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Edição de 31-07-2020
Jornal Online

SECÇÃO: Destaque


30.º ANIVERSÁRIO DA ELEVAÇÃO DE ERMESINDE A CIDADE - ENTREVISTA COM LUÍS RAMALHO, EX-PRESIDENTE DA JUNTA DE ERMESINDE

«Cabe a cada um de nós, dar um pouco de si para que Ermesinde seja uma cidade onde vale a pena viver e não apenas morar»

Durante dois mandatos consecutivos (entre 2009 e 2017) Luís Ramalho foi presidente da Junta de Freguesia de Ermesinde. Para além disso fez ainda parte da equipa que liderou a Junta no mandato entre 2005 e 2009, na função de Secretário. Hoje em dia desempenha funções de vereador (eleito pelo PSD) no Executivo da Câmara Municipal de Valongo, e nesta breve entrevista recordou o seu percurso de 12 anos enquanto autarca da nossa cidade, com ênfase para um trabalho (desenvolvido) que procurou sempre envolver a população nas atividades da Junta, um trabalho que nas suas palavras é contínuo e deve ser continuado, pois Ermesinde não é um aglomerado populacional, é, e pode ser, muito mais do que isso.

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A Voz de Ermesinde (AVE): 30 anos na vida de uma Cidade pode parecer ainda pouco tempo, mas, no entanto, não deixam de ser três décadas repletas de História ou de histórias. O senhor faz parte dessa História, já que durante dois mandatos consecutivos exerceu as funções de presidente de Junta, já Ermesinde era Cidade. Começamos por lhe perguntar, que importância sentiu que teve, enquanto presidente, para dignificar o nome da Cidade de Ermesinde?

Luís Ramalho (LR): Ermesinde, refém da causa do seu crescimento, padeceu e ainda padece de um “desenraizamento”. Uma larga maioria continua a olhar para a Cidade como um dormitório e não como o lugar onde vive. Durante 12 anos de vida autárquica na freguesia de Ermesinde, fizemos uma grande aposta no envolvimento da população nas nossas atividades. Depois de um grande esforço que levou à construção de uma sede digna, havia que ligar as pessoas à Cidade. Criar uma dinâmica que fosse capaz de envolver as pessoas na vida da cidade. Entre outros, o momento mais marcante foi a primeira comemoração do aniversário da elevação de Ermesinde a Cidade. Com o colaboração da Associação Académica e Cultural de Ermesinde, a medo, criámos um espetáculo que teve lugar no Parque Urbano Dr. Fernando Melo, e demos a conhecer a data. Até então, não havia qualquer comemoração. À semelhança do que se passa connosco, o dia do nosso aniversário é um dia de festa, de celebração e deve ser memorável. A reboque deste primeiro momento, conseguimos que a comemoração fosse crescendo, evoluindo, e envolvesse as coletividades e a população.

Ao nível político, pela primeira vez, Ermesinde teve representação no Conselho diretivo da ANAFRE – Associação Nacional das Freguesias, o que nos permitiu preparar melhora a nossa ação, ao mesmo tempo que tentávamos defender-nos dos ataques ao poder local. Ao nível local, muitas foram as batalhas travadas. A necessidade de afirmação de Ermesinde junto da Câmara Municipal era uma constante.

As tentativas de tratar por igual aquilo que é diferente, traziam um esforço diário de reivindicação. Ermesinde tinha de lutar contra uma cultura municipalista e com fracos recursos económicos.

Ermesinde assumiu-se claramente como um exemplo. Com dinâmica cultural própria, com uma política social sustentável e com uma modernidade digna.

No que respeita às tradições fizemos ressurgir o Enterro do João e devolvemos a dignidade à Romaria de Santa Rita.

Os jovens foram, também uma aposta. Fomos a primeira freguesia do país a ter um Cartão Jovem local, algo que até então era exclusivo aos municípios. Criámos uma política de participação juvenil capaz de alargar horizontes aos jovens, permitindo-lhes viajar, conhecer outras culturas e levar o nome de Ermesinde a outros países.

Já no segundo mandato, conseguimos, em parceria com a Associação Académica e Cultural de Ermesinde, trazer uma nova dinâmica às comemorações do Dia da Cidade. A Noite Branca e dos Bombos passou a ser uma referência, conseguindo envolver o tecido empresarial local, artesãos, coletividades e a população.

Enfim, em 30 anos, assistimos a uma transformação da Cidade. Um centro velho e gasto deu lugar a um centro mais aprazível, bonito mas sem identidade e sem vida, focado num movimento pendular Porto-Ermesinde-Porto e absorvido pela azáfama do dia-a-dia do trabalho. O trabalho desenvolvido não foi suficiente para que a população se identificasse com a Cidade. Este é um trabalho contínuo que deve ser continuado.

Ermesinde não é apenas um aglomerado habitacional. É, e pode ser, muito mais do que isso. São as nossas gentes que dão vida à cidade e que impulsionam a ação dos eleitos para que Ermesinde seja mais e melhor.

AVE: Durante a sua passagem pela Junta enquanto presidente há algum momento(s), obra(s), ou projeto(s) que hoje relembre como importante não só para si enquanto autarca mas sobretudo para o engrandecimento da Cidade de Ermesinde (?)

LR: Sem dúvida a aposta na Educação foi, para mim, o mais gratificante e engrandecedor. A Educação foi uma paixão que foi crescendo. Tudo começou com a simples oferta de livros às crianças, e serviu de mote para um trabalho grandioso e absolutamente fora da nossa zona de conforto. A Junta de Ermesinde foi a primeira a aceitar o prolongamento de horário no pré-escolar, fruto da incapacidade da Câmara Municipal em assegurar o serviço. As famílias precisavam deste serviço e em apenas dois meses tivemos de ser capazes de criar uma estrutura capaz de assumir esta tarefa. Rapidamente esta aposta foi crescendo e alargando a sua ação. Conseguimos ter respostas para todos os níveis de ensino. Envolvíamos todas as escolas nas nossas atividades e fomos os primeiros a criar bolsas de estudo! Não são as grandes obras que fazem as cidades grandes! São as pessoas! E todo o trabalho desenvolvido tinha as pessoas como preocupação central. Assumimo-nos como parceiro privilegiado das escolas e dos agrupamentos indo, muitas vezes, além das nossas competências.

Estivemos sempre ao lado dos projetos educativos das escolas e, sobre a Escola Secundária de Ermesinde, sempre nos afirmámos reivindicativos.

Se tivesse de escolher um único momento, escolheria o 25.º aniversário de elevação a Cidade. Nessas comemorações foi-se percebendo o resultado do trabalho desenvolvido pois, ao criarmos uma imagem única que simbolizasse e identificasse a cidade, conseguimos ter o envolvimento desinteressado e genuíno de empresas, dos alunos do CENFIM e da Escola Secundária de Ermesinde, motivados para criar uma imagem bonita, nobre e que nos identificasse.

LUÍS RAMALHO ENQUANTO PRESIDENTE DA JUNTA NUMA REUNIÃO DO EXECUTIVO
LUÍS RAMALHO ENQUANTO PRESIDENTE DA JUNTA NUMA REUNIÃO DO EXECUTIVO
AVE: No oposto, por certo também houve alguma obra/projeto que hoje, olhando para trás, ache que ficou por concretizar da sua parte e que gostava de ter cumprido?

LR: Sem dúvida a requalificação do Mercado de Ermesinde. A Junta gastou largos milhares de euros, na tentativa de tornar aquele espaço menos mau. Por parte da câmara fomos, e ainda vamos tendo desculpas e adiamentos, concursos de ideias, e apresentações de projetos. Aquela estrutura não serve o atual contexto mas o facto de ser propriedade municipal e as juntas não terem acesso a fundos comunitários que lhes permitam alavancar estas obras, sempre tornou a nossa ação limitada. A requalificação do mercado e da sua envolvente seria, sem dúvida, uma obra que iria beneficiar, não apenas aquele local mas toda a zona da Gandra, que poderia ter disponível um espaço de lazer, pelo menos cinco dias por semana.

AVE: Como é que vê hoje a Cidade de Ermesinde (sob diversos aspetos), e no seguimento disto pergunto-lhe se acha que valeu a pena a promoção de Ermesinde a Cidade?

LR: Eu comparo Ermesinde a um jovem adolescente. Tem todo o potencial, só não pode estar dependente de vontades eleitoralistas. Apesar de não ser sede de concelho, representa mais de 40 por cento da população e deve ser tratada com o respeito que merece. A elevação à categoria de cidade é apenas um ato administrativo. O que confere a dignidade à Cidade são as suas gentes, os seus eleitos, as suas instituições.

Ermesinde tem todo o potencial mas carece de um estímulo constante, de inovação e de alguma rebeldia. Há 30 anos, a elevação de Ermesinde a cidade assumiu-se como uma necessidade. Era necessária uma afirmação política para que a Câmara Municipal mudasse a sua atitude. Isso foi conseguido e agora, cabe aos eleitos, assegurar que Ermesinde mais do que uma Cidade, continue a ser um lugar onde há qualidade de vida e onde queremos que os nossos filhos cresçam.

AVE: Que mensagem, enquanto ex-presidente de Junta, gostaria de deixar à Cidade e às suas gentes neste data comemorativa?

LR: Quero agradecer a todos os que me ajudaram a percorrer os 12 anos de autarca de freguesia. Graças ao seu sacrifício, apoio e empenho, fomos capazes de melhorar.

30 anos, para uma cidade, é muito pouco. Ainda há muito para fazer e os autarcas de Ermesinde precisam de uma população ativa e envolvida, bem como a população precisa de bons autarcas, comprometidos e empenhados. Ermesinde é e será aquilo que as suas gentes quiserem. Cabe a cada um de nós, dar um pouco de si para que Ermesinde seja uma cidade onde vale a pena viver e não apenas morar.

 

 

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