há também o aproveitamento conjuntural, afirma o mesmo jornal, por parte de outros adversários do governo para se juntarem ao movimento revolucionário. Entre estes estão os bolchevistas que, nos últimos dias, «teem redobrado de Propaganda. Ainda não ha muitos dias, cinco conhecidos agitadores estiveram n’uma taberna para os sitios das Janelas Verdes fazendo distribuição de uns livros, em cujas capas se lia o titulo: Abolição das touradas. / Aberta, porém a capa, lia-se na primeira folha Instruções sobre propaganda bolchevista. / Não é só em Lisboa, mas em todo o paiz que tal propaganda se tem desenvolvido nos últimos dias. Em Viana do Castelo, Porto, Campanhã, em quasi todo o Alemtejo e Algarve tal propaganda tem sido intensa, a ponto de se aconselharem as classes operarias á gréve».

 A PRAÇA DA LIBERDADE, NO CENTRO DO PORTO, EM 1920
A PRAÇA DA LIBERDADE, NO CENTRO DO PORTO, EM 1920
Segundo o mesmo órgão de informação, o Ministro da Guerra conseguiu gorar este movimento revolucionário ao ordenar várias transferências de militares, alegadamente envolvidos na intentona antigovernamental.

As reivindicações dos revolucionários pretendiam, em termo políticos, a formação de um governo nacional (entenda-se, suprapartidário); em termos socioprofissionais faziam várias exigências, entre as quais as seguintes: um aumento de 40 escudos para os sargentos; a delimitação da competência disciplinar dos comandantes das unidades; a criação de um conselho disciplinar em cada divisão; fardamentos iguais aos dos oficiais; licenciamento de todas as praças do Exército e G.N.R. que tivessem cumprido o tempo de serviço regulamentar; e equiparação de sargentos e soldados do Exército aos da Armada.

Os locais previstos para a Revolução eram a Rotunda, a Avenida da Liberdade, Queluz e Monsanto. Antes que viessem para a rua, dezenas de revolucionários foram presos (sargentos, sindicalistas, socialistas e bolchevistas).

Na edição seguinte de “A Capital” (22 de agosto) é publicada uma “Nota Oficiosa” em que o governo considera a notícia deste jornal «uma mera fantasia jornalistica» referindo que as prisões efetuadas não têm a importância que o jornal lhes atribuiu. Contudo, “A Capital” mantém a sua versão do dia anterior, identifica os sargentos que foram os principais responsáveis e refere que o jornal “O Mundo” divulga um relato do que se planeava, muito semelhante ao de “A Capital”.

Em setembro de 1920, pouco mais de ano e meio após a “Monarquia do Norte” a cidade do Porto, volta a ser promessa de novos desacatos políticos, como informa “A Capital”, na sua edição de 14-9-1920, página 2 sob os títulos: “Ordem publica / Varios elementos agitam-se no Norte”:

«O governo foi informado de que se pretende alterar a ordem pubica no Norte, pois que ja ha dias corre com insistência no Porto que os monarquicos, de acôrdo com dezembristas, trabalham activamente para levar a efeito uma parada de forças militares, em sinal de protesto contra o decreto que afasta do exercito quem não seja de confiança.

Por sua parte os sindicalistas actuam, tendo para o Norte seguido ha dias varios emissarios que tem assistido a reuniões de ferroviarios, telegrafo-postais, manipuladores de outras classes.

(...)

leia este artigo na íntegra na edição impressa.

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Por: Manuel Augusto Dias

 

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