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Edição de 30-06-2020
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    Arquivo: Edição de 31-05-2020

    SECÇÃO: Crónicas


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    A GUERRA COLONIAL PORTUGUESA (9)

    As campanhas de pacificação em Angola - O DESASTRE DE NAULILA

    Tendo como principal objectivo a afirmação da soberania portuguesa sobre todo o território angolano e a consequente efectiva ocupação do mesmo, necessidade decorrente da Conferência de Berlim (1884-85), tanto mais que uma nova redefinição de fronteiras vinha sendo reclamada por algumas das potências europeias que, em África, detinham ou passaram a deter colónias confinantes com aquela nossa colónia, nomeadamente a Alemanha, a partir da sua recente colónia designada Sudoeste Africano Alemão, antiga Damaralândia, actual Namíbia, houve necessidade de, apesar das dificuldades financeiras e das convulsões político-sociais que agitavam a ainda jovem e periclitante República Portuguesa, para ali ir enviando tropas.

    Em finais de Julho de 1914, eclodia, na Europa, a 1.ª Grande Guerra Mundial, opondo os impérios Britânico e Alemão, e respectivos aliados. Sendo Portugal um velho aliado de Inglaterra, era certo e sabido que os alemães facilmente nos iriam considerar igualmente seus inimigos, pese embora não tivesse havido, ainda, da nossa parte, uma declaração formal de guerra. Isto é, por essa ocasião, considerávamo-nos neutrais em relação ao conflito que já grassava na Europa. No entanto, ainda nem um mês tinha decorrido sobre o início da guerra, já tropas alemãs, partindo da sua colónia designada África Oriental Alemã, actuais Tanzânia, Ruanda e Burundi, a norte de Moçambique, invadiam este território, matando colonos portugueses ali instalados, saqueando e queimando os seus bens e as suas propriedades.

    Estes conflitos fronteiriços latentes, potenciados pelos povos autóctones dominados pelos portugueses cuja soberania nunca foi pacificamente aceite, foram-se tornando cada vez mais ostensivos, pelo que mais urgente se impunha o envio de contingentes expedicionários para ambas as colónias sob administração lusa. E, pelo menos quanto a isso, a generalidade da classe política portuguesa estava de acordo.

    É neste contexto que, em Setembro de 1914, da metrópole parte para Angola um contingente de 1600 homens comandados pelo já tenente-coronel Alves Roçadas, com o fim de guarnecer a fronteira com aquela colónia alemã e prosseguir o chamado processo ou campanha de pacificação, impedindo eventuais levantamentos dos povos indígenas. A expedição desembarcou no porto de Moçâmedes, em 27 de Setembro e 1 de Outubro desse mesmo ano.

    O FORTE DE CUANGAR, UM POSTO FRONTEIRIÇO, A LESTE DE NAULILA
    O FORTE DE CUANGAR, UM POSTO FRONTEIRIÇO, A LESTE DE NAULILA
    Ora, na sequência da guerra que, entre 1889 e 1902, no extremo sul do continente africano, opôs os Bóeres aos Ingleses, com a vitória destes últimos, Cabo, Natal, Transvaal e Orange Free State passaram a colónias britânicas, fundindo-se, em 1910, numa só, passando a designar-se União da África do Sul. Com efeito, a partir daqui e com as respectivas metrópoles em conflito armado, os alemães da África Ocidental Alemã viram algumas das suas vias de ligação ao mar bloqueadas pelos britânicos, particularmente a sul e a leste, através do seu território, dificultando-lhes, assim, o acesso ao correio, fornecimento de víveres, armamento, etc., que lhes vinha chegando por aquela via, mais lhes aguçando a cobiça pelo território angolano. É que também a ocidente, apesar da sua fronteira marítima, as forças britânicas lhes haviam imposto um bloqueio naval, impedindo-lhes igualmente o reabastecimento por esta via.

    No dia 18 de Outubro, tropas portuguesas em patrulhamento junto da fronteira com a colónia alemã, surpreendem, em território angolano, próximo de Naulila, uma pequena força militar germânica, sem que tivesse sido solicitada autorização ou sequer dado prévio conhecimento às autoridades nacionais. Em face disso, elementos do comando dessa força alemã dispõem-se a reunir, no dia seguinte, com o comandante das tropas portuguesas sediadas na região e que seria suposto encontrar-se no Forte de Naulila, para onde o encontro fora aprazado. A verdade é que, uma vez ali chegados, verificaram que o mesmo se encontrava ausente, facto que, aos olhos dos alemães, levantou a suspeita de terem sido atraídos a uma cilada.

    Embora num primeiro momento, tivesse sido apresentada por parte do respectivo comando uma justificação aparentemente razoável, a verdade é que, admite-se, devido às dificuldades de comunicação linguística, ter-se-á gerado toda uma série de equívocos que levaram a que o ambiente tivesse azedado e ambas as partes tivessem sacado das armas, alegadamente, em legítima defesa, sendo que do incidente resultou a morte dos cinco alemães que se haviam apresentado para conferenciar com as autoridades portuguesas.

    Numa acção retaliatória, a 31 de Outubro, tropas alemãs metralharam o Forte de Cuangar, um posto fronteiriça, a leste de Naulila, tendo matado quase toda a guarnição: dois oficiais, um sargento, cinco soldados europeus, treze soldados indígenas e um comerciante que ali se encontrava. Salvaram-se apenas alguns elementos da guarnição que fugiram para o mato.

    Nos dias seguintes, tropas alemãs apoiadas por forças nativas dos povos do Cuamato expulsaram os portugueses e seus aliados locais dos diversos postos fronteiriços da região do Cubango, tornando a presença colonial portuguesa naquela zona praticamente inexistente.

    Em face disso, Alves Roçadas redefine o seu plano estratégico e canaliza para a região novos efectivos militares, obrigados a percorrer centenas de quilómetros em marcha-forçada, em território hostil, sob um sol escaldante e cheios de sede, ambiente a que os europeus, militarmente mal preparados, não estavam habituados, a que acrescia a extrema dificuldade no que concerne ao apoio logístico à expedição.

    (...)

    Leia este artigo na íntegra na edição impressa.

    Nota1: O autor opta por utilizar a grafia anterior ao Novo Acordo Ortográfico

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    Por: Miguel Henriques

     

     

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