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Edição de 30-06-2020
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    Arquivo: Edição de 31-05-2020

    SECÇÃO: Local


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    NO ÂMBITO DO PROJETO ValEr, COORDENADO PELO CENTRO SOCIAL DE ERMESINDE

    Beatriz Lopes e Corina Granja usam talento na costura para fabricar máscaras comunitárias

    CORINA GRANJA
    CORINA GRANJA
    Com o levantamento gradual de restrições impostas para travar a disseminação da Covid-19, os portugueses recuperam aos poucos alguma da liberdade perdida durante março e abril, meses em que o dever de confinamento domiciliário imperou.

    Este desconfinamento, ou “nova normalidade”, como muitos já lhe chamam, trouxe um artefacto que passou a fazer parte do dia-a-dia dos portugueses e que se prevê que veio para ficar durante muito tempo, desde logo porque não se sabe quanto tempo mais vai durar esta pandemia. Falamos, naturalmente, das máscaras (sejam elas sociais/ comunitárias ou cirúrgicas), um bem que há dois meses atrás era escasso, mas cuja oferta é agora mais abundante.

    Nunca será por demais recordar que de acordo com o decreto-lei 20/2020, o uso de máscara passou a ser obrigatório em alguns espaços, como lojas, restaurantes, transportes e serviços públicos, escolas e mesmo nos empregos, em suma, locais públicos.

    É por isso comum vermos cada vez mais pessoas a circular na rua com máscaras. E nesse sentido há uma crescente e diversificada oferta de máscaras, sobretudo ao nível das chamadas máscaras sociais reutilizáveis, confecionadas a partir de tecido. E esta é uma oferta crescente, como dissemos, porque há cada vez mais pessoas e empresas a produzir este artefacto com o qual teremos de conviver nos próximos tempos sempre que sairmos de casa. O difícil é mesmo escolher que modelo utilizar. Fábricas de têxteis, costureiras, ou simplesmente pessoas com jeito para o “corte e cose”, de norte a sul do país passaram a confecionar este equipamento de proteção.

    Estivemos nesta edição à conversa com duas cidadãs ermesindenses que na esfera do projeto ValEr (no âmbito do Espaço de apoio ao empreendedorismo), enquadrado no Programa CLDS4G, coordenado pelo Centro Social de Ermesinde (CSE), em parceria com a Câmara Municipal de Valongo, têm feito sucesso na confeção de máscaras sociais (ou comunitárias).

    Mas antes de passarmos a palavra a Beatriz Lopes e a Corina Granja façamos um parêntese para explicar que o CSE coordena então o programa da quarta geração do Contrato Local de Desenvolvimento Social (CLDS4G) - projeto ValEr.

    Este tem como objetivo principal promover a inclusão social e combater a pobreza da população das freguesias de Valongo e Ermesinde, e as ações a desenvolver integram dois eixos de intervenção: Eixo 1 (emprego, formação e qualificação), sendo que as ações visam contribuir para melhorar as condições de empregabilidade da população, particularmente de adultos e jovens desempregados; e o Eixo 2 (intervenção familiar e parental, preventiva da pobreza infantil), cujas ações visam potenciar as competências pessoais e sociais das famílias de baixo rendimento com crianças a cargo, no sentido de diminuir as situações de pobreza e exclusão infantil.

    BEATRIZ LOPES
    BEATRIZ LOPES
    Posto isto vamos à conversa com as nossas duas artesãs. Naturalmente que não foi difícil chegarem à ideia de confecionar máscaras a partir das suas respetivas casas, desde logo pela imensa procura que este “objeto” teve, e continua a ter, desde que a pandemia nos afeta. Explicam-nos precisamente que a ideia surgiu por iniciativa do CSE, no âmbito do projeto acima descrito, a partir do momento em que houve necessidade de usar máscaras para prevenção da Covid-19. Depois, e «após uma pesquisa escolhemos quais os materiais adequados e iniciamos o fabrico», conta Beatriz Lopes. Estávamos no início de abril, acrescenta Corina Granja.

    A vasta experiência que ambas têm na área da costura digamos que também foi um “trunfo” fundamental para que a ideia ganhasse forma.

    «A minha ligação à costura começa no meu primeiro emprego numa fábrica, onde tive contacto com esta área», diz Beatriz Lopes, que aperfeiçoou, mais tarde, a arte através de um negócio de pronto a vestir, onde desenvolveu várias outros atributos na costura, como a confeção de vestidos de noiva e/ou arranjos de roupa. «Ultimamente tenho investido também na área dos workshops para quem quiser iniciar a arte de costurar roupa», diz-nos Beatriz, de 57 anos e residente na zona da Bela. Por sua vez, Corina, de 60 anos e residente na zona Travagem, ressalva que a sua aptidão para a costura nasceu por vocação, mas também com base em tudo o que aprendeu nas fábricas onde trabalhou, sempre na área da costura. Mas voltemos às máscaras e ao seu processo de confeção. Como são fabricadas? Beatriz explica que «atendendo a que estas máscaras são apenas para uso comunitário devem de acordo com as indicações da Direção-Geral da Saúde (DGS) usar tecido 100% de algodão, e se possível inserir uma tela de TNT 80g (tecido não tecido) entre camadas como proteção adicional», enquanto Corina acrescenta que além do tecido em algodão são acrescentados outros materiais como os elásticos e os arames para apertar a máscara ao nível do nariz. «Através dos moldes são cortados três tecidos, frente, forra e uma bolsa mais pequena para a colocação do filtro», explica com mais detalhe Corina. Ambas produzem as máscaras nas suas respetivas casas. 20 minutos é o tempo que em média demora a confecionar uma máscara, enquanto que em relação ao número de máscaras produzidas diariamente Corina diz que isso «é muito variável. Depende das encomendas feitas», enquanto que Beatriz nos diz que por norma não faz mais de 10 máscaras por dia.

    MÁSCARAS EM CONFORMIDADE COM NORMAS DA DGS

    MÁSCARAS CONFECIONADAS POR CORINA GRANJA
    MÁSCARAS CONFECIONADAS POR CORINA GRANJA
    Além de atrativas e seguras - já lá vamos a este importante aspeto - estas são máscaras reutilizáveis, e como são em tecido podem ser «laváveis a 60 graus. Depois de lavadas podem ser lavadas novamente», explica Corina, enquanto que Beatriz acrescenta que «o objetivo é que as máscaras possam ser reutilizáveis de modo a reduzir o custo e os consequentes impactos ambientais, daí utilizar a tela (ou filtro) de TNT, que apesar de lavável tem um período de vida inferior ao algodão. Nesse sentido, a máscara tem uma abertura, pelo que é fácil substituir o TNT, e nestas condições a mesma mantém a eficácia na barreira física (gotículas e espirros)».

    Como já vimos antes, a oferta de máscaras sociais (reutilizáveis) é cada vez maior, mas há que ter em conta alguns cuidados na hora de adquirir este produto, já que as características, a composição e a segurança podem diferir muito entre modelos. Deve-se seguir as regras, ou normas, da DGS em relação ao fabrico e uso deste produto.

    MÁSCARAS CONFECIONADAS POR BEATRIZ LOPES
    MÁSCARAS CONFECIONADAS POR BEATRIZ LOPES
    Corina e Beatriz têm sempre essas regras/normas em atenção, conforme fazem questão de sublinhar. «Na fase de estudo das máscaras consultei o site do CITEVE onde tive acesso aos materiais e dimensões. Já no site da DGS percebi qual era o conceito das máscaras, pois dos três tipos existentes (FFP1, FFP2 e FFP3) as do tipo FFP2 e FFP3 tinham como destino a proteção dos técnicos de saúde (médicos, enfermeiros e restante pessoal do hospital). Para a comunidade não contaminada o tipo recomendado era o de algodão com TNT 80g, libertando assim os restantes tipos de máscaras», diz Beatriz.

    Neste capítulo da segurança e das regras/normas da DGS quanto às máscaras, Corina também explica «as máscaras que confeciono levam três camadas de tecido, o que, segundo os meios de comunicação, já é seguro. Para além disso, uma das camadas é uma bolsa aberta para a colocação de um filtro, à escolha de cada um. Estas também incluem um fixador no nariz para melhor ajustamento da máscara e uma melhor proteção».

    A MÁSCARA JÁ É UM ACESSÓRIO DE MODA

    MÁSCARAS CONFECIONADAS POR CORINA GRANJA
    MÁSCARAS CONFECIONADAS POR CORINA GRANJA
    Os tamanhos são variados (para adultos e crianças), além de que os tecidos podem ser personalizados (com diferentes cores e feitios) e a pedido podem ainda ser ajustados ao rosto. A máscara já é vista como uma peça de uso diário das pessoas. Como se fosse mais uma peça de vestuário que diariamente temos de vestir, ou neste caso colocar no rosto. Beatriz diz-nos aliás que «apesar de ser uma proteção, a máscara já é vista cada vez mais como um acessório de moda». E nesse sentido como e onde é que as nossas entrevistadas se inspiram para criar os distintos padrões/modelos de máscaras? «Como estamos perante uma pandemia a nível global, vou verificando quais as tendências noutros países. Claro que por vezes estou restringida aos padrões disponíveis no nosso mercado, além de que os prazos de entrega são dilatados e as transportadoras tem algumas dificuldades em cumprir. Os stocks não estavam preparados para a dimensão que o fabrico de máscaras atingiu», refere Beatriz, enquanto que Corina diz que tem quatro modelos disponíveis inspirados em vídeos da internet.

    MÁSCARAS CONFECIONADAS POR BEATRIZ LOPES
    MÁSCARAS CONFECIONADAS POR BEATRIZ LOPES

    (...)

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    Por: Miguel Barros

     

     

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