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Edição de 31-07-2020
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    Arquivo: Edição de 31-05-2020

    SECÇÃO: Destaque


    COVID-19 FAZ DISPARAR PEDIDOS DE AJUDA ALIMENTAR

    Cada vez mais famílias batem a “portas solidárias” em busca de ajuda para comer

    Um pouco por todo o país os pedidos de ajuda alimentar têm aumentado em ritmo acelerado desde que a Covid-19 passou a fazer parte das nossas vidas. A fome está a voltar a muitas casas, ora como consequência da redução dos rendimentos (financeiros) das famílias provocada pelos efeitos do lay-off que foi “imposto” a muitos trabalhadores com consequências nos seus vencimentos, ora, e sobretudo, porque a pandemia levou consigo empregos, e há famílias inteiras desempregadas e sem qualquer tipo de rendimento. E a carência na comida nota-se cada vez mais. E neste cenário há famílias que antes da crise viviam desafogadas, mas que de um momento para o outro se viram desamparadas e se viram forçadas a recorrer a instituições e/ou entidades para pedir apoio alimentar. A nível nacional, instituições como o Banco Alimentar Contra a Fome, por exemplo, faz por estes dias um relato de um aumento histórico de pedidos de ajuda, que de acordo com a sua presidente, Isabel Jonet, vão continuar a aumentar e assim prolongar-se no tempo. Estamos perante uma situação dificílima das famílias que não tem fim à vista e que pode agravar-se nos próximos tempos com o aumento do desemprego que se antevê. Em Ermesinde, como é a realidade? Não é muito diferente da do resto do país. Foi isso que percebemos da conversa que tivemos quer com o Poder Local (Câmara e Junta de Freguesia de Ermesinde), quer com o Núcleo de Ermesinde da Refood, quer com a Conferência de S. Vicente de Paulo de Ermesinde, que têm dado resposta aos pedidos de ajuda que lhes vão chegando.

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    Não foram só as cidades a ficarem desertas na sequência do Estado de Emergência que vigorou até 2 de maio passado em Portugal. Muitos frigoríficos de muitas casas também foram apresentando esta imagem (do vazio) com o avançar dos dias, semanas, desde que a pandemia chegou ao nosso país. Nesse sentido, mais famílias viram-se obrigadas a bater a “portas solidárias” para poderem ter que comer.

    Antes do eclodir da crise o Núcleo de Ermesinde da Refood apoiava 16 famílias, algumas com agregados familiares compostos por cinco pessoas. Hoje os números aumentaram, segundo nos conta Nina Maia, coordenadora da Refood de Ermesinde. «Estamos a ajudar mais cinco famílias, três das quais com agregado familiar composto por quatro pessoas». São agora 21 as famílias apoiadas a nível local por esta organização independente, num total de 54 pessoas ajudadas. Abra-se um parêntese para lembrar que o conceito Refood (que tem vários núcleos espalhados pelo país) assenta numa organização independente, sem fins lucrativos, conduzida por cidadãos voluntários, que recolhem a comida que sobra nos restaurantes, supermercados, padarias, cafés, pastelarias, etc. e distribuem por aqueles que mais necessitam. Este conceito visa ainda reduzir o desperdício alimentar, atenuando a fome e diminuindo a quantidade de resíduos que, de outra forma, acabariam nos aterros sanitários, agravando o problema da gestão dos resíduos nas cidades.

    Mas não apenas à Refood de Ermesinde foram chegando pedidos de ajuda. Também a Conferência de S. Vicente de Paulo de Ermesinde, movimento católico ligado à nossa paróquia, nos conta que os pedidos de ajuda aumentaram durante o Estado de Emergência (entre finais de março e o mês de abril). «As assistentes sociais da nossa freguesia solicitaram mais vezes o auxílio da Conferência Vicentina do que nos meses anteriores», refere Fátima Prata, presidente deste movimento católico. Apesar de por norma o número de famílias apoiadas pela Conferência nunca ser certo de mês para mês, já que existe alguma flutuação, «pois há famílias a entrar e outras a sair, uma vez que “a vida melhorou”, como muitas vezes nos dizem, em março, a Conferência entregou 80 cabazes de alimentos, em abril entregámos 88 cabazes e em maio entregámos 105 cabazes. Atualmente, iremos apoiar 281 pessoas (já incluindo 32 crianças)», explica Fátima Prata que assim nos dá conta de que também a Conferência recebeu mais pedidos de ajuda neste período de pandemia.

    Quando se levanta a questão de que tipo de pessoas e ou famílias procuram estes movimentos/organizações, isto é, se são pessoas isoladas que vivem sozinhas, ou se são famílias numerosas, por exemplo, a Conferência explica que «temos de fazer a distinção entre famílias apoiadas. Existem famílias que são e serão sempre apoiadas pela Conferência, uma vez que têm fracos recursos económicos. Por exemplo, os idosos com reformas muito pequenas, que mal chegam para pagar a renda e os medicamentos. Outras famílias que apoiamos são famílias que por um motivo ou outro perdem rendimentos e procuram a nossa ajuda de forma temporária. Um dos motivos mais frequentes é o desemprego. Quando arranjam um emprego no mês seguinte dizem-nos que já não precisam de ajuda». Já a Refood de Ermesinde salienta que «temos alguns casos isolados e outros de famílias (pai mãe e filhos)».

    PESSOAS QUE PERDERAM EMPREGOS…

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    Mas e agora, em tempos de crise, quem são as pessoas e/ou famílias que procuram estas instituições(?), serão pessoas/famílias que antes do surgimento da Covid-19 tinham posses e que face à crise provocada pela pandemia perderam rendimentos(?)… «temos três casos com profissões estáveis e que deixaram de trabalhar», diz-nos Nina Maia, ao passo que Fátima Prata salienta que «ainda é cedo para fazer essa avaliação, por ainda não conhecermos muito bem as novas famílias e as suas realidades. Mas numa primeira análise eram pessoas que tinham trabalhos precários, por exemplo, trabalhavam na restauração (cafés) ou nas limpezas», acrescentando que «genericamente os pedidos de auxílio estão relacionados com a falta de rendimentos para fazer face às despesas» quando questionada se a perca de rendimentos por causa da crise é a explicação principal dada pelas pessoas/famílias que solicitam a ajuda da Conferência. De igual modo a Refood nos diz que os últimos casos que lhes bateram à porta a pedir ajuda a justificação prendeu-se com a perca de rendimentos devido à crise.

    Mas também a Conferência de S. Vicente de Paulo e a Refood se tiveram de reorganizar em tempos de pandemia para dar respostas às famílias que já apoiavam e às que posteriormente solicitaram ajuda, pois também os voluntários que dão vida a estas entidades tiveram de se proteger em tempos de confinamento.

    «O mês de abril foi duro, mas conseguimos ajudar os nossos conterrâneos. Ainda tivemos tempo e força para recolher alimentos pelas conferências vicentinas do concelho de Valongo e entregar na Igreja do Marquês, no Porto. Nesse mês, houve dois vicentinos que foram ao Banco Alimentar buscar 1800 kg de alimentos. Depois outros dois vicentinos, em horários diferentes, prepararam os cabazes de alimentos. No dia seguinte, os vicentinos que foram ao Banco Alimentar percorrem as ruas para entregar às pessoas os cabazes de alimentos. Essa tarefa demorou duas tardes a ser realizada. Para além disso, a Conferência teve de adquirir material de proteção (máscaras, viseiras, luvas, álcool gel) para fornecer aos vicentinos que prepararam e entregaram os cabazes, quando o preço desses bens era proibitivo e escasso», conta Fátima Prata. Também a Refood de Ermesinde viveu tempos complicados na sua missão de apoiar. «Estivemos encerrados duas semanas porque não tínhamos condições. Primeiro porque a maior parte dos nossos voluntários pertence aos grupos de risco, bem como os nossos beneficiários. Por último, e mais importante, ficámos sem restaurantes para nos doarem os excedentes alimentares», conta Nina Maia, lembrando neste ponto que o projeto da Refood é trabalhar em parceria com restaurantes, na ótica de “Reaproveitar para Alimentar”. Isto é, são os restaurantes que doam comida para posteriormente a Refood distribuir pelos seus utentes, e com o fecho dos restaurantes a missão ficou mais complicada. Mas, Nina Maia tem esperança de que tudo vai mudar (no futuro), mas que entretanto a Refood teve de se reorganizar para trabalhar de uma outra forma no sentido de ajudar os seus beneficiários, «pois em tempos de crise o mais importante é conseguir ajudar seja de que maneira for. E não falta vontade à Refood de Ermesinde», diz. Explica então que mesmo sem o apoio dos restaurantes «não ficamos quietos, pois tínhamos responsabilidades para com os nossos beneficiários. Depois de vários telefonemas com a Câmara, com a Junta de Freguesia de Ermesinde e com Técnicos das Saibreiras conseguimos a ajuda fantástica do Externato Maria Droste, que como não tinha alunos (face ao encerramento da escola sob o ponto de vista presencial) se juntou à Refood para nos ajudar».

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    Ajuda essa que consiste na seguinte rotina: «O externato à quinta-feira confeciona a refeição, a qual já vem pronta por agregado familiar. Os nossos voluntários vão lá levantar as refeições (já embaladas), levando-as depois para o nosso Centro de Operações (localizado no Mercado de Ermesinde) onde são entregues aos nossos beneficiários que pelo menos nesse dia têm uma refeição perfeita», diz Nina Maia. A coordenadora do Núcleo de Ermesinde da Refood salienta ainda que no meio de toda esta crise há «muita coisa linda que nos faz pensar num futuro melhor», dando o exemplo das tampas que cobrem as embalagens das refeições. Ou seja, as tampas das “Marmitas Solidárias”, como são denominados os recipientes que contêm a comida que sai do Externato Maria Droste, «todas têm um desenho e mensagens lindas feitas pelos alunos (de lá), que nos fazem vir as lágrimas aos olhos de felicidades e agradecimento».

    Atualmente a Refood de Ermesinde está apenas a trabalhar às quintas-feiras, onde ao almoço serve 50 refeições. Sempre que têm outros bens alimentares também entregam aos seus utentes para que estes os levem para casa.

    Nina Maia sublinha ainda que dentro em breve a Refood de Ermesinde vai começar a trabalhar como vinha fazendo antes do eclodir da pandemia, ou seja, dar duas refeições por semana. «Querermos e precisamos de ajudar mais e se tudo correr bem ainda este ano, se Deus quiser com a força e dinamismo dos nossos voluntários e com ajuda preciosa dos nossos parceiros, vamos abrir outro dia, porque temos a certeza de que vamos precisar de ajudar mais pessoas, porque a procura vai ser maior».

    Por sua vez a Conferência Vicentina explica que não entrega propriamente refeições confecionadas às famílias que apoia. Todos os meses entrega sim um cabaz de alimentos (arroz, massa, açúcar, leite, bolachas, salsichas, azeite ou óleo, atum, feijão, iogurtes e fruta) para as famílias prepararem as suas próprias refeições. Entrega esta que face à realidade atual é um pouco diferente do que a Conferência por norma faz, ou seja, com a Covid-19 a Conferência decidiu entregar os cabazes em casas das famílias, contrariamente ao procedimento habitual, em que as pessoas vão buscar os cabazes ao espaço cedido pela Câmara Municipal de Valongo na passagem inferior da Estação, bem como junto à Igreja das Irmãs do Bom Pastor. A grande fatia da ajuda distribuída pela Conferência vem do Banco Alimentar. No entanto, as recolhas mensais na Igreja Matriz de S. Lourenço e na Igreja das Irmãs do Bom Pastor são bastante importantes, como nos dizem. Anualmente, essas recolhas rondam as 5000 Kg em alimentos. Para além disso, existem escolas que fazem recolhas de alimentos, como é o caso do Agrupamento das Escolas de S. Lourenço, do Colégio de Ermesinde e do Externato Maria Droste. Também as catequeses da Igreja Matriz de Ermesinde, do Santuário da Santa Rita e das Irmãs do Bom Pastor fazem recolhas anuais de alimentos. Uma vez por ano a Conferência faz uma recolha de alimentos no Pingo Doce de Ermesinde. «No entanto, também temos de comprar alimentos quando existe escassez de algum alimento. Por exemplo, em maio tivemos de comprar leite», diz Fátima Prata. Para além dos alimentos, a Conferência também paga a luz e a água às famílias mais carenciadas.

    Foto CONFERÊNCIA S. VICENTE DE PAULO DE ERMESINDE
    Foto CONFERÊNCIA S. VICENTE DE PAULO DE ERMESINDE
    «Graças ao protocolo que fizemos com a APARF - Associação Portuguesa de Amigos de Raoul Follereau, a Conferência tem uma verba no valor de 1000 euros para pagar os medicamentos às famílias mais carenciadas. Ao longo do ano, também distribuímos roupa, móveis e material ortopédico (camas articuladas elétricas e manuais, cadeiras de rodas, andarilhos, canadianas, cadeiras sanitárias e cadeiras de banho) às pessoas carenciadas». Toda esta ajuda só é possível graças a um punhado de voluntários, sendo que atualmente a Conferência tem 22 vicentinos, cuja média de idades ronda os 66 anos. A vicentina mais nova tem 31 anos e o vicentino mais velho tem 90 anos de idade.

    Já a Refood de Ermesinde tem 65 voluntários, 14 gestores voluntários e 2 coordenadores voluntários. «Mas precisamos de muitos mais», diz Nina Maia.

    PEDIDOS DE AJUDA VÃO AUMENTAR

    Mas voltando ao tema principal desta conversa, o aumento de pedidos de ajuda face à pandemia que está a afetar tantas e tantas famílias no plano das carências. Ambas as nossas interlocutoras não têm dúvidas de que este número de pedidos de ajuda vai aumentar nos próximos tempos.

    (...)

    leia esta reportagem na íntegra na edição impressa.

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    Por: Miguel Barros

     

     

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